domingo, outubro 22, 2006

Teresa de Jesus, silvense

Teresa de Jesus recordando o tempo de operária escolhedora da Mundet
Foto de Rosa Reis (Ecomuseu do Seixal)

Há algum tempo atrás, honrámos aqui a memória de José Vitoriano. Operário corticeiro, sindicalista, político anti-fascista, e que por isso passou 17 anos nas prisões de Salazar. Dizia então que este era um dos últimos representantes dessa memória de trabalho e luta daquela Silves corticeira, entretanto desaparecida.

Mas, felizmente, não o único. Na semana passada vimos na TV uma reportagem sobre Teresa de Jesus, agora com 101 anos, uma antiga operária corticeira na fábrica da Mundet do Seixal, que agora está sendo transformada em pólo museológico. O que motivou a reportagem era o facto de ter sido convidada para
dar uma aula no Instituto Piaget de Almada, partilhando com os alunos universitários (como aliás já o havia feito ao colaborar com o Ecomuseu do Seixal) o muito saber, de experiência feito, acumulado ao longo da sua centenária vida. O que talvez muitos não saibam, e por isso lhe dedico este post, é que Teresa de Jesus é silvense, e daqui saiu, como tantos outros naquela altura, para trabalhar na lida da cortiça na margem sul do Tejo. Nos princípios do séc. XX e nos anos quarenta do mesmo século, muitos foram os que migraram para o Seixal, Montijo, Cova da Piedade e outros lugares à beira Tejo. Tantos, que ainda hoje marcam profundamente o perfil sócio-cultural desses lugares.
Recordo aqui o que Graça Filipe (directora do Ecomuseu do Seixal) escreveu a seu respeito em 1998, no Catálogo do Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês (pg. 150): «(...) Tereza de Jesus (também natural do concelho de Silves, nascida em 1906 e orfã de pai e mãe) é admitida na Mundet em 1920 (ou 1919), como escolhedora, primeiro de discos e depois de rolha. Esta antiga operária, actualmente com 93 anos de idade e detendo memórias de cerca de meio século de actividade da fábrica, foi até agora a participante mais velha no levantamento oral integrado no inventário de património industrial da Mundet
Como seria interessante um reencontro com toda esta diáspora silvense e as memórias de que são guardiões?!

1 comentário:

ailéh disse...

Concordo ,com a ideia desse reencontro são desses testemunhos e dessas memórias que é feita a nossa História Colectiva.

Um abraço