terça-feira, dezembro 21, 2010

Desabafos de Outros: Motivos de Vergonha


MOTIVOS DE VERGONHA
Há hoje em Portugal, até onde é possível fazer contas, mais de 300 mil pessoas que passam fome e dependem, para sobreviver, da ajuda de instituições como o Banco Alimentar Contra a Fome e outras. "Recebemos todos os dias pedidos de ajuda de pessoas sem dinheiro para comer, para medicamentos, renda, água ou uma botija de gás para cozinhar", diz a AMI ao DN. "Já não são só os sem-abrigo a procurar as carrinhas de distribuição de comida", acrescenta Heloísa Teixeira, da Legião da Boa Vontade. E, depois, há ainda a chamada "pobreza envergonhada", que para já não procura ajuda porque a vai conseguindo, designadamente a alimentar, junto de amigos, vizinhos ou familiares, e da qual não se conhece a verdadeira dimensão.

Cavaco Silva tem pois todos os motivos para, como disse, se sentir envergonhado com a situação de fome que muitos portugueses hoje vivem.

Mas deveria sentir-se também envergonhado, e deveria dizê-lo, por, simultaneamente, outros portugueses viverem na mais escandalosa abundância (como sucedeu nos tempos das vacas gordas dos fundos comunitários em que foi primeiro-ministro e em que nasceu o Banco Alimentar Contra a Fome), e banca e grandes empresas todos os dias anunciarem lucros da ordem dos milhões que, na maior parte dos casos, irão parar a "offshores", enquanto avidamente disputam a pobres e desempregados as cada vez mais escassas verbas com que o Estado ainda os vai apoiando.
(Fonte: Jornal de Notícias, 15 de Dezembro de 2010)

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Antes de morrer escolham a freguesia!

Morremos. Os munícipes, ou fregueses, que cá ficam pagam com os seus impostos as despesas de manutenção e outras respeitantes ao cemitério da freguesia.
Mas nem todos temos igual tratamento, e uns valem mais que outros, mesmo depois de mortos.
Em Silves um morto, entre os 10 768  vivos existentes, vale 0,72 €, disponibilizados, é claro, pela autarquia. Se um munícipe for a enterrar em S. Marcos da Serra, onde restam 1533 fregueses depois de eu morrer, a Câmara já dá 10 euros, e em Tunes 7,6 euros, mesmo que só fiquem para morrer 2021!
Em Messines os mortos têm direito a 1,81 euros, e ainda faltam morrer 8 490….depois de mim. São mortos que pouco interessam, como os de Silves, não votaram no partido certo.
São estas as contas, em simples matemática (População vs Verbas), que estão presentes, só numa das colunas da proposta de transferência para as Juntas de Freguesia. Outras há!

Façam a prova dos nove ou, caso queiram, façam como alguns outros, esqueçam-se, passando a consoada à volta do Limiano.
Mas façam favor: não morram em 2011, seria inconstitucional, porque até os mortos devem ter tratamento igual.

domingo, dezembro 05, 2010

Desabafos de outros: Os "princípios" e os fins, por Manuel Pina





Com os bons ofícios dos mesmos do costume, o PS e o PSD, acrescidos do apêndice do costume, o CDS, grandes grupos económicos escaparão também, como os "boys" das empresas públicas, aos "sacrifícios para todos". O truque, no caso, é antecipar da distribuição de milhões em dividendos que só deveriam ser pagos em 2011. Assim, empresas como a PT, a Portucel ou a Jerónimo Martins furtar-se-ão (imoralmente, a crer nos arroubos de moralidade fiscal de Sócrates e Teixeira dos Santos) aos aumentos de impostos que trabalhadores e empresas serão obrigados a suportar em nome da redução do défice; défice resultante, é bom que se lembre, da irresponsabilidade financeira de governos do PS, PSD e CDS e de que foram principais usufrutuários os grandes grupos económicos.

Para tal ser possível, o líder parlamentar do PS não hesitou em chantagear com a ameaça de demissão os colegas de bancada que pretendiam votar a tributação da distribuição antecipada de dividendos. No final, visivelmente confortado, Assis falou em "princípios", em "responsabilidade" e em "segurança jurídica".

Infelizmente para os portugueses não accionistas de coisa nenhuma, Assis não tinha ainda esses princípios há seis meses, quando, a meio do ano fiscal, PS e PSD (apressadamente, de modo a apanhar as deduções dos subsídios de férias) aprovaram, com efeito retroactivo e à revelia de qualquer "segurança jurídica", o aumento do IRS.
por Manuel Pina

Desabafos de outros: "Devem-me dinheiro" de Mário Crespo

Inauguramos hoje uma nova rubrica: Desabafos de Outros.
Sob este título englobaremos textos de outros, nos quais nós, por uma ou outra razão, nos revemos.
Ficarão estes artigos, em conjunto, directamente disponíveis através da ligação com o mesmo nome, na barra lateral direita, ou através das minhas etiquetas.
Começo hoje com um texto de Mário Crespo: 
Devem-me Dinheiro

José Sócrates em 2001 prometeu que não ia aumentar os impostos. E aumentou. Deve-me dinheiro. António Mexia da EDP comprou uma sinecura para Manuel Pinho em Nova Iorque. Deve-me o dinheiro da sinecura de Pinho. E dos três milhões de bónus que recebeu. E da taxa da RTP na conta da luz. Deve-me a mim e a Francisco C. que perdeu este mês um dos quatro empregos de uma loja de ferragens na Ajuda onde eu ia e que fechou. E perderam-se quatro empregos. Por causa dos bónus de Mexia. E da sinecura de Pinho. E das taxas da RTP. Aníbal Cavaco Silva e a família devem-me dinheiro. Pelas acções da SLN que tiveram um lucro pago pelo BPN de 147,5 %. Num ano. Manuel Dias Loureiro deve-me dinheiro. Porque comprou por milhões coisas que desapareceram na SLN e o BPN pagou depois. E eu pago pelo BPN agora. Logo, eu pago as compras de Dias Loureiro. E pago pelos 147,5 das acções dos Silva. Cavaco Silva deve-me muito dinheiro. Por ter acabado com a minha frota pesqueira em Peniche e Sesimbra e Lagos e Tavira e Viana do Castelo. Antes, à noite, viam-se milhares de luzes de traineiras. Agora, no escuro, eu como a Pescanova que chega de Vigo. Por isso Cavaco deve-me mais robalos do que Godinho alguma vez deu a Vara. Deve-me por ter vendido a ponte que Salazar me deixou e que eu agora pago à Mota Engil. António Guterres deve-me dinheiro porque vendeu a EDP. E agora a EDP compra cursos em Nova Iorque para Manuel Pinho. E cobra a electricidade mais cara da Europa. Porque inclui a taxa da RTP para os ordenados e bónus da RTP. E para o bónus de Mexia. A PT deve-me dinheiro. Porque não paga impostos sobre tudo o que ganha. E eu pago. Eu e a D. Isabel que vive na Cova da Moura e limpa três escritórios pelo mínimo dos ordenados. E paga Impostos sobre tudo o que ganha. E ficou sem abonos de família. E a PT não paga os impostos que deve e tenta comprar a estação de TV que diz mal do Primeiro-ministro. Rui Pedro Soares da PT deve-me o dinheiro que usou para pagar a Figo o ménage com Sócrates nas eleições. E o que gastou a comprar a TVI. Mário Lino deve-me pelos lixos e robalos de Godinho. E pelo que pagou pelos estudos de aeroportos onde não se vai voar. E de comboios em que não se vai andar. E pelas pontes que projectou e que nunca ligarão nada. Teixeira dos Santos deve-me dinheiro porque em 2008 me disse que as contas do Estado estavam sãs. E estavam doentes. Muito. E não há cura para as contas deste Estado. Os jornalistas que têm casas da Câmara devem-me o dinheiro das rendas. E os arquitectos também. E os médicos e todos aqueles que deviam pagar rendas e prestações e vivem em casas da Câmara, devem-me dinheiro. Os que construíram dez estádios de futebol devem-me o custo de dez estádios de futebol. Os que não trabalham porque não querem e recebem subsídios porque querem, devem-me dinheiro. Devem-me tanto como os que não pagam renda de casa e deviam pagar. Jornalistas, médicos, economistas, advogados e arquitectos deviam ter vergonha na cara e pagar rendas de casa. Porque o resto do país paga. E eles não pagam. E não têm vergonha de me dever dinheiro. Nem eles nem Pedro Silva Pereira que deve dinheiro à natureza pela alteração da Zona de Protecção Especial de Alcochete. Porque o Freeport foi feito à custa de robalos e matou flamingos. E agora para pagar o que devem aos flamingos e ao país vão vendendo Portugal aos chineses. Mas eles não nos dão robalos suficientes apesar de nos termos esquecido de Tien Amen e da Birmânia e do Prémio Nobel e do Google censurado. Apesar de censurarmos, também, a manifestação da Amnistia, não nos dão robalos. Ensinam-nos a pescar dando-nos dinheiro a conta gotas para ir a uma loja chinesa comprar canas de pesca e isco de plástico e tentar a sorte com tainhas. À borda do Tejo. Mas pesca-se pouca tainha porque o Tejo vem sujo. De Alcochete. Por isso devem-me dinheiro. A mim e aos 600 mil que ficaram desempregados e aos 600 mil que ainda vão ficar sem trabalho. E à D. Isabel que vai a esta hora da noite ou do dia na limpeza de mais um escritório. Normalmente limpa três. E duas vezes por semana vai ao Banco Alimentar. E se está perto vai a um refeitório das Misericórdias. À Sexta come muito. Porque Sábado e Domingo estão fechados. E quando está doente vai para o centro de saúde às 4 da manhã. E limpa menos um escritório. E nessa altura ganha menos que o ordenado mínimo. Por isso devem-nos muito dinheiro. E não adianta contratar o Cobrador do Fraque. Eles não têm vergonha nenhuma. Vai ser preciso mais para pagarem. Muito mais. Já. 
Mário Crespo
(fonte: Revista Penthouse a partir de http://www.slideshare.net/dopama/mrio-crespo-penthouse-07 )

terça-feira, novembro 16, 2010

Dez razões para pôr fim à NATO (OTAN)

Para além das exorbitantes despesas que acarreta (veja-se o que virá fazer a um país em bancarrota como é Portugal), aqui ficam outras dez razões(créditos para Pimenta Negra):

"Há 60 anos atrás foi criada a NATO para organizar a defesa dos Estados da Europa Ocidental e da América do Norte face à União Soviética. O fim da guerra fria retirou a razão de existir da NATO que, assim, ficou repentinamente sem inimigo. Começou, então, a reconversão dos seus objectivos políticos e militares a fim de justificar a sua existência. Na cimeira de Washington de 1999 redefiniu-se a estratégia da Aliança. Foi assim que, com a desculpa de contribuir para a estabilidade e a paz mundial, os líderes dos Estados membros decidiram ampliar o seu raio de acção de forma ilimitada para todo o planeta. Atrás desta mudança de estratégia está logicamente a vontade de controlar as zonas produtoras de recursos naturais de maior importância geoestratégia. Em 2002 na cimeira da NATO em Praga incorpora-se a luta contra o terrorismo internacional como um dos objectivos fundamentais e adopta-se a doutrina da guerra preventiva de Bush, o que colocou a Organização numa posição vulnerável face ao direito internacional.
Ora a melhor política de segurança é aquela que impossibilita a guerra. Para conseguir um mundo em paz, e mais justo, torna-se indispensável a dissolução da NATO.
Quais são as 10 razões que fazem da NATO um obstáculo para a Paz Mundial :

1) A NATO é o bloco militar mundial mais agressivo e mais belicista que potencia o aparecimento de novas guerras.
Com efeito, a NATO é uma organização militar que, desde 1999, decidiu abandonar o carácter defensivo da região do Atlântico Norte para adoptar uma estratégia ofensiva capaz de intervir militarmente em qualquer lugar do mundo. Tais intervenções militares podem provocar reacções em cadeia e a formação de novos blocos militares.
2) A NATO é uma organização não-democrática.
As decisões no seio da NATO são aprovadas fora de qualquer controle democrático, à margem dos parlamentos e instituições democráticas dos Estados membros, estando também sob o comando militar dos Estados Unidos da América. Uma resultante desse facto é que a NATO coage e restringe a política exterior dos Estados membros.
3) A NATO é, e tem sido, uma ameaça para a democracia.
A NATO aceitou que Estados não-democráticos tivessem sido seus membros, como foi o caso do Estado português da ditadura salazarista e do Estado grego da ditadura dos coronéis. A NATO participou também em conspirações e golpes antidemocráticos, assim como na manipulação da opinião pública. Ainda hoje fazem parte da NATO certos Estados pouco democráticos. O caso mais conhecido é o da Turquia.
4) A NATO tem como objectivo estratégico a guerra contra o terrorismo.
Uma vez desaparecida a URSS, a NATO ficou sem inimigo. Mas em vez de decidir dissolver-se inventou uma novo inimigo, o chamado terrorismo internacional. E foi com esse pretexto que interveio na guerra do Iraque em 2001, e agora no Afeganistão.
5) A NATO impulsiona e estimula novas corridas de armamento, e é por si mesma a ilustração mais viva do que é a militarização do mundo.
O aumento continuado dos arsenais dos países da NATO provoca o rearmamento reactivo de países como Rússia, China, Irão,…, assim como dos países que se consideram como seus rivais. A consequência de tudo isso é a crescente militarização do planeta.
6) A NATO é responsável pelo incremento das despesas militares, do crescimento da indústria e do comércio de armas a nível mundial.
O rearmamento constante dos Estados Unidos, assim como dos exércitos dos Estados membros da NATO, provoca um aumento contínuo das despesas militares, e promove a pesquisa em novas armas, assim como das indústrias que as produzem e do comércio que as vende. Não é, pois, de surpreender que os países da NATO representem 75% do total das exportações de armas no mundo.
7) A NATO promove a proliferação e a ameaça de guerras nucleares.
Os Estados Unidos possuem armamento nuclear em bases militares em solo europeu o que expõe os países europeus ao perigo de uma guerra nuclear.
8) A NATO define a imigração descontrolada como uma ameaça.
Toda esta estratégia de busca de novos inimigos e de ameaças imaginadas faz com que a NATO considere a imigração como uma ameaça. Esta postura de uma organização militar como é a NATO deve merecer a nossa maior preocupação
9) A NATO perpetua a tutela dos Estados Unidos da América sobre os Estados europeus e a política europeia.
Os governos europeus aceitam estar subordinados, através da NATO, aos interesses do complexo militar-industrial dos Estados Unidos. Esta situação impossibilita que a Europa assuma a função de promotora dos objectivos da Carta das Nações Unidas como o de evitar a eclosão de novas guerras. Para que isso seja possível torna-se indispensável a dissolução da NATO.
10) A NATO tem como função principal a defesa dos privilégios e dos interesses dos Estados mais ricos do mundo.
Esta é, indiscutivelmente, a razão mais importante para a subsistência desta organização militarista como é a NATO. O sistema sócio-económico dos países ricos exige o fornecimento permanente de matérias-primas que são vitais para manter o seu modelo económico que se mostra cada vez mais insustentável. A NATO é o instrumento militar que garante esse fornecimento, mediante o controle militar sobre os recursos e as regiões do planeta que são exploradas em benefício de um sistema depredatório e injusto."

E, a propósito, apetece lembrar Bob Dylan, em Masters of War.



SENHORES DA GUERRA (Masters Of War) – de Bob Dylan

Venham senhores da guerra
Vocês que constroem as grandes armas
Vocês que constroem os aviões da morte
Vocês que constroem todas as bombas
Vocês que se escondem atrás das paredes
Vocês que se escondem atrás das mesas
Eu só quero que vocês saibam
Que eu consigo ver para além das vossas máscaras

Você que nunca fez nada
A não ser ajudar a destruição
Você brinca com o meu mundo
Como se fosse o seu pequeno brinquedo
Você coloca uma arma na minha mão
E esconde-se da minha vista
E se vira e corre para longe
Quando as rajadas de balas voam

Como o velho Judas
Você mente e engana
Uma guerra mundial pode ser vencida
Você quer que eu acredite
Mas eu consigo ver para além dos seus olhos
E consigo ver para além da sua mente
Como vejo através da água
Que escorre pelo meu ralo

Vocês aprontam os gatilhos
Para os outros atirar
Logo vocês se afastam e assistem
Enquanto a contagem dos mortos aumenta
Vocês escondem-se nas suas mansões
Enquanto o sangue dos jovens
Escorre pelos seus corpos
E são enterrados na lama

Vocês lançaram o pior dos medos
Aquele que é criado
Medo de trazer crianças
Para o mundo
Por ameaçarem meu filho
Ainda por nascer e sem nome
Vocês não valem o sangue
Que corre pelas vossas veias

O quanto que eu sei
Para falar fora de hora?
Vocês podem dizer que sou jovem
Vocês podem dizer que sou aprendiz
Mas há uma coisa que eu sei
Embora eu seja mais novo que vocês
Nem Jesus jamais poderia
Perdoar o que vocês fazem

Deixem-me fazer-vos uma pergunta
Será que o vosso dinheiro é mesmo tão forte?
Será que ele comprará o vosso perdão?
Você acredita que pode?
Acho que irão descobrir
Quando a morte vos tocar
Que todo o dinheiro do mundo
Não comprará de volta a vossa alma

E eu espero que vocês morram
E que a vossa morte venha depressa
Seguirei o vosso caixão
Na tarde pálida
E assistirei enquanto o abaixarem
Para o seu leito de morte
E ficarei de pé sobre o vosso túmulo
Até ter certeza que estão mortos

domingo, novembro 07, 2010

Seja no México ou aqui: o problema somos todos nós!

Com as devidas alterações contextuais, e que entre o México e Portugal existem, fica o essencial, razão do nosso igual subdesenvolvimento.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Temos acordo!

Créditos: Agradeço a GM o mail, mas sobretudo ao cartoonista, acima assinado.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Lendo verdades pela voz dos outros

Não sou leitor do Pravda em edição portuguesa nem russa, mas esta notícia de Abril passado e que li num blogue, esquecidas as pontuais incorrecções linguísticas do jornalista inglês (desprezáveis num "estrangeiro"!), fazem-me ter saudades da boa imprensa nacional.
Olhos de fora vêem com outros olhos, bem menos míopes que os nossos.... 
Um texto cheio de verdades...
Artigo no Pravda sobre Portugal (Abril, 2010):

Foram tomadas medidas draconianas esta semana em Portugal pelo Governo liberal de José Sócrates, um caso de um outro governo de centro-direita pedindo ao povo Português para fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria.

E não é por eles serem portugueses.

Vá ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socio-económicos, e você vai descobrir que doze por cento da população é portuguesa, o povo que construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o primeiro povo europeu a chegar ao Japão….e Austrália.

Esta semana, o Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por académicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contacto com o mundo real, um esteio na classe política elitista Português no Partido social democrata e Partido socialista, gangorras de má gestão política que têm assolado o país desde anos 80.

O objectivo? Para reduzir o défice. Por quê?

Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE?

Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia deixou-se a ser sugado é aquele em que a agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and Poor's, baseadas nos estados unidos da América (onde havia de ser?) virtual e fisicamente controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.

Com amigos como estes organismos, e Bruxelas, quem precisa de inimigos?

Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por uma França tremente e com medo, apavorada com a Alemanha depois que suas tropas invadiram seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. França tem a agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para sua indústria.

E Portugal? Olhem para as marcas de automóveis novos conduzidos por motoristas particulares para transportar exércitos de "assessores" (estes parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de qual país eles vêem ?
Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são Mercedes e BMWs.
Topo-de-gama, é claro.

Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD (Partido Social Democrata, direita) e PS (Socialista, de centro), têm sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo esgoto abaixo, destruindo sua agricultura (agricultores portugueses são pagos para não produzir) e sua indústria (desapareceu) e sua pesca (arrastões espanhóis em águas lusas), a troco de quê?

O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza em uma base sustentável?

Aníbal Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que estavam despejando bilhões através das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque ele é considerado "sério" e "honesto" (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.

A sua “política de betão” foi bem concebida, mas como sempre, mal planeada, o resultado de uma inepta, descoordenada e, às vezes inexistente localização no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo.

Uma grande parte dos fundos da UE foi canalizada para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.

O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam.

Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini. Maserati. Foram organizadas caçadas de javali em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficou a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controlo e a participarem.

Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político. E ele é um dos melhores.

Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo diplomata excelente, mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da EU, “Eu vou ser primeiro-ministro, só que não sei quando”) que criou mais problemas com seu discurso do que ele resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que não tinha qualquer hipótese ou capacidade para governar e não viu a armadilha.
Resultando em dois mandatos de José Sócrates; um Ministro do Ambiente competente, que até formou um bom governo de maioria e tentou corajosamente corrigir erros anteriores. Mas foi rapidamente asfixiado por interesses instalados.

Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro, são o resultado da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projectos de educação).

E, assim como seus antecessores, José Sócrates, agora com minoria, demonstra falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão contra-producentes. Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%) .

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%)

Concordo com o sacrifício (1%). Um por cento.

Quanto ao aumento dos impostos, a reacção imediata será que a economia encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas, que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afectará a criação de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal, contínua) recessão.

Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem resultados num pedaço de papel, onde eles vão ficar. É verdade, as medidas são um sinal claro para as agências de ratings que o Governo de Portugal está disposto a tomar medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.

Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um retorno para o PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado de suas ideias e propostas.

Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, enviou os interesses de Portugal no ralo, pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos. Esses traidores estão levando cada vez mais portugueses a questionarem se deveriam ter sido assimilados há séculos, pela Espanha.

Que convidativo, o ditado português “Quem não está bem, que se mude”. Certo, bem longe de Portugal, como todos os que possam, estão fazendo. Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para um país maravilhoso, um povo fantástico, e uma classe política abominável. 

Timothy Bancroft-Hinchey
Pravda.Ru

quinta-feira, outubro 14, 2010

Magia, mas só com o nosso dinheiro

É um desabafo global (e em castelhano, perdoem), mas bem pertinente e trocado por miúdos. Vá-se lá saber porquê, lembrei-me do BPN, e outros que por aí andam.
Merece a minha publicidade.

segunda-feira, junho 07, 2010

Assembleia Municipal Jovem de Silves expressa voto de pesar pelo encerramento do Museu da Cortiça

A existência de uma Assembleia Municipal Jovem em Silves é uma boa iniciativa, mas que deveria ser mais divulgada e até mais acompanhada pela população e pelos políticos "profissionais".
É muito salutar que os jovens discutam o seu concelho e as soluções para os seus problemas, pois serão eles, mulheres e homens de amanhã, quem herdará esta terra em que vivemos. Por outro lado, fazem-no de forma muito menos constrangida e "limitada" do que habitualmente vemos, livres de amarras e preconceitos ideológico-partidários.
No sentido de começar a dar cobertura ao que esta assembleia de jovens discute e propõe, começo hoje por um assunto que pessoalmente muito me preocupa: o Museu da Cortiça.
Os representantes dos alunos do Agrupamento de Escolas Dr. Garcia Domingues apresentaram na 3ª edição desta assembleia realizada durante o mês de Maio, o seguinte voto de pesar pelo encerramento do Museu da Cortiça, no período antes da Ordem do Dia.

terça-feira, maio 18, 2010

In Memoriam de Garcia Domingues

Faz hoje, dia 18 de Maio de 2010, um século sobre o nascimento do Professor José Domingos Garcia Domingues (1910-1989).
O importante contributo que deu para a história da sua cidade natal, designadamente para a sua história luso-árabe, é hoje por todos reconhecido.
Foi isso que fez a Escola E.B.2,3 de Silves ao consagrá-lo como patrono, nome que também associou à sua biblioteca escolar. Também a Biblioteca Municipal tem uma sala com o seu nome, e é lá que está depositado o espólio bibliográfico do incansável historiador.
Mas importa reavivar a memória dos seus conterrâneos, e republicar obras fundamentais hoje esgotadas, e de enorme interesse para a história da cidade.
É essa a intenção do Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves que no próximo sábado, dia 22, pelas 15 horas, promove na escola com o seu nome uma singela mas importante homenagem (clique na imagem para ver melhor o programa).

domingo, maio 09, 2010

Apesar de tudo, um fim-de-semana rico em alegrias...desportivas





É a espuma dos dias, bem sei, mas também é destas alegrias que se faz o dia-a-dia!
E porque também merece, aqui fica mais um herói do dia: Frederico Gil.

domingo, abril 04, 2010

Ainda Armação de Pêra, e o património que ficou por classificar

Contra minha vontade e voto, foi em finais de 2007 aprovado o projecto urbanístico para este edifício em Armação de Pêra com pormenores Arte Nova, dos finais do séc. XIX, projecto que previa a sua demolição e que, imagine-se, se efectuou! 

Ainda sem o Plano de Pormenor de Armação de Pêra em vigor, só saído em Diário da República de 18.1.2008, mas já com aprovação em reunião municipal após uma guerra de pareceres jurídicos, custa a crer como foi possível realizar-se entretanto semelhante crime de lesa-património. Mas realizou-se, e é daquelas coisas que "custo a engolir", já que, com mais algum acompanhamento e atenção pessoal, não deveria ter deixado acontecer. Penitencio-me ainda hoje por isso...e este post fica como inglório exorcismo.
Mas muito mais deverá pesar sobre a consciência do actual executivo permanente, já que foi a senhora presidente que lhe deu despacho final em Maio de 2008, sem prévia informação ao resto da Câmara. E para além da eliminação de um dos mais interessantes edifícios históricos de Armação, fica a dúvida pela imagem se o projecto respeita (nas varandas) os parâmetros em vigor nessa rua Dr. Manuel de Arriaga?

Ficam as imagens do antes e depois, para mais tarde recordar.
E esta, na mesma rua, será a próxima vítima?


sexta-feira, abril 02, 2010

Descubra as Diferenças 2

Mais uma vez, façam favor de descobrir as diferenças:



Descubra as Diferenças 1

Depois de um recente passeio a Armação de Pêra, em que fizemos algumas fotos, resolvemos compartilhar o que nos foi na alma através de dois pequenos jogos de reflexão, tipo "descubra as diferenças".
Aqui fica o primeiro:


A 2 meses da época balnear


A dois meses do início da época balnear e é assim que encontrámos agora a ribeira do Barranco do Olival, desaguando na praia de Armação de Pêra.
Será possível que duas autarquias geridas pelo mesmo partido (Silves e Lagoa), não se entendam de vez sobre um assunto que põe em causa a imagem das praias algarvias, de empreendimentos de superior qualidade a poucas centenas de metros, e a desejada atribuição da bandeira azul a uma das mais belas praias algarvias?!
Será possível!?

segunda-feira, março 08, 2010

Faleceu Costa Martins (1938-2010) - notável messinense, capitão de Abril

Costa Martins (1938-2010)


Messinense, capitão de Abril (embora já major então) de importantíssimo protagonismo (veja-se biografia detalhada mais abaixo), José Inácio Costa Martins faleceu no sábado passado após a queda da aeronave em que seguia com um amigo (veja-se notícia aqui).
Foi talvez um dos militares de Abril mais perseguidos após o 25 de Novembro, pois sobre ele foi lançada uma calúnia que só recentemente foi dada como falsa. A de se ter apropriado do dinheiro do célebre "Dia do Trabalho", uma iniciativa que protagonizou enquanto Ministro do Trabalho em 1975, e que hoje, bem melhor acolhida seria na dita redução do défice do que outras, sempre as mesmas e ano após ano repetidas, sempre sobre os mesmos, e que dão por nomes como PEC ou outros.
Conheci-o em 2005 por intermédio de Francisco Martins, num almoço a três deveras agradável, em que nos manifestou total apoio à candidatura à Câmara Municipal de Silves. Grande falador, senhor de uma enorme cultura, evidenciava no que dizia profundos ressentimentos pela forma como o país o tratara a si e a outros que tinham feito a Revolução de Abril. As suas memórias eram muitas, detalhadas, e importantes. Faltou, infelizmente, passá-las ao papel.
O Concelho e a freguesia de Messines perdem agora um dos seus mais recentes e notáveis filhos.
Seja honrada a sua memória!
Aqui deixo o catálogo da exposição, "Notáveis Messinenses: vivências e contributos" realizada em 2009 pela Junta de Freguesia de Messines, e que entre as pgs. 187 e 200 faz a biografia de Costa Martins (da autoria de José Manuel da Costa Neves).


segunda-feira, março 01, 2010

Só mais confusão...e por que não?

Desabafo por aqui, já que no blogue do vereador Serpa nem sempre os meus comentários passam o lápis azul. Diga o que disser, mas ele ou o seu secretário, já resolveram omitir as minhas reacções em forma de comentário. E não eram comentários anónimos, de "baixa condição", ou com palavreado menos próprio. Eram simplesmente posições mais críticas à actuação do vereador.
Faço agora "a quente" este desabafo após ler o disparate que li, e que adiante refiro.
Faço-o aqui, onde até hoje só censurei ataques pessoais, debaixo de anonimato, sem justificação e sem sustentação. Ainda assim, já passei pelo tribunal de Silves mais do que uma vez pelo que aqui escrevi. Sem consequências para mim, felizmente.
Mas vamos ao que me traz.  O último post do vereador, sobre a proposta de classificação como monumento de interesse municipal do Museu e da Fábrica do Inglês, em que nos últimos tempos tenho trabalhado. Não sabe o vereador que o PDM de Silves, aprovado em 1995 (já andava pela Câmara nesses tempos, não andava?) previa essa atribuição? E se previa, como previa, porque é que estes anos todos não procurou enquanto responsável fazer cumprir o PDM? Porque é que, sendo "velho" vereador e munícipe, fala dum sítio onde nunca sequer foi? E por que é que, tão interessado como pareceu estar quanto ao futuro desse património, vem questionar o facto de, ainda que com manifesto atraso, este espaço estar assim garantido do ponto de vista patrimonial? Muitos outros estão, lhe garanto, neste concelho aguardando iguais circunstâncias. Mas ainda assim, e cabe aqui fazer justiça, desde 2005 realizaram-se mais processos de classificação patrimonial do que todos os que existiam anteriormente.
Ainda na última reunião aprovou dois referentes a Messines (Casa Museu e Casa de nascimento de João de Deus), velhinhas e bem conhecidas construções, sobre as quais nunca o ouvi pedir classificação!
Não sou do PSD, bem sabem, mas quando alguém faz política de terra queimada, como agora vejo fazer, sobre assuntos sérios, venho a terreiro. Não estou venda(i)do.
"Bastou que os vereadores do PS questionassem o Executivo(...)" !
Faz-me rir, caro Fernando Serpa. Então não sabia? O que mais não sabe?
Mas numa coisa tem razão: está baralhado.
Agora só espero vê-lo votar contra a classificação da Fábrica/Museu como monumento de interesse concelhio.
Pense nisso, dava-lhe fama, mas talvez não a que procura!
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P.S.- Na reunião camarária do dia 10 de Março, o vereador lá aprovou a dita classificação, a contragosto refira-se, já que procurou adiá-la, o que acontecendo, seria caso inédito. Entretanto, lá por Messines, continuam aguardando a merecida classificação vários monumentos. Vamos ver se toma a iniciativa de os classificar, já que esta é do "domínio público"!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

A propósito da(s) Alicoop(s)...


Numa altura em que mais uma empresa portuguesa e concelhia está em risco de fechar, lançando provavelmente para o desemprego mais algumas centenas de pessoas, neste depauperado concelho de Silves, convém lembrar que a culpa também é de todos nós.
A prová-lo, deixo o inteligente texto cuja autoria desconheço, e que me chegou por e-mail.
"O ZÉ, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã.
Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China).
Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).
Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.
Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.
Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.
Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL...

O Ministério da Economia de Espanha estima que se cada espanhol consumir 150€ de produtos nacionais, por ano, a economia cresce acima de todas as estimativas e, ainda por cima, cria postos de trabalho."
E em Portugal, quantos criaria???
Só saberemos quando tivermos em atenção, enquanto consumidores, este problema.
Há quem já lute por isso:



quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Multiplicam-se os apoios, e por isso agradeço!

A defesa do património histórico e cultural que o Museu e  a Fábrica do Inglês representam tem vindo a mobilizar  numerosos e crescentes apoios, que importa por justiça realçar e agradecer.
Foram já muitos os que expressaram a sua solidariedade por palavras e gestos. Arrisco-me a não nomear todos os que o fizeram, pedindo por isso desde logo desculpas aos mesmos, mas não quero deixar, ainda assim, de fazer jus a algumas referências.
De forma  mais ou menos cronológica, começo pela Lista Museum, um fórum de participação dos profissionais de museus que ajudou a divulgar a notícia e a recolher a solidariedade dos museus portugueses; o ICOM/Portugal(Conselho Internacional dos Museus), e o seu presidente, o Dr. Luís Raposo, que em reunião plenária elaborou comunicado de apoio em defesa do Museu; os partidos políticos com representação na Assembleia da República, designadamente o Bloco de Esquerda e o CDS/PP que em plenário onde o Governo esteve presente colocaram à Ministra da Cultura e ao Ministro da Economia as perguntas obrigatórias; à Directora Regional da Cultura, Drª Dália Paulo, que se prontificou a ajudar no que necessário fosse; à Rede Regional de Museus que manifestou o interesse em colaborar tecnicamente no apoio ao Museu; à RTP, à RDP, e outros órgãos de comunicação escrita regional que sobre o assunto já realizaram reportagens ou notícias; à Retecork (Rede dos Territórios Corticeiros) que visitou o museu durante a sua reunião de Silves e nas conclusões da mesma expressou as suas preocupações; à Drª Graça Filipe, actual vice-directora do Instituto Português dos Museus, à Drª Simonetta Afonso, reconhecida mulher dos museus e exposições, actual presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, ao Dr. José Gameiro, director do Museu do Mar em Portimão; ao Clube de Amigos da Fábrica de Cortiça Robinson de Portalegre (Manuela Mendes), à Rota da Cortiça de S. Brás de Alportel; à visita do deputado do PCP José Soeiro e da delegação do Grupo Parlamentar do BE, com interessantes sugestões; à moção apresentada por Carlos Marques (BE) na Junta de Freguesia de Silves aprovada por unanimidade, e hoje à notícia da moção aprovada por maioria na Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) apresentada pelo Bloco de Esquerda, e que abaixo reproduzo.
E aqui e assim agradeço a muitos, e muitos outros, que através de e-mails, dos seus blogues, telefonemas ou pessoalmente me têm dado forças para prosseguir uma luta em defesa de algo que Silves não pode perder: o seu protagonismo histórico-cultural, o seu protagonismo no mundo corticeiro, onde já foi líder mundial.
P.S.-Entretanto,hoje, quinta-feira dia 4 (terá sido mera coincidência?), soube através do Barlavento on-line que a Srª Ministra já respondeu ao senhor deputado Artur Rêgo (CDS-PP) sobre a questão que referi no post. Ainda que a resposta não me trouxesse novidades, sempre fica o testemunho oficial. Leia-a aqui. 


quinta-feira, janeiro 21, 2010

Em Silves, a laranja, a cortiça...os frutos secos


Fotografia © Melanie Maps - Lusa

Cadernos de cortiça na loja Pelcor em São Brás de Alportel

Vem este desabafo, curiosamente, a propósito de uma boa notícia, não para Silves, ainda que para o Algarve e para o mundo corticeiro em geral. Para S. Brás de Alportel e para a empresa que ali nasceu, a PELCOR, e a sua gerente, Sandra Correia, em especial.
O MOMA (Museu de Arte Moderna de Nova Iorque) vai expor e vender peças de cortiça algarvia, com design e concepção da Pelcor, é certamente assunto relevante, sobretudo agora que o principal museu dedicado à transformação da cortiça em Portugal, com sede em Silves, está em risco de fechar. Ironicamente, ali se venderam (na loja do Museu) os primeiros produtos que a Pelcor confeccionou...
No ano 2000 o Pavilhão de Portugal na Exposição Mundial de Hannover  foi forrado com cortiça de Silves. Em 2010, o Pavilhão Português em Xangai irá repetir a experiência. A cortiça continua na ordem do dia, como produto natural que é, como sustentáculo de um habitat único e já raro, no momento em que a sustentabilidade do planeta é ponto prioritário na agenda mundial. É um dos principais ex-libris de Portugal no estrangeiro, é uma das nossas principais exportações, é um dos produtos naturais existentes neste planeta com mais potencialidades futuras.
Silves, depois de perder protagonismo na exportação dos seus frutos secos (amendôa, figo e alfarroba que Portimão exportou), depois de perder o estatuto de capital da transformação da cortiça em Portugal, depois de perder a oportunidade de oficializar a melhor laranja do mundo (opinião minha!) como marca registada e produto demarcado, repito, a Silves (cidade e concelho) já só falta perder, e pouco falta para isso, o seu lugar como reserva cultural e patrimonial do legado luso-árabe. Sucessivos atentados arqueológicos, "capelinhas", ignorância e alheamento face aos contributos dos actores locais, podem vir, mais uma vez, a pôr também isso em causa.
Mas se de cortiça falamos, e voltando à feliz notícia que nos inspirou, porque será que aqui havendo um espaço privilegiado (uma fábrica de cortiça de perfil arquitectónico único em Portugal), não fazemos dele uma sala de visitas para o que de melhor se faz em cortiça em Portugal? Na investigação científica e nas novas aplicações do produto (hoje levadas à aeronáutica e à astronáutica), no ambiente, na educação e turismo ambientais (sustentabilidade da floresta e habitat do montado), no design (na moda, novos produtos, novas aplicações), na reciclagem (reutilização), na viti-vinicultura (novos vinhos de Silves e algarvios, no lobby pelos vedantes naturais), no artesanato (herança de velhos e novos artesãos que na cortiça desenvolveram autênticas peças de arte), enfim, na recuperação da memória histórica/técnica/política da única indústria que este concelho verdadeiramente conheceu, da cultura da cortiça e dos seus protagonistas, há todo um mundo de oportunidades por explorar.
Mais uma vez, serão outros, provavelmente, a fazê-lo. Fazem o que devem. S. Brás de Alportel vai fazendo. Reciclagem de rolhas usadas por iniciativa municipal, criação da Rota da Cortiça (à qual o Museu de Silves já emprestou uma máquina), apoio a empresas de pequena dimensão mas com exponencial valor para se internacionalizarem e projectarem imagem, por que assentes na criatividade, no dinamismo e na inovação, como é o caso da Pelcor.
Por aqui marcamos passo, os "cães (sem ofensa) ladram e a caravana passa", e outro ciclo, outra janela de oportunidade se fechará.
São frutos secos...
Haverá petróleo em S. Marcos?