domingo, dezembro 31, 2006

Quanta memória!


Quantas memórias se guardam por detrás de uma só casa? Quantas?

Esta que aqui vemos - a bonita casa da(s) família(s) Magalhães Barros/Figueira Santos - muitas terá para guardar, assim resista ao avassalador peso do Tempo, do abandono ou da dita "modernidade" (leia-se rentabilidade).

Dedico este post a todos os que a recordam nos seus tempos aúreos .

sexta-feira, dezembro 22, 2006

4 anos e meio depois...a cidade é outra

Castelo de Silves, Julho 2004
Mais uma vez o Polis. Não há como evitar não falar dele.
Como?, se um programa que se pretendia de requalificação da cidade acabou por ser o principal responsável pela sua descaracterização, pela sua mutilação, desorganização, e outras palavras acabadas em "ão"! Mais um ano passou, sobre o relógio reconfigurado. Só resta mais um ano a este Polis já adiado, e o que vemos "não ata, nem desata".

E quanto aos objectivos, o que dizer?! Como às vezes é bom ter por onde recordar, não é?

Ora leiam o que há quatro anos e meio se dizia do miraculoso Polis (os sublinhados a laranja são meus, e servem só para vos chamar a atenção para a diferença entre aquilo que se disse e o que se fez):



Polis de Silves formalmente inaugurado

Foi formalmente inaugurado na passada sexta-feira pelo Ministro do Ambiente, José Sócrates, o programa Polis para Silves, que irá levar a uma revolução na forma de viver a cidade até ao final de 2005. Ou pelo menos é o que se pretende.
Silves é, assim, a 21ª cidade a ser contemplada com este programa de requalificação urbana. Para o efeito, foi dividida em quatro áreas de intervenção, que abrangem quase todo o perímetro urbano, cada uma dos quais com as suas características próprias. A área total de intervenção é de cerca de 111 hectares.

No plano estratégico pode ler-se que na área do Centro Histórico, que compreende grosso modo o castelo e quarteirões adjacentes, se pretende "actuar no espaço público em geral, qualificando-o e dando-lhe uma maior dignidade face ao carácter cultural e monumental da cidade".Trocando por miúdos, isto significa, por um lado, modernizar as redes de subsolo, eliminando de passagem as "redes aéreas" (cabos eléctricos, telefónicos, etc.), e trazer benefícios vários às ruas da zona.
Algumas intervenções específicas serão também contempladas, nomeadamente nos Largos da Sé, do Hospital e Dr. Jerónimo Osório, no espaço confinante à Rua do Castelo e Rua do Mirante, no espaço contíguo à Travessa do Pelourinho e na Praça do Município.

Tudo isto envolve escavações e, numa cidade que tem o passado que Silves tem, é inevitável que se descubram vestígios em cada escavação. Por isso faz também parte do Polis a musealização da Arro(n)chela, que irá servir para enquadrar esses vestígios. Ainda no campo dos museus, também as Torres serão musealizadas, e o Castelo sofrerá um arranjo interno.

A segunda área, a do Núcleo Urbano, estende-se para sueste do Centro Histórico, entre este e o Arade. Aqui estão previstas acções de reabilitação urbana, não só como um fim em si mesma, mas também a fim de favorecer a circulação pedonal entre o Castelo e o Arade. Um dos aspectos que mais impacto trará a esta zona da cidade é a relocalização das paragens de autocarros e táxis e também a requalificação da zona das paragens de autocarros e táxis, e também a requalificação da zona do mercado.
A zona do Rio Arade, área do sul da cidade onde estão situados os campos de futebol, a FISSUL, parques de estacionamento e descampados, é a terceira área de intervenção. Aqui estão planeadas intervenções no próprio Arade, com o desassoreamento do rio, e um aproveitamento maior das margens e da ponte. Também está previsto um Parque de Lazer para a zona ribeirinha, onde se pretende instalar uma piscina municipal.

À semelhança do que se vem fazendo a jusante do rio, em Portimão, também Silves aposta, no seu Polis, na criação de um circuito pedonal ao longo do Arade, que irá ligar o Parque de Lazer ao Moinho Valentim. Nesta zona prevê-se ainda a construção de um Centro de Interpretação e Monitorização Ambiental que tem como objectivos desenvolver acções de sensibilização ambiental e acompanhar em contínuo os diversos indicadores ambientais. O Plano Estratégico levanta a possibilidade de associar este Centro à recuperação do Moinho Valentim.
A última área, a norte e noroeste da cidade, é dedicada às acessibilidades. Prevê-se no plano estratégico por um lado beneficiar a Estrada Municipal 529, que liga o Figueiral à nacional 125, e por outro lado criar duas novas acessibilidades a Norte, com o objectivo claro de descongestionar o centro da cidade.

Tudo isto corresponde a um investimento global de cerca de 14.4 milhões de euros, mais IVA, dos quais cerca de 1 milhão cabe à autarquia. É uma quantidade enorme de dinheiro que, no entanto, é cerca de um quinto do valor de todos os projectos apresentados pela Câmara aquando da candidatura. Entre estes projectos, e com compromisso autárquico para avançar, estão a construção de uma Biblioteca Municipal, a reabilitação de um arquivo para nele se instalar o Arquivo Histórico Municipal, a reabilitação do Teatro Gregório Mascarilhas, a criação da Casa da Música, a aquisição do Palácio Grade, a construção de uma pista de atletismo e da piscina, a remodelação do Mercado e a conclusão do Complexo de Feiras e Exposições. Também integrados nestes investimentos estão a remodelação da Rede de Águas Residuais e Pluviais, e da ETAR.

Aqui o investimento será feito com dinheiros que não provém do Polis, e sim de fundos próprios da autarquia e de outras entidades. Ao todo, falamos de quase 60 milhões de euros, mais IVA. Ou seja, de cerca de 12 milhões de contos.
Um grupo de obras de tal envergadura causa necessariamente impactos importantes, quer na vida da cidade aquando da sua conclusão, quer durante as obras propriamente ditas. Assim sendo, as entidades promotoras do programa irão levar a cabo um conjunto de acções de sensibilização dirigidas a três "grupos-alvo": a população em geral, os comerciantes e habitantes das zonas que irão sofrer um impacto mais significativo, e as escolas e os jovens em geral.

Relativamente à população em geral, será implementado um Posto de Informação Polis, situado em frente à ponte, na baixa da cidade, será editado um boletim informativo regular, criado um site e instalados quiosques multimedia nas zonas mais movimentadas da cidade, e instalados tapumes de obras que minimizem o ruído e os impactos visuais negativos.

Relativamente aos comerciantes, as acções adoptadas para minorar o impacto negativo de obras em curso em frente à porta, limitam-se à criação de brigadas de limpeza especiais, que circulem pelo comércio limpando montras, e o desenvolvimento de acções de animação no Centro Histórico a fim de atrair a população para a zona.

Terão ainda lugar Passeios Polis, isto é, passeios guiados pelas áreas intervencionadas onde se dará a conhecer à população a realidade da cidade e os projectos Polis. Por fim, as crianças irão participar em concursos sobre a cidade.

Foi a tudo isto que se deu início formal na passada sexta-feira, com o descerramento do "cowntdown", situado logo à saída da ponte, e que irá contar, ao segundo, o tempo que ainda falta para completar os trabalhos, e com a assinatura, por Isabel Soares e José Sócrates, do volumoso contrato entre a câmara e o poder central, com vista à execução do projecto.

Nas intervenções, o actual clima de pré-campanha sobrepôs-se à festividade da data, com Isabel Soares a regozijar-se pela vinda do Polis para Silves, mas também a queixar-se de que "O Polis peca por tardio, e também peca por ter sido reduzido a um quinto dos projectos". E apesar de se estar a falar de outras coisas, a autarca de Silves não deixou de acentuar o "profundo desgosto" que sente devido à indefinição no licenciamento dos cursos do Piaget, deixando no ar a ameaça de cumprir uma promessa: "o corte do IP4 em protesto contra a falta de paixão pela educação" do governo.

Sócrates, que não é homem de ouvir e calar, respondeu à letra. Referindo que registou a ausência de um elogio explícito ao governo no discurso da presidente da câmara, sublinhou que ele não tem pejo em declarar que a câmara se portou muito bem, concordou que a verba disponibilizada para Silves é pequena, mas explicou que teve de ser assim para se poderem apoiar 10 cidades em vez das 2 inicialmente previstas nesta segunda fase do Polis, e que em todo o caso "este é o maior contrato que a câmara de Silves já assinou com o governo", concordou que o Polis em Silves peca por tardio e agradeceu o elogio subentendido, porque o seu "governo fez o que os anteriores não fizeram".
É o que dá realizar cerimónias entre instituições de diferentes cores em pré-campanha...

Jorge Candeias
Publicado: 18 de Fevereiro, 2002
http://www.regiao-sul.pt/noticias/noticia.php?id=9528

domingo, dezembro 17, 2006

Que Cruz!


Coitada da Cruz de Portugal!
Pretexto para uma requalificação da iluminação pública local (foi assim que o projecto de obras foi ilegalmente presente ao IPPAR de modo a evitar "outros contratempos", e assim o comprovei consultando a caricata e quase inexistente documentação presente na DOM) acabou por ser ela a grande esquecida nestas obras. Sem luz, mesmo sendo Natal, durante largos meses vergonhosamente embrulhada por trapos, rodeada de obras inacabadas realizadas em terrenos particulares ainda não adquiridos (o que é grave), aqui está, passado mais de um ano, às escuras e sem acesso e informação adequada que a dignifique. Tratando-se de um monumento nacional, atracção permanente de muitos visitantes, é exemplo da capacidade desta autarquia em tratar o património local.

E assim caminhamos, promessa da Presidente, para candidatar Silves a "Património Cultural da Humanidade"! Haja Vergonha!

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Bom Desabafo!



O Saco tem sido, estatística e vocacionalmente falando, um lugar de crítica. Negativa, quase sempre. Porque a positiva, embora fosse justa às vezes, pouco adianta ao objectivo pretendido (porque temos objectivos, desiludam-se os mais naifs), e não resulta normalmente em Desabafo. É da natureza humana e, compreenda-se, da "economia evolucionista". Que ideia foi esta? perguntam vocês, leitores. Pois bem, o evolucionismo darwiniano aqui do Saco também se baseia na teoria de que, tal como na Natureza, o que merece atenção é a readaptação (a alteração, a mudança) do que é menos bom, do que está geneticamente disconforme, para que fique realmente BOM.

Isto tudo para quê? para fazer um elogio à publicação pela CMS e pelo "pelouro da cultura" de duas obras fundamentais: o número 6 da revista XELB (dois volumes) e o inédito V volume das Antiguidades Monumentais do Algarve, de Estácio da Veiga. Duas publicações de excepção a que a autarquia fica ligada.


Faça agora o vereador Rogério Pinto destas obras presente de Natal às Bibliotecas escolares do concelho (como fez a mim e aos restantes vereadores) é o meu desejo.

As 7 Maravilhas

Foto IPPAR
Estão aí as votações para as 7 Maravilhas de Portugal, pois então. Não tendo nenhum monumento português sido escolhido para integrar a lista dos candidatos a Maravilhas Mundiais, vai daí, vamo-nos às Nacionais. E com Freitas do Amaral, agora reformado, como comissário.

Entre os primeiros 77 nomeados estavam dois monumentos de Silves (o castelo e a velha Sé); agora, entre os 21 finalistas, do Algarve só temos a Fortaleza de Sagres. É injusto. É injusto porque o Castelo devia ser considerado uma das maravilhas nacionais: pela pachorra que tem tido em aturar este Polis; é injusto por que a esteve ali por mais de setecentos anos, sem reclamar, e agora está fechada ao culto só porque se lembrou de largar um pouco de reboco em manifesto protesto pelo abandono a que tem sido votada (leia no Correio da Manhã). E o júri não teve isso em consideração!!

E que dizer de outros monumentos regionais totalmente esquecidos pelos responsáveis deste concurso: caso do Algarve Shopping, do Fórum Algarve ou do Estádio com o mesmo nome? Não são eles bem mais importantes que os Jerónimos!?

Se não são, assim parecem. Façam uma sondagem para saber quem ganha em número de visitantes!...

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Ainda o Algoz...

Já que andamos pelo Algoz, cá fica mais uma. A imagem refere-se às obras de remodelação da rede de abastecimento de água à vila, uma das obras em investigação no processo de inquérito interno que decorre na C.M.S..


Mas o que interessa aqui saber é se, pago o valor da empreitada pela autarquia através de factoring, as canalizações são para ficar assim, sejam as renovadas (como a imagem ilustra) ou as velhinhas que, agora abandonadas "in situ", se prontificarão nos próximos tempos a dar sinal da sua presença sobrepondo-se a uma renovada pintura das casas.
Como dizia um amigo, sempre servem "pr'a amarrar a burra!".

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Assassino à espreita


Fotos do leitor José Cabrita

Há mais de uma semana que este prédio na Rua de S.Sebastião, no Algoz, se encontra na situação que as imagens ilustram. À espera de cair. E não serão as fitas ali colocadas que prevenirão que uma tragédia aconteça. Por isso também o meu alerta público, que não ficará só por aqui. Esta rua não pode continuar aberta ao trânsito! Quem seriam os responsáveis, caso acontecesse o pior? Há algum tempo atrás uma situação semelhante, em Silves, não provocou uma mão cheia de mortos por uma pequena diferença horária.
Agradeço a denúncia e as foto enviadas por um nosso leitor.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Coisas da Feira II

Feira de Silves, óleo sobre cartão de Samora Barros (reprodução parcial), s/d


Coisas da Feira II
(deve-se começar pelo Coisas da Feira I, mais abaixo)

Conforme previsto, aí pelo princípio do fim da tarde, de ontem, dirigi-me à Feira.
Armei-me de chapéu de chuva, pois já me tinha apercebido de uns chuviscos intermitentes, que aliás já me tinham levado a recolher a roupa que tinha lavado de manhã e posto a secar no terraço, e saí para a rua no sentido do cemitério ou seja, no sentido da Feira (sentido oposto ao que me leva à Escola; a distância será sensivelmente a mesma).
Já a meio do caminho comecei a pensar que afinal não haveria tanta mudança. Regressavam famílias com sacos cheios de mantas e toalhas, e moços pequenos a apitar assobios de loiça e gaitas ou deliciando-se com os brinquedos novos. Nas proximidades da feira já cheirava a castanha assada e a polvo assado, já se ouvia a gritaria dos vendedores de mantas, toalhas e lençóis, que ofereciam um faqueiro de borla, “para acabar a remessa”.
Nas primeiras tendas, para além dos assobios de loiça e gaitas de beiços, havia estatuetas do Padre Cruz, da Nª Sra. de Fátima e outras, de frades daqueles que se puxa um cordel e mostram o Bilhete de Identidade como sendo naturais das Caldas da Rainha. Espelhos redondos com o emblema do clube preferido no verso, canivetes de faca e garfo, telemóveis de imitação, mais estatuetas pisa-papéis com formas de leões, águias e dragões, (nenhumas com os símbolos dos partidos, isso foi só na segunda metade dos anos setenta...).
Mais fumo de polvo assado e de castanhas e agora os figos secos ou torrados, os figos cheios, as estrelas, as amêndoas, as nozes, as castanhas e as bolotas (eu sei que são boletras mas a maior parte de quem me lê não as conhecem como tal). Quanto aos colares ou rosários de bole... de bolotas, nem um. (queria levar um para a filha do Zé Leiteiro, a irmã do Zé e do Eduardo Leiteiros, a Maria da Graça, que mora lá para os meus lados, no Miratejo).
Já começava a escurecer, mas o cheiro dos gasómetros de carbureto não me chegava ao nariz (chegava-me só à cabeça), nem os peros cheiravam aos de Monchique..., nem podiam cheirar...; ao aproximar-me vi que tinham escrito “Peros Bravo Mofo”... Cheirei mas também não cheiravam a mofo... Depois me lembrei que havia um tipo de peros chamados os “Bravo”, de Esmolfe, tal como os que deveriam lá estar, seriam de Monchique... Mas isto também é Feira.

A seguir às cebolas, alhos, orégãos, batatas e etecêteras, vêm os chouriços, queijos e presuntos e, coisa nunca vista, bacalhau..., como se bacalhau fosse coisa de vender nas feiras, a não ser assado, nas barracas de comes e bebes. Destas não havia; mas na sequência dos chouriços, queijos e bacalhau, havia um “balcão” que servia “Tapas”, vinho e cerveja, do Zé Índio, de Vila Real de Stº António (isto, informação obtida por via do meu irmão). Mais à frente as “Roulotes Snack-Bar” com Hamburgers e Cachorros cheios de maionese e ketchup e imperial em copos de plástico.
Tal como dantes, as barracas de Seringonhos e Malaquecos (isso a que chamam farturas), homens, mulheres e crianças com açúcar no bigode, ou no sítio dele.
Gente do campo, mesmo do campo, vi um homem, baixo, atarracado, a dançar (ou bailar) ao som de uma cassete do “Marante”. O que há agora e que vêem aos magotes, como dantes vinham as famílias do campo, são as famílias de Búlgaros, Romenos ou Moldavos, com ar aciganado (isto sem nenhuma desconsideração, desrespeito ou desprimor) em que as moças já usam (ou ainda usam, pois a moda parece que já está a passar) calças daquelas que posicionam a cintura a meia altura das “nalgas”.
Depois os divertimentos, uma amostra de cada modelo: uma pista de aviões, um carrosselzito de crianças, um comboiozinho de motas de três rodas (ai os meus netinhos...), um comboio fantasma, uma pista de carrinhos de choque, sem aquelas molhadas de gente à volta a ver e com muitos carros parados; nenhum carrossel de tipo tradicional... e por fim, guardei-o para o fim, embora esteja antes da pista dos carrinhos de choque, o “Carrossel 8”!

Não é o mesmo, é mais pequeno, mas é um “Carrossel 8”!

Para quem não sabe, é como um oito visto de cima; só que no sítio onde a linha do oito se cruza, o carril do carrossel não se cruza; um pouco antes eleva-se, passa por cima da outra e mais à frente desce; estes desníveis começam a formar-se perto das extremidades do oito. Ao longo do carril, sobre “jangadas” rodadas, encaixadas umas nas outras, circulam girafas, leões, cavalos, bancos de jardim, tudo como nos carrosséis tradicionais.
Telefonei ao meu irmão, o Toy; inquiri se estaria ou se viria à feira; se fosse caso disso esperaria por ele para darmos uma volta no “Carrossel 8”. Não estava, nem estava em vias de vir, pelo menos por aquele momento. Enchi o peito de ar, esperei que a corrida terminasse e, com um nó na garganta comprei um bilhete, entreguei-o ao cobrador que estava à entrada do carrossel e sentei-me num ”banco de jardim”. Durante a viajem não fechei os olhos mas também não vi nada; só pensei, só recordei...
Acabou a viajem, saí; ainda com as pernas trémulas dirigi-me ao “Snack-Bar Elvis” pedi uma imperial; com a vantagem do copo ser de plástico, continuei o percurso, agora de volta, pelo lado direito de quem regressa ao ponto de partida.
Estende-se por aí um longo e alto barracão com várias alas onde se vende toda a roupagem e sapataria, para além de alguns brinquedos e bugigangas. Por aqui é que circulava mais gente e até se sentia o ar um tanto ou quanto abafado. Fui espreitando a ver se encontrava algum brinquedo para os meus netinhos (hei-de lá voltar mais tarde...)

Demorei-me um pouco junto a uma banca onde uma ciganota, debruçada sobre elas, as remexia e anunciava o preço, das “Tixartis”. Quando dei por mim, estava o cigano a “marcar-me”, desconfiado de que eu estivesse a olhar para os seios que eventualmente se avistassem no interior do decote descaído daquela cigana vistosa... Remexi numa ou noutra camisola, como a procurar uma cor mais a meu gosto e fui-me afastando... Um pouco mais adiante, comprei uma faca, de bom corte, para a minha cozinha.
Há muitos anos atrás, também pela Feira de Silves, lá na Cerca da Feira, um moço cigano, que até poderia ser pai ou tio destes, veio-me pedir “meças”, quando eu estava a puxar conversa com a irmã... Nessa altura estava por perto o Zé Luis, filho de feirantes e que anos atrás tinha andado comigo na Escola Primária, em Alcantarilha e depois também em Silves, e então a conversa ficou por ali...

Digam o que disserem, a feira já não é o que era... é apenas uma amostra da feira que era...
Adolescentes, que era o que eu era quando a feira era, e de que a feira se enchia, contavam-se, ontem, pelos dedos.

Mas esta é apenas uma visão da feira, há outros olhares sobre a feira ou melhor, sob a feira, do lado do olhar de quem a faz e não de quem a consome...


Zé Baeta
2/11/2006

segunda-feira, novembro 13, 2006

Coisas da Feira I


Embora com algum atraso em relação ao evento que retrata, a Feira de Silves (aqui em retrato sépia com saudoso aroma de outros tempos), quero convosco compartilhar o primeiro capítulo do bonito, e também histórico, texto que o amigo Zé Baeta escreveu e eu pedi autorização para postar. Talvez seja o início de uma nova rubrica, quem sabe, virada para uma Silves que já era, mas muito nos pode dizer do que ainda somos. Espero que gostem e, alguns, se relembrem...Pois aqui fica. E obrigado Zé!


Feira de Silves, óleo sobre cartão de Samora Barros (reprodução parcial), s/d
Coisas da Feira
Para quem não sabe, está a decorrer a “Feira de Silves”. Trata-se da feira anual, a da venda dos produtos agrícolas, dos frutos secos, dos peros de Monchique, dos colares de “boletras”, da castanha assada e do polvo assado também; das alfaias agrícolas e dos instrumentos domésticos, dos brinquedos de madeira e de lata, dos gados, das barracas de comes e bebes, e dos divertimentos.
Para a malta nova, era sobretudo dos divertimentos, para além de todas estas coisas que nos ficam na memória dos cheiros.
Os primeiros divertimentos a chegar eram as barracas dos “bonecos”, nomeadamente a do ”Vasquinho”. Eu explico: os “bonecos” são os comummente conhecidos por “matraquilhos”; já agora também explico quem era o “Vasquinho”, era um encarregado de fazer trocos, de desencravar o mecanismo de saída das bolas e retirar as moedas falsas, e de apalpar os instrumentos que se encontram entre as virilhas dos moços. Alguns que se deixavam apalpar mais abundantemente, teriam jogadas de borla...
Durante todo o ano, só havia cá na terra uma mesa de “jogar aos bonecos”, que era na “Casa da Mocidade” (no Sindicato dos Corticeiros, só havia ping-pong), de modo que nesta época era um “tirar a barriga de misérias”.
Depois começavam a chegar os carrosséis, as pistas de automóveis e de aviões, o “comboio fantasma” e os circos. O Circo Alegria e o Circo Royal. Dos carrosséis, também havia um “Alegria”, do outro já falo mais à frente.
Quem tinha pais mais abonados ou a quem dar uns “pontapés na gaveta” (eu ia sempre ajudar as minhas tias na mercearia e na “casa de pasto” e levar um objecto de loiça à “Madrinha D. Aurora"), tendo alguma ousadia e acertando no par certo, poderia convidar alguma ou algumas moças para andar nos carrinhos de choque, nos aviões ou no combóio fantasma. Eram das poucas oportunidades que tínhamos, para além dos bailes, de lhes encostar as pernas (empernar) e passar a mão por cima dos ombros, sem ter que entrar naquela de “pedir namoro”. Os outros, menos abonados limitavam-se a uns jogos de “bonecos” e a umas voltas de carrossel, saltando em corrida quando chegava o cobrador...
Consoante o dia da semana a que calhava o feriado de 1 de Novembro, assim a feira começava mais cedo ou acabava mais tarde.
Era um acontecimento anual tão importante, mesmo para os afastados da terra, especialmente dos que emigraram para a margem sul do Tejo ou mesmo para Lisboa, que era mais comum virem “à Terra” pela Feira do que pelo Natal.
Era também muito importante para o “Professor Verdasca”, o Delegado Escolar, que se encarregava dos “atrasados” de todas as classes, ao ponto de ter desde o início do ano a mesma frase escrita no quadro, para a malta soletrar: ”A-fei-ra-es-tá-a-che-gar”.
Passada a Feira, mudava a frase mas a malta continuava a soletrá-la. Então ele exaltava-se: “A Feira já passou, seus burros, agora a frase já é outra!”.

Esta era a Feira da “Cerca da Feira”, onde também se realizava a feira mensal, designada por “mercado”, à terceira 2ª feira de cada mês e onde se “jogava à bola”, nos “furos” do horário ou quando algum professor faltava (isto muito antes de haver aulas de substituição...).
A “Cerca da Feira”, que ainda hoje assim se chama, já é, há muitos anos, um bairro habitacional. Daí, a Feira passou a realizar-se à entrada da cidade, entre o antigo espaço do “Moinho da Porta” (hoje bela entrada da cidade – Largo Al Muthamid” – (se não se escreve assim o meu irmão depois corrige-me) e o Largo do “Poço da Câmara”. Depois passou para a Beira-Rio; agora, este ano, para a parte de trás do cemitério...
Ainda não fui à Feira (hei-de ir hoje lá para o fim da tarde) mas pelos comentários que tenho ouvido, parece-me que agora é que ela “morreu”... (Até a moçada em vez de ir à Feira, anda por aí a brincar ao “dia das bruxas”...).

Ainda só ouvi um comentário entusiástico, mas que remonta à saudade, a uma saudade muito remota. O meu irmão Toy já me telefonou outro dia, estava eu ainda de fim de semana no Miratejo, a comunicar-me que o “Carrossel Oito” tinha voltado; mais ainda, que o dono do “Carrossel Oito” é, agora, o filho do Zé Martins, antigo artista do “Poço da Morte” em “bicicleta a pedal”... Mas esta contará ele certamente no seu Blog.


Agora, que já despejei o que me andava a rabiar cá por dentro, desde que fui esta manhã à Praça e a senhora que me vendeu as vagens me disse: “ai menino, a feira já não é o que era...”, vou abrir os berbigões e regalar-me com eles, com um verde branco “Via Latina”, antes que não os haja na feira, para acompanhar um “Verde à Pressão”, “Ypiranga”...

Este Flash é para todos a quem tenho mandado “Flashes” e muito em especial para a Sofia, que ontem me “mailou” com saudades da feira...

Ah! Querem saber quem é a Sofia... Eu explico, ela não se importa: a Sofia “empernava” com o meu irmão Fernando.

Zé Baeta

1/11/06

domingo, outubro 29, 2006

Desabafo de fim-de-semana...


Ao pensar na cidade e no país, o que mais preocupa é, conforme disse Martin Luther King, a indiferença! (clique, para ler)

segunda-feira, outubro 23, 2006

Descubra as diferenças!





Exactamente um mês depois, aqui fica um desafio para os mais radicais: descobrir as diferenças de um mês de trabalho Polis. Multipliquem-se estas diferenças por 14 (número aproximado de meses que restam ao novo prazo Polis) e teremos o resultado final! Nada animador!...

domingo, outubro 22, 2006

Teresa de Jesus, silvense

Teresa de Jesus recordando o tempo de operária escolhedora da Mundet
Foto de Rosa Reis (Ecomuseu do Seixal)

Há algum tempo atrás, honrámos aqui a memória de José Vitoriano. Operário corticeiro, sindicalista, político anti-fascista, e que por isso passou 17 anos nas prisões de Salazar. Dizia então que este era um dos últimos representantes dessa memória de trabalho e luta daquela Silves corticeira, entretanto desaparecida.

Mas, felizmente, não o único. Na semana passada vimos na TV uma reportagem sobre Teresa de Jesus, agora com 101 anos, uma antiga operária corticeira na fábrica da Mundet do Seixal, que agora está sendo transformada em pólo museológico. O que motivou a reportagem era o facto de ter sido convidada para
dar uma aula no Instituto Piaget de Almada, partilhando com os alunos universitários (como aliás já o havia feito ao colaborar com o Ecomuseu do Seixal) o muito saber, de experiência feito, acumulado ao longo da sua centenária vida. O que talvez muitos não saibam, e por isso lhe dedico este post, é que Teresa de Jesus é silvense, e daqui saiu, como tantos outros naquela altura, para trabalhar na lida da cortiça na margem sul do Tejo. Nos princípios do séc. XX e nos anos quarenta do mesmo século, muitos foram os que migraram para o Seixal, Montijo, Cova da Piedade e outros lugares à beira Tejo. Tantos, que ainda hoje marcam profundamente o perfil sócio-cultural desses lugares.
Recordo aqui o que Graça Filipe (directora do Ecomuseu do Seixal) escreveu a seu respeito em 1998, no Catálogo do Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês (pg. 150): «(...) Tereza de Jesus (também natural do concelho de Silves, nascida em 1906 e orfã de pai e mãe) é admitida na Mundet em 1920 (ou 1919), como escolhedora, primeiro de discos e depois de rolha. Esta antiga operária, actualmente com 93 anos de idade e detendo memórias de cerca de meio século de actividade da fábrica, foi até agora a participante mais velha no levantamento oral integrado no inventário de património industrial da Mundet
Como seria interessante um reencontro com toda esta diáspora silvense e as memórias de que são guardiões?!

terça-feira, outubro 17, 2006

Na cauda do Algarve...

(Fonte: AMAL, www.amal.pt)
A crua realidade dos números.
Perdemos para a média algarvia em quase tudo. Mas curiosos são os valores referentes ao nº de médicos por mil habitantes (0,6, quatro vezes menos a média algarvia), enquanto nas farmácias temos uma média superior (3 por 10 000 hab., quando a média algarvia é 2,6).
Qualidade de vida...

sábado, setembro 23, 2006

Mobilidade 2


Como referi, aqui fica o segundo artigo sobre a questão da mobilidade, agora que passa a Semana Europeia da Mobilidade (16 a 22 de Setembro). No dia 22, Silves juntou-se a muitas outras cidades na comemoração do Dia Europeu Sem Carros. Não tenho nada contra estas comemorações cíclicas, mas também não tenho nada a favor, confesso. Tornaram-se uma banalidade, sem consequência de maior, não fosse alguma "badalação" do assunto que possam trazer, como é humilde exemplo este meu post. Mais banalidade são quando se tratam de simples gestos políticos inconsequentes quanto a propostas ou soluções alternativas à vida de cada um. Não basta fechar meia dúzia de ruas (algumas até já fechadas ou impraticáveis em consequência de tanta obra por terminar!), é preciso apresentar alternativa ao transporte ou ao estacionamento. Ora, transporte não houve, e não há, estacionamento apregoa-se, coloca-se em cartaz, inaugura-se em período eleitoral, e fecha-se. Ainda assim, há lata para colocar, lado a lado, dois cartazes que se negam um ao outro: "Deixe o carro no Parque. Ande a pé!".
Qual Parque? O que está fechado para obras? (pela seta indicativa, parece)
Haja Vergonha!

Mobilidade 1



Na Semana Europeia da Mobilidade (16 a 22 de Setembro) apetece-me comentar duas situações (em dois posts distintos) que são paradigmáticas do que começo a considerar tratar-se de um fenómeno de "esquizofrenia política". E passo a explicar a expressão. Apregoa-se o que é politicamente correcto, sensibiliza-se para o que é culturalmente desejável, mas realiza-se o que é técnica e pragmaticamente insustentável.
O primeiro exemplo provavelmente já todos o constataram: o novo acesso pedonal (que se tornará no principal de futuro) ao Castelo de Silves. No momento em que a cidade adere à Rede Nacional de Cidades e Vilas com Mobilidade para Todos, o Polis concebe um acesso que tem tudo menos de universal. Podemos até já imaginar as longas filas de turistas - uns mais idosos, outros portadores de deficiência motora, outros com crianças ao colo ou em carrinhos, saindo do parque de estacionamento e aglomerando-se junto à segura e bem situada entrada do primeiro lance de escadas (à saída de uma curva e de uma futura rotunda!!), pensando como irão conseguir atingir a, ainda dali tão longínqua, Porta da Traição. Não teria sido mais fácil, seguro e apropriado a uma desejável mobilidade para todos realizar o acesso pela já existente entrada pela Rua do Castelo (entrada do antigo viveiro municipal - Quinta do Camacho)?
E para quando o fim destas intermináveis obras (sem arqueologia, refira-se!)?
Perguntas que o Polis deixa!

domingo, setembro 17, 2006

Ainda a página Web da autarquia

Desculpem a insistência no assunto, mas recente estudo realizado por uma Universidade veio dar razão ao que venho dizendo sobre a página Web da Câmara Municipal de Silves, a saber, a sua falta de qualidade e interactividade. Obtém o 262º lugar entre as 308 autarquias nacionais, sendo que as últimas vinte e cinco não possuem sequer website. Ou seja, está entre as 21 piores páginas criadas pelas autarquias portuguesas segundo os critérios do trabalho dos alunos da Universidade Técnica de Lisboa (Departamento de Economia) intitulado "Um estudo sobre a maturidade dos serviços de informação das autarquias" e agora publicado na Internet e a que faz referência o jornal Barlavento. A página vencedora é a da Câmara do Pombal, e no Algarve, os melhores lugares pertencem a Faro (32º lugar), Albufeira (42º lugar), Lagos (78º lugar) e Lagoa (86º lugar), em termos gerais de apreciação. A página de Silves peca, considerados os critérios de avaliação, por estar entre as 55% que têm uma presença com uma abertura fraca ao munícipe ou extremamente fraca, entre as 55% que não disponibilizam formulários para descarga, entre as 88% que não disponibilizam o Orçamento, o Plano a médio prazo e a prestação de contas (acrescento as actas de reuniões, os editais, as principais deliberações) e entre as 90% que não permitem a consulta on-line de processos. Mas mais do que isso, está entre as páginas que pouco fazem em socorro de qualquer munícipe em busca de informação. E para coroar o bolo, fazendo uso da citação de abertura da senhora presidente "(...) Lanço até o meu desafio ao exercício da vossa cidadania através desta página, enviando o vosso correio electrónico directamente para mim, a vossa Presidente da Câmara (...)", pergunto?
Mas para que endereço, senhora presidente, só se o do seu chefe de gabinete, porque o seu não o encontro visível por ali ?!
E isto tudo, já depois desta página ter estado largo tempo em reformulação!

domingo, setembro 03, 2006

Hoje é Dia da Cidade... e temos direito à indignação!

Teatro Mascarenhas Gregório, Casinha para baixada de energia das obras
Hoje, 3 de Setembro, é Dia da Cidade. Mais do que comemorar a longínqua e hoje, já politicamente incorrecta, Conquista da Cidade aos Mouros, é um dia para reflectir a cidade em que vivemos. E para nos indignarmos, se assim o entendermos. Foi o que fez a CDU/Silves, na acção que promoveu na noite de 2 para 3 de Setembro, espalhando pela cidade vários cartazes (simples e toscos, mas contundentes pelo que dizem) de pura e genuína indignação pelo estado a que a cidade sob a presente gestão autárquica chegou. Passado quase um ano sobre as eleições que levaram ao poder mais uma vez a maioria PSD, a cidade enterra-se sobre obras inacabadas, definha social e psicologicamente, sendo notícia jornalística pelas piores razões.
O que já quase todos dizem à boca pequena, vêm estes cartazes dizer agora publicamente.

sábado, setembro 02, 2006

Amanhã é dia 3 de Setembro!

Amanhã é dia 3 de Setembro, dia da Cidade de Silves. Mas nem parece! Vamos ao site oficial da autarquia e não há eventos a registar para esse dia (veja-se artigo anterior), andamos por aí e com alguma dificuldade ficamos a saber de um ou outro evento a que a autarquia deu algum apoio mas realizado pela sociedade civil. Agora, inaugurações festivas, bem "avipalhadas" como tivemos o ano passado, nada. E fico triste, porque falam, falam e falam... e não os vejo fazer nada!! Aliás, o que fizeram apressada e despudoradamente em vésperas de eleições, aí está para o confirmar. Um ano passou e por lá está fechado e abandonado o velhinho Teatro Mascarenhas Gregório (talvez volte a ser reinaugurado pelo centenário, em vésperas de novas autárquicas, lá para 2009!), o Arquivo Municipal junto ao Museu de Arqueologia, o ex-matadouro, a nova Biblioteca Municipal, as obras da envolvente norte do castelo, da envolvente do Tribunal, da zona ribeirinha, do centro histórico, da rua 25 de Abril, enfim, do parque de estacionamento ribeirinho (agora fechado como se vê na foto) inaugurado oficiosa e escandalosamente pela comitiva eleitoral da senhora presidente em véspera de eleições. Benditas eleições que nos trazem tantas obras, para "inglês ver"! E agora, que entrámos em contenção de custos (os desvarios acabam sempre por se pagar, não é?), caros conterrâneos, a única coisa que iremos ver mexer é o relógio do Polis, ainda que para trás!

segunda-feira, agosto 28, 2006

De volta!


De volta ao blogue, de volta à cidade...
Procurando saber o que se programa para o Dia da Cidade, já no próximo dia 3 de Setembro, recorri à página Web da autarquia. O resultado da pesquisa está explícito na imagem!
Como muitas outras coisas nesta cidade (Teatro, ex-matadouro, arquivo histórico, biblioteca municipal...), vamos e vimos e, quando chegamos, tudo está na mesma!
No caso presente, o da página oficial da autarquia, depois de um longo período de desactivação para remodelação, o resultado a que se chegou é, em múltiplos aspectos, medíocre.
Como a atenção que se lhe presta!

quarta-feira, agosto 09, 2006

De Férias!


Estou de férias, caros leitores!
Prometo voltar a escrever em finais do mês.
Até lá, e um bom mês de Agosto!

quinta-feira, julho 20, 2006

Lavandaria hospitalar de Silves já era...


Foi a própria Presidente da Câmara que deu a notícia na última reunião camarária. O projecto de criação de uma lavandaria industrial hospitalar em Silves, para a qual a câmara cedeu protocolarmente terrenos em Fevereiro de 2004, azedou. É o que dá a transição de poderes a nível central, entre 2004 e 2006 (antes PSD no governo e na autarquia, com Carlos Martins como Secretário de Estado da Saúde; agora PS no governo, com o PSD na autarquia). Mas o assunto não começou bem, desde logo, quando se optou por localizar a sempre poluente, quer se queira ou não, unidade industrial em Silves, e a inócua Administração em Portimão. E Silves, arvorando eleitoralmente a bandeira dos 100/150 postos de trabalho que se iriam criar, embandeirou em arco oferecendo de mão beijada um terreno de localização mais do que discutível, próximo a uma escola, a um monumento nacional (castelo), a zonas residenciais e a uma linha de água (ribeira da Caixa d'Água) já suficientemente poluída.
Entretanto, nada foi feito, e Silves e o concelho continuam a aguardar um bem localizado parque industrial/empresarial que possa albergar, no futuro, outra proposta para aqui sedear um qualquer outro projecto industrial potencialmente empregador.

terça-feira, junho 27, 2006

Campeões...mas sem treinador!

A propósito da notícia "Algarvios são campeões nacionais da reciclagem" no jornal Barlavento ocorre-me dizer o seguinte:

1. Fraco número este (31 Kg/anuais) com que se chega ao pódio!

2. Ainda assim, no concelho de Silves a média não chega a 18 kg/hab!Pior, no Algarve, só Alcoutim (5,8 kg), Monchique (11kg), Olhão (13,9 kg) e São Brás (15,8 kg).

E porquê? Porque talvez nem todos saibam que por cada Kg de lixo indiferenciado que a autarquia coloca no aterro sanitário paga um determinado valor, que sobre nós no final recai, e sendo separado não. Daí que o valor da nossa participação, enquanto cidadãos conscientes da importância da reciclagem dos resíduos sólidos urbanos, possa diminuir a factura que a autarquia paga à ALGAR, além do que é realmente mais importante, melhorar o ambiente que todos usufruem hoje e no futuro.

Esse dinheiro que se poupou, respeitante às 607 toneladas que em 2003 ainda assim depositámos para reciclagem, não vi ainda ser aplicado em nenhuma campanha de sensibilização neste concelho. Porquê? Estamos bem precisados. Vejam-se só alguns números:

Loulé - 28 kg/hab Albufeira - 33 kg/hab Lagoa - 34 kg/hab Portimão - 36 kg/hab .....

e Silves com metade de Portimão: 18 kg/hab.

Não disse!?

quarta-feira, junho 21, 2006

Vou pôr uma bandeira na janela quando....

O texto não é meu, e não posso citar o autor porque não o conheço. Circula por aí anónimo. Mas talvez por isso mesmo ele tenha ainda mais força enquanto DESABAFO colectivo que este país reprime."Profundamente envergonhado", a frase com que termina, poderia também ser o título deste rol de desabafos globais, mas que em alguns casos revejo nos locais. Por isso o divulgo aqui.

quarta-feira, junho 14, 2006

Não são só os incêndios que destroem a Natureza



Sob este título, recebi de um munícipe o texto (e algumas fotos, das quais apresento duas) que a seguir transcrevo e que resolvi divulgar, não só por entender que são pertinentes as preocupações que este levanta, mas também porque em outra ocasião escrevi sobre esta inadmissível situação ambiental. Uma situação ainda mais intolerável, um verdadeiro problema de saúde pública, por ser vizinha a um bairro, cinco escolas (primária, secundária, pré-primária, Eb23, IEFProfissional), um supermercado e um pavilhão de exposições!, - espaços que todos os dias abençoa com os seus maus cheiros. Porém, a solução não está em jogar o lixo para debaixo do tapete (no caso, para dentro de um cano, e só porque agora ali se construiu um bloco de apartamentos), mas sim, e como refere este cidadão, a solução estará em recuperar ambientalmente a ribeira. Aqui fica:

Não compreendo por que motivo se está a proceder à cobertura da Ribeira que passa junto ao Bairro da Caixa d’Água e por trás da Escola Primária - Silves. Penso que se trata de um plano para melhorar esta zona da cidade mas, sinceramente, não me parece que a destruição da Ribeira seja a melhor solução. Por que não se pensar em recuperar a Ribeira? (E isto numa altura em que tanto se fala no desassoreamento e despoluição do Rio Arade).

Ao fazer-se a cobertura com betão está-se a enterrar uma série de vida animal (diversas espécies de aves vêm beber e alimentar-se na Ribeira – pardais, pintassilgos, toutinegras, melros e até uma galinha d’ água… - e todas as noites tem-se um fantástico e relaxante concerto de rãs); está-se a perder uma zona húmida onde poderiam ser plantadas árvores que nos dariam sombra e tornariam mais agradável viver nesta rua. Esta Ribeira ainda está cheia de vida!
Penso que se deve proteger a Ribeira pela cidade de Silves, pelo turismo e por todos os habitantes desta bonita cidade.
Note-se ainda que junto à ribeira existe uma árvore com uma “casa da árvore” onde diversas crianças costumam brincar e que também devia ser preservada – a árvore e a casa da árvore!!!

quinta-feira, junho 08, 2006

Silves, quase no topo da indesejada tabela


No Relatório Anual (referente a 2005) da Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT-Relatório Anual de Actividades, pg. 48- download de PDF com 1Mb) o concelho de Silves consegue, entre todos os concelhos de Portugal Continental um destacado 5º lugar, entre os municípios com mais queixas a este organismo apresentadas. No topo da tabela está Cascais (20 queixas), Lisboa (16), Odemira e Paredes (13) e, logo a seguir, Silves com 12 queixas! Quase 4 vezes mais a média (3,25) de queixas na região algarvia, um dos distritos que mais reclamações apresenta ao IGAT.
Faz sentido?
P.S.- Veja-se artigo no Correio da Manhã de 11 de Junho.

domingo, junho 04, 2006

Merecem os parabéns!


Numa altura em que o ensino, os alunos e os professores andam na berlinda da discussão pública, nem sempre pelas melhores razões, vale a pena divulgar uma notícia que nos deve a todos congratular, sobretudo aos silvenses. É que anda por aí pessoal estudante nas nossas escolas (no caso a Secundária de Silves) que já faz trabalhos de nível profissional, o que lhes valeu o 1º lugar no Concurso da Microsoft para Webmaster 2006 (por engano, tinha primeiramente referido 2º lugar).
Parabéns à equipa PixelProtection - composta pelo Alexandre Ilg, André Jonas, Bruno Matias e Vasco Coelho - pelo excelente trabalho informático sobre Segurança na Net. E ao professor Gil Moreira que os enquadrou, pois claro!

sábado, maio 20, 2006

Tá lá, tá lá.....tá lá??!


Não está!
Será isto que acontece a qualquer desprevenido munícipe que experimente telefonar para os números de telefone da Câmara Municipal de Silves disponibilizados nos rodapés dos ofícios ou nos envelopes camarários (ver imagem) que todos os dias, imagino, saiem às dezenas por aí. Simplesmente não existem! E é confirmar numa breve pesquisa pela lista telefónica on-line da PT. Nos ofícios vê-se o 282 442 325 e o 282 442 254. Esqueçam, vão ouvir uma senhora dizer-vos que os números não estão atribuídos. O fax 282 442 650 também é para esquecer: toca, toca, mas sinal de fax, nada, pelo menos quando experimentei! Nos envelopes (veja-se imagem, se conseguirem!) aparece ainda o número 282 442 299, mas só para quem quer ouvir a mesma gravação da menina da PT. Será que numa Câmara que já emprega mais de 600 pessoas ninguém dá por isto? E se não querem estragar papel, pelo menos emendem os números à mão enquanto não há dinheiro para uma alteração tão "comezinha", não é?
Mas aqui fica o número de telefone misterioso: 282 440 800. Mas não esperem que algum voice-mail vos deixe deixar recado para além das horas de expediente! Isso são modernices...Tal como é ter um site na Internet minimamente decente e que se mantenha on-line. Sim, porque o recém-criado mas pouco actualizado e interactivo site Web da Câmara está suspenso há, pelo menos, 3 dias. Falta de pagamento? Não me admirava.
Entretanto, só por comparação, visitem a ainda recente página da Câmara Municipal de Aljezur, galardoada como a melhor em termos de acessibilidade de entre toda a administração autárquica.

quarta-feira, maio 17, 2006

Viva a Cortiça!


Mais uma escapadela, por boas razões, ao âmbito local deste blogue, para vos dar conhecimento de algumas recentes notícias sobre um produto extraordinário, a cortiça.
Notícias preocupantes, mas também encorajadoras, quanto ao futuro desta obra-prima da Natureza.
Silves já viveu dela e para ela. Hoje resta uma fábrica de aglomerado negro e um museu; no entanto, Portugal continua sendo ainda o maior produtor e exportador, produzindo cerca de 54% da cortiça transformada que circula por esse mundo. É, por certo, o produto mais nacional entre todas as nossas exportações, embora muitas vezes esquecido, sobretudo no que se refere ao investimento em I&D. Mesmo assim, há quem faça militância pelo sobreiro e este seu produto, por paixão e crença nas suas modernas potencialidades e virtualidades, nomedamente "ecófilas" (passo o neologismo). É o caso do investigador Luís Gil, do Ineti (Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação) que tem dedicado a sua vida à promoção e divulgação deste nosso "ouro negro". Aqui fica um link para uma notícia que importa divulgar: as potencialidades da cortiça no combate à poluição e à pior das pragas - o cancro.
E dois outros links para o que se vai fazendo pela defesa da nossa floresta de montado, mesmo lá por fora:
  • em inglês, pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e referida no artigo da Lusa/Barlavento
  • em português, também pelo WWF sobre a situação do montado português

A LER...e a passar!

P.S.- Não resisto a vos contar uma pequena história com o Eng. Luís Gil. Na Expo de Hannover 2000 fomos ambos convidados pelo Pavilhão de Portugal para falar sobre cortiça. Eu, sobre o recém-criado museu da cortiça da Fábrica do Inglês; Luís Gil sobre as aplicações deste produto, amplamente demonstradas pelo próprio revestimento de aglomerado negro de Silves do Pavilhão de Portugal, o único sem ar condicionado. Luís Gil, autor e proprietário de várias patentes relacionadas com a utilização da cortiça, a dada altura da sua apresentação surpreende a plateia, pelo menos a mim, que nunca mais esqueci o momento nem o paro de transmitir, quando alvitrou: se a Mercedes, marca alemã, fosse portuguesa, há muito tempo que os tabliers e as manetes de mudanças destes carros seriam em cortiça. E porquê? Porque é um material bonito, macio e, sobretudo, porque nos pouparia o terrível sacrifício de lhes tocar, fosse no escaldante Verão ou no gelado Inverno.

tudo dito!

sábado, maio 13, 2006

Tribunas livres...

A Voz de Silves voltou a prestar um bom serviço informativo. Ironia minha, claro, a propósito da reportagem àcerca da homenagem a José Vitoriano no passado dia 30 de Abril. Da autoria do seu director adjunto, J. Vasco Reys, o trabalho até seria bem feito não fosse um pormenor: a escandalosa e nítida - para quem lá esteve ou sabe - ausência de referência a um dos organizadores, modéstia à parte, talvez a um dos principais promotores da iniciativa: eu próprio. Alvo da censura do seu director, indignado por lhe ter movido processo judicial por abuso de liberdade de imprensa, os escribas da Voz de Silves deverão estar proibidos de publicar o meu nome ou a minha foto, tal é o contorcionismo com que evitam a referência à minha pessoa. Mas só para que conste - e mais uma vez modéstia à parte - e porque se eu não me fizer justiça, outros mais dificilmente a farão por mim, refira-se que o autor deste blogue além de ter proposto em sessão de câmara esta homenagem (o que acabou sendo ignorado), conseguiu posteriormente o apoio da Junta de Freguesia de Silves (entidade patrocinadora) para uma publicação da autoria de Maria João Raminhos Duarte que acompanhou desde a revisão à gráfica, fez contactos com o Instituto Piaget que gentilmente cedeu o seu anfiteatro para a cerimónia, realizou cartazes, convites e mailings para convidados e imprensa, enfim, foi inclusive apresentador e realizador de um filme/entrevista inédito com Vitoriano, durante a cerimónia apresentado. Falta só dizer que ligou os microfones de apoio, as luzes, o ar condicionado, o portátil ao projector multimédia, carregou mesas, deu um retoque final nos WCs... Já agora, e desculpem este meu momento de divertimento pessoal, a filha distribuiu o livro entre os presentes, a esposa foi comprar bolos para a merenda. Tudo verdade, mas não suficientemente verdade para que a Voz de Silves, "tribuna livre" segundo Arthur Ligne, ultrapassasse os seus rancores pessoais em nome do jornalismo sério.

2/13 avos sem Bandeira Azul


Dos 13 concelhos algarvios com frente atlântica (3 sendo interiores não a possuem: Alcoutim, Monchique e S. Brás), dois deles não têm qualquer bandeira azul: são eles Castro Marim e Silves. Uma das praias do concelho de Silves, freguesia de Pêra, a Praia Grande, galardoada em 1998 com o galardão de Praia Dourada e alvo de intervenção apoiada pela direcção regional do Ambiente é vítima do esquecimento da CMS. O mesmo, ou pior, se passa em Armação de Pêra que já tendo sido bandeira azul nos anos 90 é outra das praias que não recebe este ano a distinção. Azul, só a bandeira da Freguesia! Mas não se pense que o problema reside nas praias, o problema reside fundamentalmente na câmara que nem sequer se candidata. Vá-se lá saber porquê?

domingo, abril 30, 2006

A devida homenagem

Fez-se hoje, 30 de Abril, véspera do 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalho e dos Trabalhadores, uma primeira homenagem pública à figura do silvense José Rodrigues Vitoriano, recentemente falecido. Foi, seguramente, o silvense com maior currículo político do séc. XX, uma destacada figura da luta pela liberdade, o que lhe valeu sofrer da falta dela (17 anos nos cárceres salazaristas). Camponês, escolhedor de rolhas, presidente do sindicato nacional dos corticeiros em Silves, membro do Comité Central do PCP, deputado e vice-presidente da Assembleia da República, entre 1976 e 1987. Um longo percurso de vida, um "operário construído", como o apelidou Maria João Raminhos Duarte que lhe fez uma rigorosa e detalhada biografia histórico/política nesta sessão pública. Muito concorrida (cerca de 150 pessoas), é preciso dizer quando é tão frequente ver acontecimentos públicos "às moscas", por silvenses residentes ou emigrados e outros amigos, que neste dia fizeram questão de estar presentes. Falou ainda Margarida Tengarrinha, num registo mais emocional e pessoal, lembrando o velho amigo e camarada de partido. Apresentei eu, uma entrevista/filme que realizara com Vitoriano em 1999 quando instalava o Museu da Cortiça de Silves; Sandro William Junqueira, emocionou o público, com a sua interpretação do poema de Vinícius de Moraes, "O Operário em Construção", uma belíssima escolha; Carlos Vitoriano agradeceu, sensibilizado, a homenagem feita a seu pai. Mário Godinho, presidente da Junta de Freguesia, a entidade organizadora, fechou a sessão com a leitura de uma mensagem do senhor Governador Civil. Durante a cerimónia foi ainda lançada uma publicação sobre José Vitoriano, da autoria de Maria João Duarte.
Parabéns à Junta de Freguesia pelo apadrinhamento da iniciativa que, embora tenha sido proposta em sessão de Câmara ainda em vida de José Vitoriano para integrar as comemorações deste 25 de Abril, acabou por ser ignorada por este executivo. Que, fica o desabafo que ainda faltava, nem se fez representar na cerimónia!(leia-se Teodomiro Neto no Jornal do Algarve)
Esperemos que um dia, a autarquia se digne promover a memória deste homem (nome de rua, realização de um busto...) que muito honrou a memória e o carácter lutador e inconformado da classe corticeira e dos silvenses durante a longa ditadura.

quinta-feira, abril 20, 2006

A concurso...


Inspirado pelo post de um amigo a propósito de um concurso fotográfico promovido pela autarquia, que tem como um dos seus temas base “O Ambiente”, e por uma fotografia que um munícipe me fez mercê, dou continuidade ao assunto. Ao do Ambiente, porque é disso que se trata nesta imagem pouco abonatória para qualquer cidade do mundo. É verdade que se trata de um domingo, depois de um sábado e de uma sexta-feira de tolerância. Mas não era um domingo qualquer, era Domingo de Páscoa, e nesta rua - a Gregório Nunes Mascarenhas, em pleno centro histórico de Silves - passaria um importante evento religioso e, hoje em dia, não só religioso, mas também turístico-religioso: a procissão de Domingo de Ressurreição. Diz quem lá esteve que a visão, mas não só, foi insuportável. Envergonhou os locais, desagradou os visitantes.
Não pode acontecer! No ambiente, como noutros ofícios, há serviços mínimos, a qualquer preço!
Não é assim que Silves se tornará uma referência turístico-cultural!

segunda-feira, abril 17, 2006

José Vitoriano - uma homenagem

JOSÉ RODRIGUES VITORIANO
(1917-2006)
- uma homenagem –


Auditório do Instituto Piaget em Silves
Dia 30 de Abril, pelas 15 horas

Filme/entrevista biográfico
Lançamento de publicação
Palestras de Margarida Tengarrinha e Maria João Duarte

Organização da Junta de Freguesia de Silves

terça-feira, abril 11, 2006

Reciclagem "à Polis" III


Pode parecer má-vontade contra o programa POLIS, mas acreditem que não é. A sequela só tem continuidade por que os seus actores não param de lhe criar novos argumentos, cada vez piores e de mais mau gosto. Então não é que, não bastando as queimadas de lixos a céu aberto já aqui denunciadas, não bastando os descuidos no abandono de materiais tóxicos, lembram-se agora de fazer do leito do Arade depósito de entulhos!! Bem nas barbas do placard (countdown) do Polis que, coitado, há tempos que não sabe a quantas anda. Bem no momento em que corre um abaixo-assinado relembrando velhas promessas de desassoreamento e despoluição do rio, nunca cumpridas. Mas em que país, ou cidade, estamos? Não há autoridade marítima, não há autoridade de ambiente, não há fiscalização das obras que os empreiteiros POLIS desenvolvem?
Para já não falar do mau exemplo que se faz passar, logo por aqueles que são responsáveis por um programa de reabilitação urbana!!

terça-feira, abril 04, 2006

Um pedacinho de história


Tendo como fundo a Rua Cândido dos Reis e o edifício, agora demolido, da velha escola industrial (P.S.- Corrijo, trata-se ainda da Rua Dr. Francisco Vieira e o edifício, embora algo parecido, não é o da velha escola industrial, mas outro, também com interesse arquitectónico, e que se encontra frente ao actual Museu Municipal de Arqueologia), uma foto de um grupo de ilustres alunos de Esperanto cerca de 1941.
(Arquivo Particular de Carlos José Alves Vitoriano)
da esq. para direita:
Eugénio Neto, António Sequeira Guerreiro, Amílcar Coelho, José Vitoriano, Pedro Miguel Duarte e Rui Alves

Um pedacinho de passado que desaparece...


Com a demolição do edifício da velha Escola Industrial na Cândido dos Reis (Silves) é um pouco da nossa história que se apaga. É também uma rua que cada vez mais se descaracteriza, face ao imparável camartelo. Quando não existe autorização para demolir, o que era o caso, sempre há formas de o fazer. Tal como acontecera com a "casa do lampião", vai-se progressivamente enfraquecendo a estrutura, ao ponto de qualquer factor adicional e de preferência externo (chuvas abundantes, construções ou demolições anexas) pôr em causa a segurança e os pruridos conservacionistas dos mais renitentes. No caso presente, não aconteceu uma tragédia por mero acaso. Irão agora reconstruir a fachada, mas nunca será o mesmo, pois nem as cantarias originais souberam, ou quiseram, preservar.
Tantas histórias guardava este edifício por contar!

sexta-feira, março 31, 2006

Reciclagem "à Polis" II


8.30 h da manhã. Uma queimada a céu aberto que inundou a cidade (parte oeste, a das escolas) de fumo. E eu que pensava que as queimadas eram proibidas agora, todo o ano. Talvez só no campo e não em perímetro urbano. Talvez! Mas não, meus amigos, só vale para alguns. Mesmo depois do que escrevi em Janeiro, e que foi levado à reunião de câmara, para escândalo de todos, os empreiteiros ao serviço do Polis, continuam fora-da-lei. E os donos da obra (leia-se C.M.S. + Polis), olham para o outro lado. Mas nós não enterramos a cabeça na areia, o que dava jeito, face à pestilenta fumarada.
É assim por cá; quando o Poder é fraco ou negligente, vale a pena prevaricar!

quinta-feira, março 30, 2006

Pela Saúde...em Silves

Participe na vigília prevista para quinta-feira, dia 30 de Março (21.00), junto ao Centro de Saúde de Silves. Contra o encerramento do SAP entre as 0h/8h, pela melhoria dos cuidados ali prestados, enfim, pela sua saúde. Invocar (como o faz a ARS) razões de qualidade de atendimento para deslocar serviços já instalados, não é argumento. Para isso, a solução é melhorá-los, é essa a sua responsabilidade; não é fechá-los.

segunda-feira, março 27, 2006

Pelo Arade!


Em apoio da iniciativa lançada no Blogue do Vereador a favor da petição pelo Desassoreamento e Despoluição do Rio Arade, e completando-a, pelas informações e memória que a todos traz, convido-vos a ler o belo texto de Baeta de Oliveira no Local e Blogal. Não se irão arrepender!
E passe a mensagem, se é «(...) sensível à agonia deste rio (...)», porque esta não é uma reivindicação só de silvenses, como bem finaliza o autor.
P.S.- Ah!, e um agradecimento desde já aos primeiros 52 primeiros subscritores, ao momento. E aos vindouros...
P.S. muito importante: por razões de força legal da petição, pedia a todos que no lugar (campo) País/Cidade colocassem o seu nº de BI, Arquivo e Data do cartão de Identificação, conforme se pode observar na assinatura nº 90.
As minhas desculpas, por esta alteração que, infelizmente, já não pode abranger os assinantes fundadores, a não ser que entendam enviar-me esses dados (castelo58@gmail.com
) juntamente com o nome constante da petição para que eu, quando os imprimir e enviar às autoridades (Governo, Presidente e Assembleia da República, CCDRAlgarve e Instituto dos Portos e Transportes Marítimos) já os tenha introduzido manualmente. Finalmente, quem quiser assinar e não tiver endereço de mail, poderá fazê-lo na mesma usando um de um amigo. O que realmente interessa são o nome e os dados do B.I..

terça-feira, março 21, 2006

Muro da Vergonha


Este muro de sustentação de terras da encosta norte do Castelo é bem a imagem deste Polis, pelas piores razões: desconhecimento da situação local, tábua rasa da situação presente já consolidada por décadas, senão centúrias de conhecimento na experiência adquirido, desperdício de meios financeiros em soluções técnicas que um simples pedreiro não alvitraria. Ora vejamos.
O que lá tínhamos antes era um muro de alvenaria de pedra local, sem reboco, e aparelho simples com um mínimo de argamassa. Resistira, aqui e ali com a passagem do tempo menos bem, sabe-se lá quantos anos. A sua drenagem era natural, a sua inserção visual e paisagística, quase perfeita. O que nos trouxeram os técnicos do Polis? Primeiro preencheram os interstícios derrubados com alvenaria de tijolo, a pedra era cara; depois, para disfarçar, rebocaram (impermeabilizaram) tudo de argamassa colorida (será que quiseram imitar a cor do grés do castelo?) sem se lembrarem do que qualquer um se lembraria, a drenagem das águas da encosta; entretanto tinham ripado tudo o que era vegetação da encosta, aliada natural em caso de chuvas abundantes durante os trabalhos, o que aconteceu; às primeiras chuvas, alguém se lembrou que o muro não tinha qualquer drenagem, e vá de lhe fazerem buracos; insuficientes, é claro, porque muita é a água que desta encosta escorre. Isso já sabiam os antigos e o velho muro emparedado pelo moderno e inestético reboco. Mas alguém entre os "ideólogos" do Polis lhes perguntou? Entretanto, já lá vão,... sei lá?quantos meses neste muro...
P.S.- Só para constatarem que não é caso isolado, experimentem sentar-se, num dia bem solarengo, num dos novos bancos metálicos do largo de Nª Srª dos Mártires e vejam (melhor, sintam) o que vos acontece ao traseiro!