segunda-feira, novembro 14, 2005

Mais uma herança desbaratada


É já lugar comum, entre os responsáveis políticos e não só, afirmar que o futuro do concelho e, em particular, o da cidade de Silves, passa pela valorização do seu importante património histórico/arqueológico. O PSD deste concelho tem mesmo apresentado nos seus programas eleitorais o compromisso (quanto a nós demagógico e pouco esclarecido) de candidatar Silves a Património Mundial! É, contudo, bem diferente a prática corrente das intenções anunciadas. Durante os mandatos PSD não se realizou uma única classificação de um imóvel, não foram defendidos os direitos dos já existentes (caso Vila Fria) e ninguém sabe ao certo o que é imóvel classificado neste concelho.
Nos últimos tempos assistimos a mais um caso lamentável. A norte da Fábrica do Inglês, um empreendimento urbanístico privado, devidamente licenciado, irá destruir os vestígios de um importante bairro islâmico do séc. XII-XIII. E nada se pode fazer, além do que está sendo feito. Isto é, as escavações arqueológicas de emergência, pagas pelo empreiteiro, de modo a salvar um registo científico (gráfico e fotográfico) único no país. Único, porque se trata ( e foi referido por especialistas na matéria presentes no recente Congresso de Arqueologia realizado em Silves) de um importantíssimo conjunto habitacional (com habitações completas, equipadas com latrinas, infra-estruturas industriais, viárias e hidráulicas) de que há poucos paralelos no país. O que se irá salvar será só uma nora (extraordinária pela qualidade de construção) a integrar o futuro parque de estacionamento subterrâneo. E tudo porque as sondagens que se realizaram a pedido do IPA (Instituto de Arqueologia) só foram feitas após o licenciamento da obra ( e por isso desde logo sob condições), o que, numa cidade como Silves, é de todo incompreensível.
Se queremos realmente promover a cidade e este concelho como destino cultural, não podemos continuar a encarar as questões do património como marginais. Se as queremos fazer prioritárias, e queremos que todos assim as encarem, também temos que dar contrapartidas a quem é, a bem do interesse público, individualmente prejudicado.

2 comentários:

Anónimo disse...

Consultei o blogue sugerido. Sem dúvida uma mais valia para a informação dos munícipes. Parabéns pela excelente iniciativa.

Luis Araújo disse...

+ 1 vez as decisões e preocupações politicas deste concelho deixam muito a desejar e este facto consumado é mais um bom exemplo da enércia politica ( supostamente a meu ver consentida ) dos governantes ou pseudo governantes do concelho onde pagamos os nossos impostos. O património cultural publico é mais uma vez usado como desculpa para a incompetencia daqueles que não procuram dinamizar e criar soluções, porque por umas vezes quase que é necessário pedir a Nº Srª de Fátima um milagre para podermos levar a avante os nossos projectos, por outras, é assim, passa-se por cima de tudo, fazendo com que silves seja cada vez mais uma cidade sem interesse relevante a nenhum nivel. Não há atracções comerciais para novos negócios, como turisticas / culturais. Ao passo que levamos nem o património histórico irá ficar para ser recordado, nem os comerciantes estarão com as portas abertas. Em consequência todos os outros que dependem indirectamente deste ciclo, principalmente os nossos jovens, que ligação têm com a cidade? o que irão fazer. . . claro que será continuar a trabalhar a inovar, mas noutra cidade, concerteza. Gostava que que tem o poder para decidir a favor do interesse publico, que no minímo, fosse crente do valor imenso que Silves têm, e em toda a sua história e beleza, porque senão, é o lema dos visinhos, clientes, amigos : que é que se passa? NADA. Tudo foge desta cidade. Desenvolvimento e inovação que eu saiba não é antónimo de história e protecção. Mas para isso tudo basta acreditar que existe valor no concelho, mas pelos vistos isso está muito escasso por estas bandas.