domingo, abril 04, 2010

Ainda Armação de Pêra, e o património que ficou por classificar

Contra minha vontade e voto, foi em finais de 2007 aprovado o projecto urbanístico para este edifício em Armação de Pêra com pormenores Arte Nova, dos finais do séc. XIX, projecto que previa a sua demolição e que, imagine-se, se efectuou! 

Ainda sem o Plano de Pormenor de Armação de Pêra em vigor, só saído em Diário da República de 18.1.2008, mas já com aprovação em reunião municipal após uma guerra de pareceres jurídicos, custa a crer como foi possível realizar-se entretanto semelhante crime de lesa-património. Mas realizou-se, e é daquelas coisas que "custo a engolir", já que, com mais algum acompanhamento e atenção pessoal, não deveria ter deixado acontecer. Penitencio-me ainda hoje por isso...e este post fica como inglório exorcismo.
Mas muito mais deverá pesar sobre a consciência do actual executivo permanente, já que foi a senhora presidente que lhe deu despacho final em Maio de 2008, sem prévia informação ao resto da Câmara. E para além da eliminação de um dos mais interessantes edifícios históricos de Armação, fica a dúvida pela imagem se o projecto respeita (nas varandas) os parâmetros em vigor nessa rua Dr. Manuel de Arriaga?

Ficam as imagens do antes e depois, para mais tarde recordar.
E esta, na mesma rua, será a próxima vítima?


sexta-feira, abril 02, 2010

Descubra as Diferenças 2

Mais uma vez, façam favor de descobrir as diferenças:



Descubra as Diferenças 1

Depois de um recente passeio a Armação de Pêra, em que fizemos algumas fotos, resolvemos compartilhar o que nos foi na alma através de dois pequenos jogos de reflexão, tipo "descubra as diferenças".
Aqui fica o primeiro:


A 2 meses da época balnear


A dois meses do início da época balnear e é assim que encontrámos agora a ribeira do Barranco do Olival, desaguando na praia de Armação de Pêra.
Será possível que duas autarquias geridas pelo mesmo partido (Silves e Lagoa), não se entendam de vez sobre um assunto que põe em causa a imagem das praias algarvias, de empreendimentos de superior qualidade a poucas centenas de metros, e a desejada atribuição da bandeira azul a uma das mais belas praias algarvias?!
Será possível!?

segunda-feira, março 08, 2010

Faleceu Costa Martins (1938-2010) - notável messinense, capitão de Abril

Costa Martins (1938-2010)


Messinense, capitão de Abril (embora já major então) de importantíssimo protagonismo (veja-se biografia detalhada mais abaixo), José Inácio Costa Martins faleceu no sábado passado após a queda da aeronave em que seguia com um amigo (veja-se notícia aqui).
Foi talvez um dos militares de Abril mais perseguidos após o 25 de Novembro, pois sobre ele foi lançada uma calúnia que só recentemente foi dada como falsa. A de se ter apropriado do dinheiro do célebre "Dia do Trabalho", uma iniciativa que protagonizou enquanto Ministro do Trabalho em 1975, e que hoje, bem melhor acolhida seria na dita redução do défice do que outras, sempre as mesmas e ano após ano repetidas, sempre sobre os mesmos, e que dão por nomes como PEC ou outros.
Conheci-o em 2005 por intermédio de Francisco Martins, num almoço a três deveras agradável, em que nos manifestou total apoio à candidatura à Câmara Municipal de Silves. Grande falador, senhor de uma enorme cultura, evidenciava no que dizia profundos ressentimentos pela forma como o país o tratara a si e a outros que tinham feito a Revolução de Abril. As suas memórias eram muitas, detalhadas, e importantes. Faltou, infelizmente, passá-las ao papel.
O Concelho e a freguesia de Messines perdem agora um dos seus mais recentes e notáveis filhos.
Seja honrada a sua memória!
Aqui deixo o catálogo da exposição, "Notáveis Messinenses: vivências e contributos" realizada em 2009 pela Junta de Freguesia de Messines, e que entre as pgs. 187 e 200 faz a biografia de Costa Martins (da autoria de José Manuel da Costa Neves).


segunda-feira, março 01, 2010

Só mais confusão...e por que não?

Desabafo por aqui, já que no blogue do vereador Serpa nem sempre os meus comentários passam o lápis azul. Diga o que disser, mas ele ou o seu secretário, já resolveram omitir as minhas reacções em forma de comentário. E não eram comentários anónimos, de "baixa condição", ou com palavreado menos próprio. Eram simplesmente posições mais críticas à actuação do vereador.
Faço agora "a quente" este desabafo após ler o disparate que li, e que adiante refiro.
Faço-o aqui, onde até hoje só censurei ataques pessoais, debaixo de anonimato, sem justificação e sem sustentação. Ainda assim, já passei pelo tribunal de Silves mais do que uma vez pelo que aqui escrevi. Sem consequências para mim, felizmente.
Mas vamos ao que me traz.  O último post do vereador, sobre a proposta de classificação como monumento de interesse municipal do Museu e da Fábrica do Inglês, em que nos últimos tempos tenho trabalhado. Não sabe o vereador que o PDM de Silves, aprovado em 1995 (já andava pela Câmara nesses tempos, não andava?) previa essa atribuição? E se previa, como previa, porque é que estes anos todos não procurou enquanto responsável fazer cumprir o PDM? Porque é que, sendo "velho" vereador e munícipe, fala dum sítio onde nunca sequer foi? E por que é que, tão interessado como pareceu estar quanto ao futuro desse património, vem questionar o facto de, ainda que com manifesto atraso, este espaço estar assim garantido do ponto de vista patrimonial? Muitos outros estão, lhe garanto, neste concelho aguardando iguais circunstâncias. Mas ainda assim, e cabe aqui fazer justiça, desde 2005 realizaram-se mais processos de classificação patrimonial do que todos os que existiam anteriormente.
Ainda na última reunião aprovou dois referentes a Messines (Casa Museu e Casa de nascimento de João de Deus), velhinhas e bem conhecidas construções, sobre as quais nunca o ouvi pedir classificação!
Não sou do PSD, bem sabem, mas quando alguém faz política de terra queimada, como agora vejo fazer, sobre assuntos sérios, venho a terreiro. Não estou venda(i)do.
"Bastou que os vereadores do PS questionassem o Executivo(...)" !
Faz-me rir, caro Fernando Serpa. Então não sabia? O que mais não sabe?
Mas numa coisa tem razão: está baralhado.
Agora só espero vê-lo votar contra a classificação da Fábrica/Museu como monumento de interesse concelhio.
Pense nisso, dava-lhe fama, mas talvez não a que procura!
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P.S.- Na reunião camarária do dia 10 de Março, o vereador lá aprovou a dita classificação, a contragosto refira-se, já que procurou adiá-la, o que acontecendo, seria caso inédito. Entretanto, lá por Messines, continuam aguardando a merecida classificação vários monumentos. Vamos ver se toma a iniciativa de os classificar, já que esta é do "domínio público"!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

A propósito da(s) Alicoop(s)...


Numa altura em que mais uma empresa portuguesa e concelhia está em risco de fechar, lançando provavelmente para o desemprego mais algumas centenas de pessoas, neste depauperado concelho de Silves, convém lembrar que a culpa também é de todos nós.
A prová-lo, deixo o inteligente texto cuja autoria desconheço, e que me chegou por e-mail.
"O ZÉ, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã.
Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China).
Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).
Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.
Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.
Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.
Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL...

O Ministério da Economia de Espanha estima que se cada espanhol consumir 150€ de produtos nacionais, por ano, a economia cresce acima de todas as estimativas e, ainda por cima, cria postos de trabalho."
E em Portugal, quantos criaria???
Só saberemos quando tivermos em atenção, enquanto consumidores, este problema.
Há quem já lute por isso:



quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Multiplicam-se os apoios, e por isso agradeço!

A defesa do património histórico e cultural que o Museu e  a Fábrica do Inglês representam tem vindo a mobilizar  numerosos e crescentes apoios, que importa por justiça realçar e agradecer.
Foram já muitos os que expressaram a sua solidariedade por palavras e gestos. Arrisco-me a não nomear todos os que o fizeram, pedindo por isso desde logo desculpas aos mesmos, mas não quero deixar, ainda assim, de fazer jus a algumas referências.
De forma  mais ou menos cronológica, começo pela Lista Museum, um fórum de participação dos profissionais de museus que ajudou a divulgar a notícia e a recolher a solidariedade dos museus portugueses; o ICOM/Portugal(Conselho Internacional dos Museus), e o seu presidente, o Dr. Luís Raposo, que em reunião plenária elaborou comunicado de apoio em defesa do Museu; os partidos políticos com representação na Assembleia da República, designadamente o Bloco de Esquerda e o CDS/PP que em plenário onde o Governo esteve presente colocaram à Ministra da Cultura e ao Ministro da Economia as perguntas obrigatórias; à Directora Regional da Cultura, Drª Dália Paulo, que se prontificou a ajudar no que necessário fosse; à Rede Regional de Museus que manifestou o interesse em colaborar tecnicamente no apoio ao Museu; à RTP, à RDP, e outros órgãos de comunicação escrita regional que sobre o assunto já realizaram reportagens ou notícias; à Retecork (Rede dos Territórios Corticeiros) que visitou o museu durante a sua reunião de Silves e nas conclusões da mesma expressou as suas preocupações; à Drª Graça Filipe, actual vice-directora do Instituto Português dos Museus, à Drª Simonetta Afonso, reconhecida mulher dos museus e exposições, actual presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, ao Dr. José Gameiro, director do Museu do Mar em Portimão; ao Clube de Amigos da Fábrica de Cortiça Robinson de Portalegre (Manuela Mendes), à Rota da Cortiça de S. Brás de Alportel; à visita do deputado do PCP José Soeiro e da delegação do Grupo Parlamentar do BE, com interessantes sugestões; à moção apresentada por Carlos Marques (BE) na Junta de Freguesia de Silves aprovada por unanimidade, e hoje à notícia da moção aprovada por maioria na Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) apresentada pelo Bloco de Esquerda, e que abaixo reproduzo.
E aqui e assim agradeço a muitos, e muitos outros, que através de e-mails, dos seus blogues, telefonemas ou pessoalmente me têm dado forças para prosseguir uma luta em defesa de algo que Silves não pode perder: o seu protagonismo histórico-cultural, o seu protagonismo no mundo corticeiro, onde já foi líder mundial.
P.S.-Entretanto,hoje, quinta-feira dia 4 (terá sido mera coincidência?), soube através do Barlavento on-line que a Srª Ministra já respondeu ao senhor deputado Artur Rêgo (CDS-PP) sobre a questão que referi no post. Ainda que a resposta não me trouxesse novidades, sempre fica o testemunho oficial. Leia-a aqui. 


quinta-feira, janeiro 21, 2010

Em Silves, a laranja, a cortiça...os frutos secos


Fotografia © Melanie Maps - Lusa

Cadernos de cortiça na loja Pelcor em São Brás de Alportel

Vem este desabafo, curiosamente, a propósito de uma boa notícia, não para Silves, ainda que para o Algarve e para o mundo corticeiro em geral. Para S. Brás de Alportel e para a empresa que ali nasceu, a PELCOR, e a sua gerente, Sandra Correia, em especial.
O MOMA (Museu de Arte Moderna de Nova Iorque) vai expor e vender peças de cortiça algarvia, com design e concepção da Pelcor, é certamente assunto relevante, sobretudo agora que o principal museu dedicado à transformação da cortiça em Portugal, com sede em Silves, está em risco de fechar. Ironicamente, ali se venderam (na loja do Museu) os primeiros produtos que a Pelcor confeccionou...
No ano 2000 o Pavilhão de Portugal na Exposição Mundial de Hannover  foi forrado com cortiça de Silves. Em 2010, o Pavilhão Português em Xangai irá repetir a experiência. A cortiça continua na ordem do dia, como produto natural que é, como sustentáculo de um habitat único e já raro, no momento em que a sustentabilidade do planeta é ponto prioritário na agenda mundial. É um dos principais ex-libris de Portugal no estrangeiro, é uma das nossas principais exportações, é um dos produtos naturais existentes neste planeta com mais potencialidades futuras.
Silves, depois de perder protagonismo na exportação dos seus frutos secos (amendôa, figo e alfarroba que Portimão exportou), depois de perder o estatuto de capital da transformação da cortiça em Portugal, depois de perder a oportunidade de oficializar a melhor laranja do mundo (opinião minha!) como marca registada e produto demarcado, repito, a Silves (cidade e concelho) já só falta perder, e pouco falta para isso, o seu lugar como reserva cultural e patrimonial do legado luso-árabe. Sucessivos atentados arqueológicos, "capelinhas", ignorância e alheamento face aos contributos dos actores locais, podem vir, mais uma vez, a pôr também isso em causa.
Mas se de cortiça falamos, e voltando à feliz notícia que nos inspirou, porque será que aqui havendo um espaço privilegiado (uma fábrica de cortiça de perfil arquitectónico único em Portugal), não fazemos dele uma sala de visitas para o que de melhor se faz em cortiça em Portugal? Na investigação científica e nas novas aplicações do produto (hoje levadas à aeronáutica e à astronáutica), no ambiente, na educação e turismo ambientais (sustentabilidade da floresta e habitat do montado), no design (na moda, novos produtos, novas aplicações), na reciclagem (reutilização), na viti-vinicultura (novos vinhos de Silves e algarvios, no lobby pelos vedantes naturais), no artesanato (herança de velhos e novos artesãos que na cortiça desenvolveram autênticas peças de arte), enfim, na recuperação da memória histórica/técnica/política da única indústria que este concelho verdadeiramente conheceu, da cultura da cortiça e dos seus protagonistas, há todo um mundo de oportunidades por explorar.
Mais uma vez, serão outros, provavelmente, a fazê-lo. Fazem o que devem. S. Brás de Alportel vai fazendo. Reciclagem de rolhas usadas por iniciativa municipal, criação da Rota da Cortiça (à qual o Museu de Silves já emprestou uma máquina), apoio a empresas de pequena dimensão mas com exponencial valor para se internacionalizarem e projectarem imagem, por que assentes na criatividade, no dinamismo e na inovação, como é o caso da Pelcor.
Por aqui marcamos passo, os "cães (sem ofensa) ladram e a caravana passa", e outro ciclo, outra janela de oportunidade se fechará.
São frutos secos...
Haverá petróleo em S. Marcos?

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Memórias que (es)fumam


Mais um elemento da memória corticeira e industrial da cidade de Silves desapareceu.
Esta era a chaminé da Fábrica Bento Monteiro, em plena cidade de Silves.
Foi derrubada por mão humana, por precaução considerado o seu degradado estado, e após os violentos temporais da semana passada.
A pouco e pouco se esfumam os traços identitários da silhueta industrial desta cidade.
E quais serão os sinais que o nosso tempo deixará?

sábado, janeiro 02, 2010

Porque há lutas que são de todos...


(créditos para o blogue "O Remexido" que também tratou o assunto)

Porque há lutas que são de todos, aqui deixo a informação sobre a iniciativa de um residente estrangeiro que, tal como nós, não se conforma com a situação a que chegou a estrada nacional nº 264 entre Messines e o Algoz.
Deu início a um blogue, a uma página na Net, e a uma petição on-line com a qual já me solidarizei. 
Façam o mesmo, não pagam mais por isso!

segunda-feira, novembro 23, 2009

Sabiam?


(créditos para www.fronteiraaberta.com/paulo.html)

Sabiam que o senhor vereador Fernando Serpa tem um site(e lá vai mais uma)? 
Sabiam? Sabiam que se indignou por a Câmara Municipal de Silves ter um site e a última acta camarária lá publicada ser de Junho de 2008?! Indignou-se bem, a informação é para ser dada aos eleitores a tempo e horas, sem discriminação ou censura.
Pois é...

Mas agora, pergunto eu: porque é que o vereador Fernando Serpa, assíduo visitante das actas camarárias publicadas pelo Blogue do ex-Vereador (sei eu porque ele me disse), se esquece e não informa os munícipes que as procuram de que ali as podem encontrar, pelo menos até Dezembro de 2008? Teria prestado uma informação útil, mostrado algum fair-play que ultimamente tem faltado, em lugar de nos recomendar dois sites do governo do PS, um deles transparencia-pt.org (que nem me atrevo a ligar aqui, tais as críticas públicas demolidoras que já recebeu pelos comprovados erros que apresenta).  
Será, infeliz frase!,- mas lá sabe quem o diz - que "quanto mais difícil for o acesso à informação, melhor para quem nos governa"? Infeliz, sem dúvida, já que poderia aplicar a si mesmo, caso não fosse oposição e sim governo. 
Parafraseando, aplicar-se-á isto também se for assim?:"quanto mais difícil for o acesso à informação que a outra oposição der, melhor para a nossa".
Bem prega frei Tomás: "Façam o que ele diz, não façam o que ele faz".

quarta-feira, novembro 18, 2009

Propostas do PS?!


O blogue do vereador Fernando Serpa (aqui fica mais uma ligação, de borla) continua a surpreender...ou talvez não.
Ainda sobre a dita proposta do PS para as taxas do IMI para o concelho de Silves - aquela, a virtual, e que nem escrita estava (aguardamos ainda para ver, se alguém responde ao já feito desafio de a apresentar) - e que nunca iria aparecer caso não tivesse existido preparação e proposta da CDU (sim, porque só houve reacção depois desta última ser conhecida e, caso não tivesse surgido, ser a história totalmente diferente), convém dizer:

Havendo proposta escrita da CDU, aqui d'el rei! A Presidente está em apuros, não temos trunfos na manga, estamos de T-shirt, vamos lá salvá-la: fique-se pelo meio termo, mais coisa menos coisa, e saque-se os dividendos políticos desta aprovação. Esqueçam que já apresentámos em 2006 a proposta de 0.30% para prédios em CIMI!  Esta é a estratégia quando não se faz o trabalho de casa! 
Mas quais foram então os dividendos? Os de ter onerado os munícipes com mais algumas décimas no IMI? Obrigadinho, Partido Socialista...!
Esquecem, vistas as coisas por outra perspectiva, que se a autarquia não auferir mais uns cobres por nossa conta, talvez não possa realizar as ditas festas e romarias e concentre esforços na gestão do pagamento do passivo, coisa que com as taxas máximas que o PS, em "santa aliança" aprovou em Assembleia Municipal, nunca resolveu.

E ter lido eu que era compromisso eleitoral baixar os impostos municipais (sim, lido, porque o site do PS para as autárquicas já era)!. As promessas eleitorais de baixar imposto, enfim...isso foi a Drª Lisete Romão que disse. Aposto que este novo PS invocou, uma vez mais, como fazia o velho, quando votava taxas e orçamentos em "pagã coligação", o repetido chavão: "nós fazemos oposição responsável". Imaginem só, caso fosse o PS Executivo! Não, não estou a falar no governo, que já lá estão e se vê o que fazem; estou a falar na autarquia...!
E onde é que já ouvi esta conversa?
"A realidade é bem outra. A autarquia precisa de verbas para assegurar o seu bom funcionamento.
Não nos esqueçamos dos pesados encargos bancários que têm de ser pagos, dos fornecedores que não recebem no momento devido… e mais importante ainda dos trabalhadores camarários." (Fernando Serpa dixit)

Enfim, o Partido Socialista, o referido vereador, e a "proposta" do PS para o IMI Municipal continuam iguais a si próprios, dando desculpas de mau cumpridor, "sacudindo águas do capote", terminando em demagógica declaração que, sublinhe-se, é estapafúrdio papão (fazer depender os salários dos funcionários municipais das taxas municipais!).
Já agora, e a talhe de foice, para dizer: se a majoração de 30% sobre prédios degradados (curiosamente, e apesar das críticas, também constante da proposta do PS em 2006) não é efectivada, culpas para a vereação permanente que sempre a propôs e, da primeira vez que o fez, nem constituída tinha Comissão Municipal Arbitral de Avaliação de Imóveis. Nessa altura não foi o vereador Fernando Serpa que chamou a atenção para o lapso. Fui eu. E vale a pena ler a declaração de voto vencido que na altura fiz contrapondo exactamente os mesmos valores da actual proposta da CDU (coerência já com 3 anos!), e compará-la com a proposta do PS de então (ligação acima apresentada).
Quanto à diminuição do IMI acima da EN nº 124, uma só sugestão: ponham o Dr. Fernando Serpa a inventariar a propriedade, a Norte e a Sul da dita!
Quanto a facturas  de água de quase meio milhão de euros: deixem o assunto para o Correio da Manhã (sem nº de contribuinte e de cliente, de preferência)! 
Ah!, e fico suspenso quanto a saber quem era o COMISSÁRIO POLÍTICO, já que o tema vinha a propósito!

 










sexta-feira, outubro 02, 2009

Política de Verdade ou "prometam só o que podem cumprir"

Os prometidos (pela campanha PSD à Câmara de Silves) parque de campismo e praia fluvial para S. Marcos da Serra voltam à baila.
Primeiro por que na última reunião camarária, ocorrida no dia 30 de Setembro, a senhora presidente, e também candidata PSD à Câmara de Silves quando confrontada por mim com a sua "política de verdade" e  com as promessas que não pode garantidamente cumprir (o que irá certamente desagradar a MFL!), vir assegurar que não era assim e eu nem sabia do que estava a falar.
Em segundo lugar, por que ouvindo o candidato à Câmara pelo BE, Carlos Cabrita, e os seus entrevistadores na Rádio AlgarveFM, me ter apetecido parafrasear Isabel Soares e cá para mim pensar que ninguém sabia muito bem do que estava a falar.
Talvez ninguém se tenha dado ao trabalho de ler o Diário da República de 25 de Setembro de 2009 que publica a Resolução do Conselho de Ministros nº 103/2009 sobre o Plano de Ordenamento da Barragem do Odelouca e o seu Regulamento, e que já antes referi no Saco dos Desabafos. Por isso, e para ajudar ao esclarecimento, aqui deixo duas imagens do mesmo diploma e das condicionantes do seu Regulamento (ainda que possa ulteriormente ser revisto).
A primeira respeita à possível localização (conforme o Regulamento) do Parque de Campismo e Caravanismo, mas na freguesia de Silves...




A seguinte ao artigo 12, nº2B, em que se propõe (ironia minha!) a tal praia fluvial (ou virtual) de S. Marcos da Serra...


Coisas sem importância nenhuma, mas que dedico aos candidatos a autarcas e, claro, à Drª Isabel Soares que as desmentiu.

sábado, setembro 19, 2009

A fructibus eorum cognoscetis eos

"Pelos frutos se conhece a árvore", é o que significa a expressão latina que faz o nosso título.
Do latim, que superficialmente abordei no antigo 5º ano do liceu, guardo um braçado de clássicas expressões que sempre ficam bem e impressionam em qualquer conversa ou discurso, o título do filme Quo Vadis, os impropérios dos legionários romanos nos livros do Astérix, enfim, nada que me permita em pleno século XXI ler a primeira página do site de campanha de Isabel Soares e saber qual a sua "Obra Feita".


É latim demais p'ra mim, e duvido mesmo que para muitos seminaristas. Bom, mas se aqui nada sabemos, vamos à página específica que dá por tal nome. E o que é que ficamos a saber? Que nem identificar a obra feita é coisa fácil, tal a sua dimensão e dificuldade de identificação.
Em Pêra, a obra é obra:






Ali foi feita uma Estalagem e um Museu do Lagar (sic)...,







...uma Estrada para Monchique!



Por seu lado, S. Marcos da Serra conheceu um novo Centro de Saúde, mal assinalado pelas Estradas de Portugal na IP1...












E onde era a mui nobre Sociedade Recreativa é agora um moderno Polidesportivo, ainda que fechado (como o teatro em Silves). Está explicado por que é que alguns em S. Marcos se opuseram a esta magnífica obra: eram indivíduos de um só desporto, o das mines!
Mas não termino sem uma preciosidade.
Os Campilhos, ali em Messines, e as bonitas moradias que na foto se vêem, foram mais uma obra de assinatura Isabel Soares. Nada mau, como habitação social!



Enfim, este site de campanha é, claramente, mais uma bela obra feita pelo PIS, na linha do que nos habituou a página da Câmara. O dinheiro não é realmente tudo, e mesmo pagando bem, provavelmente a profissionais do ramo (não, neste caso vos garanto que não foi a PLMJ), nem assim as coisas ficam bem feitas se não forem genuínas e se por parte do staff não houver capacidade ou empenho para produzir, seleccionar conteúdos ou a qualidade do produto final.Poderão alguns pensar que este é assunto menor. Afinal, é uma simples página para a campanha autárquica. Não é, e por uma simples razão: porque é simples exemplo do que em todas as obras soaristas temos visto, com olhos de ver, desde a inauguração das obras do castelo (já nem falo da do teatro), passando pelo Jardim de Messines, à envolvente da Cruz de Portugal. É difícil ver alguma coisa bem feita, e sem pontas soltas!
Quae fuit durum pati, meminisse dulce est 
(o que é duro de passar, é bom de lembrar).

P.S.1- Por razões óbvias, a desactualização deste comentário crítico é garantida. Falta saber quanto tempo demorará a efectivar-se. Isso, porém, também nos dará a medida do empenho e profissionalismo do referido staff!
P.S.2(23 h)- Foram rápidos a traduzir o latim, falta agora o resto.
P.S.3 - Já agora, convinha não confundir uma cerimónia oficial realizada em nome da Câmara Municipal de Silves (Recepção oficial dos Professores), com uma acção de campanha eleitoral de Isabel Soares  (http://www.isabelsoares09.com/agenda.asp ). Os professores que estiveram lá presentes talvez não gostassem (menção entretanto retirada no dia 22, logo após a Assembleia Municipal onde Margarida Ramos levantou a questão).

quinta-feira, setembro 03, 2009

Cuidado, silvenses em geral, está aí a campanha eleitoral

(clique na imagem para ampliar)

As recentes notícias emanadas do agora atarefado Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Silves (ao serviço da maioria autárquica e, com o nosso dinheiro, "por arrasto", da campanha eleitoral do PSD), merecem comentário. Hoje, "enchi o copo", como é uso dizer, quando tive conhecimento da aprovação em Conselho de Ministros do Plano de Ordenamento da Barragem do Odelouca. Mas já lá iremos, mais à frente.
Primeiro foi o inacabado Polis que teve as honras das visitas de Cavaco Silva e, depois, do Ministro do Ambiente, Nunes Correia. Fizeram as figuras que fizeram, disseram o que disseram, mas quem sabe verdadeiramente das coisas somos todos nós! Este último marcara já presença na inauguração das gaiolas vazias para o lince ibérico, na Herdade das Santinhas (Messines) e que mereceram de chofre, da parte da nossa presidente(a) a declaração/promessa da instalação de um Observatório do "animal" cujo futuro não será seguramente no concelho de Silves, mas na Serra da Malcata. Depois vieram a lume as notícias da inauguração do Museu do Traje...e das Tradições, em Messines (esperemos que não tenha igual destino ao do Teatro Mascarenhas Gregório em Silves e, cuidem-se para que o património etnográfico do Rancho Folclórico não seja "municipalizado": sim, o protocolo proposto pela CMS esquece o assunto). Armação de Pêra, bom, é melhor não falar muito. As obras de requalificação têm atrasos (esperados!), o apoio de praia continua fazendo ondas, e assim, o melhor é mesmo manter o cumprimento do Regulamento do Plano de Pormenor de Armação quanto a esplanadas e ocupação de domínio público em lume brando (volta "a uma próxima reunião, lá para Janeiro", foi a decisão da maioria (p)residente na reunião camarária do dia 2 de Setembro, pois claro, compreensível em período pré-eleitoral!!). Tunes tem como sonho a Plataforma Logística, mas bem pode ir sonhando; Algoz, primeiro o parque temático e depois o IKEA (onde já vão!), são história, no sentido literal do termo; Messines, a Penitenciária (que também, parece, já era!), mas que se pode dar por satisfeita com a Central de Lamas, o Jardim novo e o já referido MUSEU; Silves, com o Polis mais a recuperação e reabilitação de toda a zona habitacional do Centro Histórico (assim como está até é propício para as feiras medievais!); Alcantarilha com mais uma grande superfície comercial e Pêra, com a permissividade imobiliária que a descaracterizará por completo e fará da Lagoa dos Salgados e da Praia Grande, reservas de (e para) um turismo de massas avassalador.

Mas o que me fez mesmo azedar, transbordar o copo da minha indignação, foi ter conhecimento dos dois projectos anunciados pela nossa presidente para a freguesia de S. Marcos da Serra (actualmente PS): a praia fluvial e o parque de campismo. Ou são pura demagogia (atenção Drª Manuela Ferreira Leite!), ou são pura ignorância de quem os anuncia!! Em qualquer dos casos o assunto é grave...

Porquê?

Porque o Plano de Ordenamento da Barragem do Odelouca, aprovado hoje em Conselho de Ministros, mas que já estava há já algum tempo em consulta pública, não permite qualquer parque de campismo na zona de S. Marcos da Serra. A zona prevista para a instalação de um equipamento deste tipo é junto à comporta, na freguesia de Silves (veja-se a localização proposta para o Parque de Campismo na Planta Síntese); praia fluvial, parece-me difícil face à explícita proibição, prevista no referido Regulamento, de banhos e natação na albufeira (conf. Regulamento, art.12, nº2B)!

Afinal, promete-se o quê? Política de Verdade!

Como diria o Pessa: "E esta, hein?"
Digo eu: cuidado "silvenses", o período eleitoral está aí!

quinta-feira, agosto 27, 2009

Carlos Matos, um resistente

Foto Filipe Antunes, Jornal Barlavento

A notícia do Barlavento inspirou-me e decidiu-me a realizar este pequeno texto de homenagem a um dos silvenses que mais admiro: Carlos Matos.

E não só por ser um resistente, como o classifica o Barlavento, na vontade e na persistência em manter uma actividade hoje dominada pelas grandes multinacionais. Por ser quem é: modesto, persistente mas tolerante, afável, sempre simpático, trabalhador. E um empreendedor nato. Mas como se costuma dizer, "santos da casa não fazem milagres", e aí está, desde há alguns anos, uma situação que não se verificou durante quase todo o séc. XX em Silves: a cidade não tem um cinema, ainda que tenha um espaço para isso!

Um abraço a Carlos Matos e os maiores sucessos, por Portimão e agora Olhão, esperando que em breve o sonho de Silves possa voltar a ser uma realidade.

Oxalá!

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P.S. - Uma palavra de parabéns à iniciativa da CMS de no dia 3 de Setembro homenagear outro(a) silvense, Maria Keil, com a colocação do auto-retrato que doou na sala com o seu nome na Biblioteca Municipal. Ainda não é a exposição retrospectiva que a Biblioteca Nacional e Lagos já lhe realizaram, mas sempre é alguma coisa.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Somos parvos ou quê?

A recente inauguração das obras do Polis em Silves, inicialmente previstas acabar em 2005, e que contaram com a presença do ministro do Ambiente (também ele em campanha), não podem passar em branco sem mais um comentário meu. Sendo época de eleições todos querem tirar partido de alguma coisa que se veja ou mesmo que não se veja. Primeiro foi Cavaco Silva que se prestou a vir inaugurar as obras por finalizar no castelo, agora é o ministro do governo PS, Nunes Correia, para pôr fim a um Polis que não terminou, na prática. É só lembrar (veja-se foto abaixo) o que se passa em pleno Centro Histórico. O Museu da Arrochela, o Moinho Valentim e o seu passeio pedonal, a reabilitação da Ponte Velha são agora para esquecer. Com dinheiro que já não há, mas que agora já só sairá da autarquia, que teve que contrair empréstimo para financiar a sua parte deste Polis, façam-se buffets, outdoors, passeatas, entrevistas para a imprensa, obras de véspera para "ministro ver", enfim, o espectáculo à maneira, "pró pagode também ver e votar".

Haja vergonha e perguntem aos moradores do centro histórico se realmente Valeu a Pena.