terça-feira, maio 06, 2008

Vemos, ouvimos e lemos...não podemos ignorar!

Partilho hoje convosco um magnífico vídeo postado no Google e que resume de forma exemplar o paradigma insustentável e sem saída do modelo capitalista em que vivemos. Para ver e reflectir. E, no que esteja ao nosso alcance, actuar para alterar.

Realizado nos E.U.A., o que poderia configurar uma perspectiva particular, serve-nos de antevisão da sociedade a que nos conduzem. É preciso acordar!!

sábado, abril 26, 2008

Habemos Bibliotheca

Apetece exclamar, conforme o título em epígrafe, já que esta é obra de dois mandatos autárquicos. Mas enfim, e como alguém já disse, para o caso isso agora não interessa nada. Cumpre pois, e apesar de tudo, deixar aqui os parabéns a quem de direito: Isabel Soares, Rogério Pinto, Rosário Pontes, Maria José Toucinho e restante equipa da Biblioteca, enfim, todos aqueles que, de um modo ou de outro, participaram. E à arquitecta, Margarida Simões Gomes, com quem trabalhei aquando do Museu da Cortiça.

Temos pois Biblioteca Municipal, equipamento que era uma das principais prioridades da cidade, considerada a exiguidade e falta de condições do espaço anterior e o encerramento da Biblioteca Gulbenkian. Temos edifício e condições técnicas, mas haverá agora que garantir o apoio para um trabalho sério e conforme uma moderna biblioteca.
Falta dizer como é este novo espaço e, para isso, cito o blogue da Biblioteca Garcia Domingues, na EB 2,3 do mesmo nome:
"Edifício moderno e bem iluminado, alberga nas suas três salas de leitura (Sala Maria Keil, Sala Lobo Antunes e Sala Garcia Domingues) cerca de 40 000 documentos, entre livros, jornais, revistas, CD e DVD.
Este novo edíficio, que contou com o apoio técnico e financeiro do Ministério da Cultura através da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, possui ainda um bar/esplanada, um pequeno espaço infantil, um auditório e uma zona técnica de acesso reservado.
Um aspecto interessante é o facto de conservar no seu interior, num piso subterrâneo, importantes vestígios da muralha mourisca do Arrabalde que serão musealizados.
Vai estar aberta todos os dias, excepto às segundas e sábados de manhã, até às 19.30 h!
Aproveitemo-la!
Viva a nova Biblioteca! "

sexta-feira, abril 18, 2008

No Dia dos Monumentos vale a pena lembrar: quem cuida de mim?


Neste 18 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (arqueológicos, históricos, naturais...), vale a pena lembrar a promessa de duas campanhas eleitorais: "...comigo, Silves será candidata a Património da Humanidade!" (Isabel Soares dixit).

Pois bem, aí temos um bom exemplo para integrar a referida candidatura: a Ponte Velha, impropriamente designada por Ponte Romana, Imóvel de Interesse Concelhio. É só mais um, entre os muitos casos de total desleixo pelos monumentos que a autarquia tem sob sua guarda directa, segundo a Lei do Património. Brada aos céus o estado em que se encontra. A autarquia virou-lhe as costas, o Polis assobiou para o lado. E lá está, todos os dias, no estado em que está, para vergonha de todos nós, como péssimo cartão de visita para os turistas (como a foto documenta. Clique para ampliar) que procuram na cidade o património que as brochuras turísticas lhes garantem!

Temos direito à indignação!

quinta-feira, abril 17, 2008

Quem manda nos Salgados?


Por um mail de um responsável da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) fiquei ontem a saber do esvaziamento da Lagoa dos Salgados em plena época de nidificação. Havendo hoje reunião camarária, perguntei ao vereador do executivo, responsável pelo Ambiente, o que ocorrera. De nada sabia. Para saber tive que ler o Público, o Região Sul ou o Barlavento. E por estes jornais se fica a saber que a CCDR e o Golfe dos Salgados trataram do assunto entre si, conforme documenta a imagem.

Mas afinal, a Lagoa dos Salgados fica ou não no concelho de Silves? ou será que já alteraram os seus limites? Ou, ainda, será que a autarquia de Silves foi contactada e o vereador responsável e todos os outros que fazem parte da Câmara não foram informados? Tanta pergunta!

Não é por nada, mas a situação não me deixa nada, nada satisfeito, quando a sei pelos jornais.

sábado, abril 12, 2008

Nada será como dantes!

© Manuel Alves
Muito se fez, muito se batalhou!
A luta dos moradores de Vale Fuzeiros contra o traçado da linha de muito alta tensão fez correr muita tinta, foi exemplo cívico da força da razão e desencadeou mesmo, atrevo-me a dizer, um novo paradigma no que a este assunto diz respeito. Nada será como dantes nos gabinetes da REN quando projectarem uma nova linha de alta tensão.

Mas também nada será como dantes na paisagem natural da nossa região: património paisagístico perdido é o que esta foto documenta.

Um abraço ao Manuel Alves, um dos sacrificados.


segunda-feira, março 10, 2008

Citação do Dia

Fotografia de André Beja

«José Sócrates mudou de ministro da Saúde, reconhecendo que “era a única forma de "restaurar a relação de confiança entre cidadãos e o Serviço Nacional de Saúde”. Quando mais de metade dos professores se manifestam contra a política educativa, a frase ganha uma redobrada actualidade e fica uma pergunta muito simples. Que condições de trabalho, e de implementar as suas decisões nas escolas, tem uma responsável política que conta com a aberta hostilidade de uma classe profissional em peso?»

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Can-can silvense

Nada como um bom número de Can-can para animar esta Quaresma.
Directamente da nova sucursal do Moulin Rouge em Silves... (liguem o som)
Nota: Por razões alheias à minha vontade, o serviço Jibjab, agora pago (Abril 2008), só me permite a publicação desta primeira versão, diferente da que publiquei inicialmente. As minhas desculpas ao Eng. Carlos Cabrita, aqui "dobrado" por Mao Tsé-Tung.

Try JibJab Sendables® eCards today!

domingo, fevereiro 17, 2008

Maldição do Bispo?

Foto dos anos 30 (séc. XX)
Não, não acredito em maldições, mas parafraseando o conhecido dito..."lá que as há,.. há!" A antiga Sé de Silves, um dos mais importantes edifícios góticos do sul de Portugal, tem estado "amaldiçoada", desde o primeiro momento.

Iniciada a sua construção (após importante querela sobre a sua dependência) nos finais do séc. XIII, inícios do seguinte, foi logo em plena obra vítima de dois grandes terramotos que atrasaram a sua conclusão. De tal modo que em meados do séc. XV, em 1458, dizia o bispo D. Álvaro "que auja muj grandes tenpos que a see da djta cidade cayra e que nunca majs fora Redefjcada nem havia hy outra jgreja em que se celebrasem os deujnos ofycyos estava por terminar"(onde é que eu já li isto recentemente?). Pedidos ao rei (não, não era José Sócrates naqueles tempos), viagens de captura de escravos patrocinadas pelo bispo D. Rodrigo Dias do Rego, petições (não, não era o Padre Carlos Aquino), lá foram fazendo chegar algum do dinheiro necessário à sua recuperação, de modo que em 1473 os representantes de Silves às Cortes de Coimbra se congratulam com o fim das obras da ponte e da catedral. A morte em Alvor de D. João II e o seu enterro na capela-mor da igreja, fizeram com que D. Manuel I abrisse os cordões à bolsa e patrocinasse mais alguns melhoramentos. Mas a transferência do bispado em 1577 para Faro relegou o templo de novo para o esquecimento. Será outra vez a destruição provocada pelo Terramoto de 1755 que obrigará o bispo D. Francisco Gomes de Avelar a efectuar importantes obras, hoje visíveis na torre sineira da fachada, na Porta do Sol e outros pormenores do interior. Em 1922, o templo é classificado como Monumento Nacional. No início dos anos 40 do século XX, mais uma vez a velha catedral é intervencionada, desta feita, pela Direcção-Geral dos Edífícios e Monumentos Nacionais que, embora criminosamente sacrificando o belíssimo altar-mor barroco e o órgão, lhe devolve um razoável estado de conservação e um espírito mais próximo à sua simplicidade gótica original.

E chegados ao século XXI o que temos? Um edifício cuja cobertura está em iminente perigo de desabar, vai para dois anos, arrastando, caso isso aconteça, provavelmente consigo outros elementos arquitectónicos importantes, um espaço religioso e cultural praticamente vedado à presença de público, impedido de cumprir a sua vocação, apesar de Monumento Nacional, o mais alto grau de protecção legal instituído pela nossa Lei(?) do Património.

Que podemos esperar de um Estado que assim defende os seus mais importantes monumentos? Se com estes é assim, como estará a política cultural de salvaguarda de outros, relativamente, bem menos importantes? Para que servem as classificações patrimoniais, com os impedimentos legais que acarretam aos proprietários (neste caso a Igreja), se depois se dificultam as intervenções que estes queiram patrocinar?

Será preciso, apesar da parafernália legal existente, que um pároco e uma comunidade se desdobrem em iniciativas públicas e mediáticas para desbloquear um processo que as autoridades tutelares deveriam, em primeiro momento, tomar a seu cargo?

Será preciso?
P.S.- Não podem é dizer que ignoram. Por isso, utilizem os endereços de e-mail abaixo referenciados e façam saber da vossa indignação.
Dr. Elísio Summavielle (Igespar) - igespar@igespar.pt
Dr. José António Pinto Ribeiro (Ministro da Cultura) - gmc@mc.gov.pt
Dra. Paula Fernandes dos Santos (Secretária de Estado da Cultura) - gsec@mc.gov.pt
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Ligações:
- Um artigo com o mesmo título e conteúdo semelhante no jornal Barlavento.
- Página do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (coloquem no último campo este nº de IPA PT050813070003 ) com importantes dados sobre a história e as sucessivas intervenções no templo, até as mais modernas.
- Página do ex-IPPAR.
- Fotos da Igreja, na Wikimedia.
- Página Wikipedia.

sábado, fevereiro 09, 2008

Nostalgias

Castelo de Silves com neve - 1 de Fevereiro de 1954
(arquivo M.R.)


Armação de Pêra - anos 60
Foto Custódio

quinta-feira, janeiro 31, 2008

In Memoriam

Sociedade de Recreio e Instrução de S. Marcos da Serra
31 de Janeiro de 2008
Noutros tempos, um dia festivo!



quinta-feira, janeiro 17, 2008

Arade: quem te viu...e quem te vê!



O governo até pode não facilitar, no que ao desassoreamento do rio diz respeito, prometendo, prometendo, mas não cumprindo. Também é coisa que já não nos espanta. Agora a autarquia também podia ajudar, naquilo que ainda pode fazer, e está ao seu alcance, pois afinal também prometeu: no mínimo, faça a remoção destes destroços que o rio até nós traz. Mas não está pr'aí virada. O partido no Poder Local prefere antes caçar gambuzinos eleitorais!

domingo, janeiro 13, 2008

Nostalgias

- Praia de Armação de Pêra (anos 60) - Foto Custódio (Silves)

- Chalet de Gregório Mascarenhas em Armação de Pêra- Foto Custódio (Silves)

sábado, janeiro 12, 2008

Proibimos porquê?


E se em vez de proibir, ainda que fechando os olhos, se criassem as condições mínimas?! Não são grande coisa, pois não? E estas pessoas que nos visitam, cada vez em maior número, também merecem a nossa hospitalidade, ou não?
P.S.- Olhando com mais atenção ao sinal até percebo porque é ignorado: são caravanas (roulottes) as proibidas, o que não é o caso. Será que existe sinal que enquadre este relativamente novo tipo de veículo, também ele modelo de um novo tipo de turismo?!

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Boas Festas


Ainda o Muro da Vergonha

A 10 dias do fim do alargado prazo deste Programa Polis de Silves, o que já antes apelidáramos de Muro da Vergonha volta a fazer das suas, conforme documentam as imagens.

Este muro de suporte acaba por ser a imagem mais triste e visível da incompetência técnica que este programa demonstrou nas obras que em Silves orientou. Querendo restaurar-se um velho muro, aqui e ali derrubado pelo peso dos anos, acabou por se fazer tábua rasa das velhas técnicas construtivas ali presentes e fazer uma péssima obra que nos últimos dois anos já caiu por três vezes (quando Silves é parceira numa candidatura ao Polis XXI por ter «uma importante experiência ao nível de construções sustentáveis (!?) a partir de técnicas e materiais tradicionais e 'amigos' do ambiente", nomeadamente taipa, tijolo de burro e tijoleira»!!). Ali mesmo ao lado, um velho troço do antigo muro que escapou à desastrosa requalificação, observa, atónito, tantos disparates: impermeabilização das suas paredes, saídas de escoamento fechadas, enfim, ripagem da vegetação superficial presente no solo sem contrapartida em infra-estruturação para recolha de águas pluviais. Uma asneira pegada. Mas que não é única! O parque de estacionamento ribeirinho está novamente com o piso em mau estado, o pequeno anfiteatro para espectáculos por detrás da Fissul sem condições técnicas mínimas de funcionamento, a rua Miguel Bombarda fechou para obras depois de aberta como Rua do Futuro, a calçada da Afonso III está como está, as condições de circulação na cidade (nos passeios ou nas ruas) são o que todos sabem que são, a quantidade de detritos que pela encosta abaixo desce quando chove é cada vez maior. Enfim, o jardim do Mirante uma selva pegada, a ponte velha cuidada e iluminada como sabem! E o que para aí ainda falta fazer!!? Calçadas por todo o centro histórico, musealização e requalificação do interior do castelo, acesso pedonal à encosta norte..., não falando já do que foi abandonado, e abandonado está: Museu da Arrochela, percurso Pedonal e centro de interpretação no Moinho Valentim.

Sou por isso muito crítico quanto à execução deste Polis. Já extinta a SociedadePolis em 2006, as suas obras irão ainda prolongar-se por 2008 quando tinham como prazo limite 2005, e os seus custos (e os nossos), financeiros e outros, também.

domingo, dezembro 02, 2007

Uns escrevem, outros plagiam

Não gosto, aliás, detesto, quando sou plagiado. Já o fui inúmeras vezes. Até hoje, nunca usei das prerrogativas legais que protegem o autor, nestas situações. Não me deu para isso. Em alguns dos casos eram pessoas que nem de plágio tinham ouvido falar! Outros, com obrigação de o saberem, ignoraram simplesmente o trabalho alheio e dele se apropriaram. Basta consultar os textos do Plano Estratégico de Silves do Programa Polis, a página da Câmara Municipal de Silves dedicada à história do Concelho, e outros textos que por aí circulam na Internet para encontrar, ipsis verbis, grandes trechos por mim escritos e que outros por debaixo assinam. Cheguei ao cúmulo de receber de um aluno um trabalho, com supervisão paterna, sobre os monumentos da cidade, cujos textos eram meus. Enfim, já vi de tudo. Mas é diferente este caso. Por vir de quem vem.
Assim, e também sem aviso prévio, embora não fosse difícil fazê-lo (retribuo afinal na mesma moeda), fica aqui a crítica à Drª Gabriela Martins, que o devia saber. Como amiga, como bibliotecária, como pessoa de há muito ligada às coisas da cultura e do direito de autor, não compreendo como pôde usar o texto e as imagens de outrem, e nem sequer o nomear. Como disse, sem aviso prévio, fui surpreendido por texto do seu blogue (imagem que reproduzo acima) em que grande parte do que é escrito são palavras minhas (não referindo já a imagem por mim criada do outdoor), com alterações de pormenor a seu bel-prazer e que, inclusive, acabam por ser usadas para de modo indirecto me acusar (...com a ausência dos Vereadores Permanentes e de toda a Oposição...). Do quê? De não ter estado presente na tal reunião inconclusiva, na manifestação anacrónica e de sentido carácter fúnebre que foi promovida e politicamente manipulada, do princípio ao fim. Acusem-me de politicamente incorrecto, mas que fizeram os messinenses até agora e que estava ao seu alcance? Muito mais fizeram os de Vale de Fuzeiros contra a Alta Tensão e esta ainda está para vir, não o é ainda de facto, como estes cruzamentos de Messines!

Enfim, o protesto aqui é pelo plágio em si, pela surpresa do arbítrio, ademais de alguém que muito recentemente se indignava por aquilo que considerava uso indevido, aproveitamento político, porque alguém usou imagens captadas num espaço que coordena (Casa Museu João de Deus) para dar conta da abertura de uma exposição de pintura, e também da sua presença nela (...reafirmo que não gostei do uso abusivo das imagens da Casa Museu João de Deus , da inauguração da Exposição e de ter sido incluída no mesmo sem o meu prévio aval.Peço aos Autores deste blogue o favor de, no futuro, saberem respeitar o trabalho alheio)....

Faço minhas as palavras da, ainda minha amiga, Gabriela Martins.

Sem outros ressentimentos, falou a minha frontalidade, que quis hoje fazer pública.




sábado, dezembro 01, 2007

A Ciência confirma

Estudos científicos afirmam que os portugueses desconfiam dos sorrisos dos políticos. Quanto mais sorriem mais o povo desconfia, também se diz.
Talvez desconfie, talvez muitas vezes desabafe, entre-dentes, qualquer coisa do tipo "com esse sorrizinho me enganas", mas chamado a pronunciar-se, isto é, a votar, é o sorrizinho e a palavrinha simpática de ocasião que fazem muitas vezes a diferença.
Vem este desabafo a propósito do artigo do Público, e que eu tive o desplante de manipular, adaptando-a à realidade local. Podem ler o original aqui.

Águas sujas deste Polis

(Foto C.Gomes)
Retomada a contagem do painel do Polis, restam 31 dias.
Será que há tempo para dar um jeitinho às ruas do centro histórico de Silves?

É que assim como estão, iremos ver decrescer a colina em que assenta a cidade a um ritmo acelerado, considerando a terra que por estas ruas e escadinhas é arrastada cada vez que chove!

Não é só a imagem de desleixo que é dada, a poucos metros do edifício municipal; não é só a barbaridade de imundície que é espalhada pelas ruas da baixa. É o desperdício de água que corre directamente para as condutas de águas pluviais e assim se perde.
Sem receio de errar, diria mesmo que esta Silves do séc. XXI é mais perdulária no que à agua diz respeito do que era a Silves islâmica. Nesta época já remota (em todos os sentidos), eirados, açoteias e quintais na cidade alta, recolhiam mais água por m2 do que acontece hoje em dia. Não tenho disso dúvidas. Actualmente o que é que se fez: abandonaram-se as açoteias, entulharam-se as cisternas, edificou-se sobre os eirados, impermeabilizaram-se os quintais.
Temos aí à vista os resultados de tanto disparate. Mas temos também a solução.


terça-feira, novembro 27, 2007

Relógio "às aranhas"!


Há dois anos atrás, o painel countdown que marcava o que então restava do prazo deste infeliz Programa Polis de Silves, foi, sem aviso prévio, atrasado em dois anos. Passados que são, quase, esses dois anos, parou.

As teses sobre este facto multiplicam-se entre os comentadores de rua.

Uns, do contra, sempre os há, afirmam que deixar o painel parado - nos 44 dias, 7 horas, 29 minutos, 32 segundos - é truque da Isabel: serve para manter anestesiados os mais distraídos quanto à finalização das obras que tardam em ser acabadas (castelo, encosta norte, ruas do centro histórico, e as outras, as que nunca serão feitas); outros, mais benévolos, consideram que o painel simplesmente se cansou deste Polis e resolveu arrumar as botas, perguntando a si mesmo o que andou realmente aqui a fazer, já que teria sido mais útil e bem gasto o dinheiro consigo usado, se o tivessem empregue fazendo de cronómetro em qualquer competição de fundo, não numa qualquer maratona, mas numa outra, bem "de fundo"; finalmente, há ainda aqueles que acham que tudo foi uma cabala contra o Polis, "uma coisa boa, por aqui nunca vista", claro, cabala que só pode ser dos que são do contra, talvez da arqueologia ou dos arqueólogos (embora aqui ninguém ouse testemunhar a presença no local de tais seres, nem se conheçam por ali evidências arqueológicas, além da ponte "nova") e que alguém mal intencionado cortou a corrente ao painel, acabando por deixar também, há uma semana ou mais, o principal cruzamento de Silves sem semáforos.

Enfim, ele há opiniões pr'a todos os gostos. Certo, bem certo, é a conclusão - a um mês do seu já adiado término - de que este Polis de Silves foi um claro fiasco de execução e concretização, com várias obras na prateleira do Futuro, com várias obras que tardarão ainda a se concretizar. Talvez em prazo mais oportuno, como será o final de 2009, da mesma forma que em 2005 se inaugurou precipitadamente o Teatro Mascarenhas Gregório, e este Polis se prestou às antecipadas inaugurações do parque ribeirinho ou da Rua Miguel Bombarda ("do Futuro"), e delas fez rara comunicação pública.

Aguarda-se assim, com a maior das expectativas, a conferência de imprensa da senhora presidente Isabel Soares (a sugestão é minha, a data só ela poderá divulgar), no próximo mês de Dezembro, dando conta aos Silvenses do balanço deste Programa Polis de Silves.

Ficamos à espera...
P.S.- dia 30 de Novembro foram postos novamente a funcionar os semáforos e também o painel de contagem decrescente do Polis. Faltam 31 dias!

sábado, novembro 17, 2007

TMDP - chular o povinho, isso sim!

(foto de Carlos Gomes)
A TMDP, acrónimo que significa Taxa Municipal de Direitos de Passagem, é mais um imposto que todos pagam, mas poucos se apercebem, camuflado nas cada vez mais indecifráveis facturas respeitantes a comunicações electrónicas, telefones e televisão.



O seu estabelecimento surge em consequência da Lei das Comunicações Electrónicas - Lei n.º 5/2004, de 10 de Fevereiro - que estabelece que os direitos e os encargos relativos à implantação, à passagem e ao atravessamento de sistemas, equipamentos e demais recursos das empresas que oferecem redes e serviços de comunicações electrónicas acessíveis ao público, em local fixo, dos domínios públicos e privados municipais podem dar origem ao estabelecimento de uma taxa municipal de direitos de passagem (TMDP).
Nos termos da mesma lei, a TMDP é determinada com base na aplicação de um percentual sobre cada factura emitida pelas empresas que oferecem redes e serviços de comunicações electrónicas acessíveis ao público, em local fixo, para todos os clientes finais do correspondente município. E esse percentual é aprovado anualmente por cada município até ao fim do mês de Dezembro do ano anterior a que se destina a sua vigência, não podendo ultrapassar 0,25%.


Tem sido diverso o entendimento dos municípios quanto ao estabelecimento deste camuflado imposto, até do Provedor da Justiça. Afinal, qual é a legitimidade dos municípios deixarem recair sobre os seus munícipes uma taxa cobrada por terceiros pela utilização de um espaço público que é de todos? Não seria esse um ónus ou despesa que só caberia às empresas prestadoras do serviço, uma parte das despesas necessárias à criação do seu lucro? Mas acaba por ser repercutido no cidadão comum, quantas vezes ele mesmo proprietário dos terrenos e locais atravessados. Não estaria eu dispensado desta taxa quando na minha propriedade sou obrigado a conviver com alguns postes da PT?


É por isso legítimo questionar a legalidade desta taxa. É o que tenho feito, sempre que posso. Mais uma vez o fiz, quando esta maioria PSD resolveu, outra vez, optar por definir a taxa máxima (0,25%) para o município. Mal, por varias razões. Primeiro, porque não questiona esta injusta situação que antes descrevi; segundo, porque desde logo opta pelas taxas máximas; terceiro, porque as verbas que auferirá são ridículas em termos globais, justificando em pleno uma tomada de posição de princípio, ao invés de uma primária e tentadora ideia de cobrança de um imposto com pretensa arrecadação de verbas.


(foto de Carlos Gomes)
Mas o pior está por dizer, e a foto que acima publico diz tudo. É prestado um bom serviço? Estão as nossas cidades e centros históricos livres dessa peste dos cabos, postes eléctricos e telefónicos que todos conhecem? Qual quê! arrecada-se a maçaroca do imposto, mas não se criam condições nem exigências às empresas de comunicações e vai daí, é o improviso total. Um Carnaval, uma palhaçada de fios, uma fonte de insegurança, uma afronta ao bom-gosto.

Aqui fica o desabafo, para quem o ler.