

«Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.» George Orwell (1903-1950)






A propósito da notícia "Algarvios são campeões nacionais da reciclagem" no jornal Barlavento ocorre-me dizer o seguinte: 1. Fraco número este (31 Kg/anuais) com que se chega ao pódio!
2. Ainda assim, no concelho de Silves a média não chega a 18 kg/hab!Pior, no Algarve, só Alcoutim (5,8 kg), Monchique (11kg), Olhão (13,9 kg) e São Brás (15,8 kg).
E porquê? Porque talvez nem todos saibam que por cada Kg de lixo indiferenciado que a autarquia coloca no aterro sanitário paga um determinado valor, que sobre nós no final recai, e sendo separado não. Daí que o valor da nossa participação, enquanto cidadãos conscientes da importância da reciclagem dos resíduos sólidos urbanos, possa diminuir a factura que a autarquia paga à ALGAR, além do que é realmente mais importante, melhorar o ambiente que todos usufruem hoje e no futuro.
Esse dinheiro que se poupou, respeitante às 607 toneladas que em 2003 ainda assim depositámos para reciclagem, não vi ainda ser aplicado em nenhuma campanha de sensibilização neste concelho. Porquê? Estamos bem precisados. Vejam-se só alguns números:
Loulé - 28 kg/hab Albufeira - 33 kg/hab Lagoa - 34 kg/hab Portimão - 36 kg/hab .....
e Silves com metade de Portimão: 18 kg/hab.
Não disse!?
O texto não é meu, e não posso citar o autor porque não o conheço. Circula por aí anónimo. Mas talvez por isso mesmo ele tenha ainda mais força enquanto DESABAFO colectivo que este país reprime."Profundamente envergonhado", a frase com que termina, poderia também ser o título deste rol de desabafos globais, mas que em alguns casos revejo nos locais. Por isso o divulgo aqui. 




A LER...e a passar!
P.S.- Não resisto a vos contar uma pequena história com o Eng. Luís Gil. Na Expo de Hannover 2000 fomos ambos convidados pelo Pavilhão de Portugal para falar sobre cortiça. Eu, sobre o recém-criado museu da cortiça da Fábrica do Inglês; Luís Gil sobre as aplicações deste produto, amplamente demonstradas pelo próprio revestimento de aglomerado negro de Silves do Pavilhão de Portugal, o único sem ar condicionado. Luís Gil, autor e proprietário de várias patentes relacionadas com a utilização da cortiça, a dada altura da sua apresentação surpreende a plateia, pelo menos a mim, que nunca mais esqueci o momento nem o paro de transmitir, quando alvitrou: se a Mercedes, marca alemã, fosse portuguesa, há muito tempo que os tabliers e as manetes de mudanças destes carros seriam em cortiça. E porquê? Porque é um material bonito, macio e, sobretudo, porque nos pouparia o terrível sacrifício de lhes tocar, fosse no escaldante Verão ou no gelado Inverno.
Tá tudo dito!