
Futuro (?) Museu da Arrochela
(foto de Outubro de 2005)
O relógio do Polis enceta a contagem final. Faltam pouco menos de três meses para se completar o prazo de quatro anos que este projecto de intervenção urbana previa. Pode a muita gente, mais distraída, impressionar tanta movimentação, tanto buraco, tanto estaleiro de obra. E ficar pensando: a coisa mexe, nunca se viu coisa assim, grande obra, sim senhora...
Mas não é bem assim... Para um plano que estava perfeito, o melhor inter pares (parafraseando a senhora presidente) quando foi apresentado a concurso, demorou na sua implementação. Foram precisos quase dois anos para aquecer os motores, para se iniciarem adjudicações e obras. Resultado: está tudo a acontecer ao mesmo tempo, com graves prejuízos para o funcionamento urbano e para o dia-a-dia dos silvenses. Mais, nem tudo está a acontecer, nem tudo vai parar de acontecer depois de Dezembro de 2005, mesmo que o relógio Polis não conheça os números negativos. Vejamos...
Das obras enunciadas, muitas foram pura e simplemente enfiadas na gaveta e socorro-me do Plano Estratégico publicado pelo Programa Polis: a musealização da Arrochela (Silves vai ter espaço de musealização arqueológica. Isabel Soares, Executiva da Câmara Municipal de Silves refere que "foi mandado executar um projecto de musealização desse espaço em Arrochela", passando Silves a contar, em breve, com um novo espaço de musealização arqueológica. in Região Sul, 27 de Setembro de 1999), Casa da Música (seria para a Filarmónica ou seria a que fizeram no Porto?), remodelação do Mercado Municipal, recuperação do Moínho Valentim e percurso pedonal até ele, dessasoreamento do rio e criação de área de estada na margem esquerda, campo de jogos e pista de atletismo, aquisição do Palácio Grade (Viscondes de Lagoa), criação de duas novas acessibilidades a norte da cidade. Nada disto foi feito, nada disto parece vir a ser concretizado a breve prazo. Mas vejamos outras que, embora começadas, não terão concretização nos próximos três meses, nem nada que se pareça: a reabilitação urbana do centro histórico está ainda numa primeira fase (modernização das redes de subsolo e eliminação de redes aéreas, sem garantia do desaparecimento das feias antenas televisivas); o arranjo interior do castelo e a musealização das suas torres (a que aludimos em post anterior) é coisa para mais de um ano, quando poderia ter começado logo de início; o Teatro Gregório Mascarenhas, já inaugurado com pompa e circunstância, continua em obras e sem plano estratégico, director ou programação conhecida; o Jardim Cancela de Abreu, não incluído no Polis nem em obras complementares, continua ao abandono, embora em vésperas de eleições, em reacção a uma faixa ali colocada e a um post aqui realizado, tenha surgido espalhado pelos cafés locais um esquisso, tão velhinho quanto a obra do ex-matadouro (para quem sabe), do arquitecto Alegria, e que fala num prazo de execução de 9 meses!
É o Polis que temos...