segunda-feira, outubro 03, 2005

A Feira de Silves

Feira de Silves, óleo sobre cartão de Samora Barros (reprodução parcial), s/d
A Feira anual de Silves, mais conhecida por Feira de Todos-os-Santos, é de bem antiga tradição. É um espaço de memória colectiva para muitos ( Local & Blogal). Nos seus bons tempos era uma das mais afamadas e concorridas feiras algarvias. Foi perdendo muita da sua genuinidade e importância nos últimos tempos. Agora, a pouco menos de um mês da sua regular e, que eu saiba, ininterrupta realização centenária, todos nós - e mais ainda os feirantes- perguntamos: Vai haver Feira de Silves este ano? Onde? É que mercado mensal há mais de um mês que não se vê!
Pode não parecer, mas tudo isto é cultura, tudo isto é património...

sábado, outubro 01, 2005

Amanhã lá estarei!



















Amanhã de manhãzinha lá estarei, câmara fotográfica nas mãos, em plena Serra de Silves para constatar, espero, aquela que foi uma vitória da opinião pública contra a incompetência e laxismo dos nossos dirigentes. Refiro-me à situação de ameaça que recaía, veremos se não recai ainda, sobre o património cinegético da Serra de Silves. Estão de parabéns todos os que colaboraram neste importante quanto histórico movimento pela conservação da Natureza. A Associação Viver Serra e o seu presidente Eng. Paulo Reis, o Local e Blogal (veja-se http://blogal.blogspot.com/2005/09/que-viva-serra.html), este mesmo Saco dos Desabafos, modéstia à parte (http://sacodosdesabafos.blogspot.com/2005/09/atentado-ambiental-com-data-marcada.html), o jornal Barlavento, Correio da Manhã, Região Sul, a TVI, enfim , todos os cidadãos anónimos que enviando mails ou espalhando a notícia desta ameaça, alertaram os caçadores menos informados e obrigaram as entidades oficiais a se pronunciarem favoravelmente sobre este assunto. Prova disso é a notícia do Região Sul que adiante reproduzo na íntegra:

«Interdita a actividade cinegética na Zona de Caça Turística de Silves
Governo Civil avisa que as autoridades actuarão em conformidade
Um comunicado emitido esta tarde (2005.09.30) pelo Governo Civil de Faro refere que "ao invés do que tem sido referenciado, de modo próprio em alguns órgãos de comunicação social, não será permitida a actividade cinegética na Zona de Caça Turística de Silves (ZCT), com início previsto para domingo dia 2 de Outubro".
Adianta o mesmo comunicado que, "não obstante a caducidade da concessão daquela zona cinegética, de acordo com a legislação em vigor, a mesma não foi ainda formalmente extinta ao abrigo do nº 2 do artº 50 do Dec-Lei nº 202/2004 de 18 de Agosto".
Esclarece ainda aquele documento do Governo Civil que a nova portaria "extingue parcialmente a ZCT atrás referida precisamente no que respeita à área sobreposta e resultante da anexação dos respectivos terrenos à zona de caça associativa (ZCA) de Monterroso. Assim sendo, as autoridades de fiscalização, em especial a GNR, actuarão em conformidade na defesa e protecção dos valores integrados na ZTC de Silves, não permitindo a caça às espécies ali existentes".
Recorde-se que a abertura da caça tem lugar amanhã, dia 1 de Outubro (
dia 2 de Outubro, correcção nossa), de acordo com o calendário cinegético em vigor. »

Região Sul, 30 de Setembro de 2005




Não é o 3º mundo, é o bairro da Caixa d'Água!



Não, dirão vocês, isto são imagens de um qualquer país do 3º mundo. Mas não são! São de Silves, do Bairro da Caixa d'Água, aquele que o senhor António Guerreiro, candidato à Junta pelo PSD, disse no debate da Rádio Racal ter visitado e não considerar de modo algum degradado! Minha nossa senhora, apetece dizer! Então este barranco pestilento não é uma vergonha e um atentado à saúde e segurança públicas de todos os que ali vivem? E a "caixa de água" que até deu, sei lá, provavelmente nome ao bairro, não está ali há tantos anos ameaçando a vida de centenas de crianças ou qualquer incauto viandante. Esta é uma sombra de vergonha que recai, não sobre um só, mas sobre todos os executivos municipais que Silves já conheceu!

Atenção, ainda há quem viva no 24 de Abril !


Um dos vários cartazes da CDU vandalizados por aí.



São riscos e rabiscos, são bocas anónimas, cobardes, de quem não tem, nem suficiente coragem para as assinar, nem sabe que neste país há liberdade de expressão, mas só para quem assume as responsabilidades do que diz. Por isso dou adiante publicidade a esses dois pobres e insultuosos comentários (há falta de melhores argumentos usa-se a matraca do insulto..) por falarem eles próprios sobre quem os escreve. São os mesmos que hoje fotografei a arrancar autocolantes da campanha CDU.
Aqui vão as duas peças de pura literatura política e argumentação séria para com os meus críticos e fundamentados artigos:
"Vocês vão ser arrasados por isso pouco piu."
e ainda,
"É só dor de corno... vão perdeeeeeeerrrrrrrrrrrrrrrrrrr!"
Está tudo dito, não está?!

quinta-feira, setembro 29, 2005

Comissão Nacional de Eleições dá razão à CDU


Em artigo de 28 de Agosto passado fiz referência aos imorais outdoors que a Câmara resolveu colocar em S. Bartolomeu de Messines, S. Marcos da Serra e que agora também vi, em Pêra, anunciando obras que nalguns casos, nem projecto aprovado têm. Perante este grave aproveitamento eleitoralista realizado com dinheiros públicos, apresentou a CDU queixa à CNE (Comisssão Nacional de Eleições). Por deliberação desta entidade foi agora dada razão à CDU. Transcrevo a informação que esta oficiou: "(...) recomendar à Senhora Presidente da Câmara Municipal de Silves que proceda à remoção imediata de todos os cartazes que divulguem a realização de obras cujos projectos ainda não tenham sido lançados, na medida em que tais cartazes podem ser entendidos como uma forma indirecta de favorecimento da candidatura de que a actual presidente do executivo é cabeça de lista”.
Os cartazes em causa são os referentes à Escola Primária e ao Arranjo do Largo das Feiras, em Messines, e ao Museu em S. Marcos da Serra que não dispõem de projecto técnico aprovado.
Veremos agora qual a celeridade com que a Câmara cumpre tal deliberação!

Azul, mas de podre!

"(...) Para complementar esta informação laboratorial do Ministério da Saúde, a Câmara de Silves faz saber ainda os resultados relacionados com a inspecção feita à Praia de Armação de Pêra: cor das águas - sem alteração; transparência das águas - sem alteração (negrito nosso); óleos minerais - ausência; espuma persistente - ausência; cheiro a fenóis - ausência; sólidos flutuantes - ausência. Segundo a edilidade "a conjugação de todas as análises classifica a Praia de Armação de Pêra de "Boa Qualidade", situação que também acontece com a Praia Grande (Bandeira Azul e Praia Dourada) e Praia dos Barcos." (Jornal Região Sul, 16 de Junho de 1999)
Foz da Ribeira de Alcantarilha, 28 de Setembro de 2005
Esta é a imagem (não trouxe é o cheiro) da foz da ribeira de Alcantarilha (maternidade natural do peixe que ali é pescado) tal como a fotografei ainda hoje. Pássaros e peixes mortos, envenenados pelas turvas e contaminadas águas, cheiro nauseabundo.
Disseram-me também os pescadores locais que no Verão estava ainda pior, o que por certo fez um bom postal turístico daquela que já foi praia de bandeira azul, vizinha de outra que já foi Praia Dourada, junto a uma das mais importantes lagoas e reservas naturais do Algarve, a zona dos Salgados!
Progressos!!? só nos cartazes sensibilizadores.
Faz o que eu digo, não faças o que eu faço!
Colaborem, enviem este artigo directamente aos mais directos responsáveis pelo arrastar desta vergonhosa situação. Cliquem na imagem do envelope no final deste texto e escrevam o endereço electrónico que forneço:
Chefe de Gabinete da Presidente da Câmara Municipal de Silves
cms.chefegabinete@oninet.pt

Gabinete do Secretário de Estado do Ambiente
Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve - sem e-mail de contacto!! mas podem enviar-lhes uma mensagem com o vosso comentário e a ligação directa à página do blogue http://sacodosdesabafos.blogspot.com/2005/09/azul-mas-de-podre.html (foi o que fiz)

quarta-feira, setembro 28, 2005

Inacreditável!




Apesar da pública e muito crítica apreciação ao urbanismo de Armação de Pêra realizada pelo senhor presidente da República, Jorge Sampaio, quando em 1998 visitou a vila, apoiada nas palavras pela senhora presidente da câmara que na sequência dos acontecimentos até criou um Gabinete Técnico Local encarregue de realizar um Plano de Requalificação; apesar de se encontrar a poucos metros, e muito provavelmente dentro da área de protecção de um monumento de Valor Concelhio (Resolução do Conselho de Ministros nº 161/95 de 04 Dezembro de 1995), o Chalet Vasconcelos; apesar de se encontrar em cima da praia, da falésia, o aborto arquitectónico que podemos ver nas imagens teve alvará emitido em Abril deste ano! Já vai no seu 2º andar (com cave escavada na rocha viva da falésia). É assim que se promove e requalifica aquela que poderia ter sido uma das mais bonitas praias algarvias...
Para os mais nostálgicos, deixo ficar uma sequência de imagens do local ao longo dos últimos 75 anos (aproveito para agradecer ao Portal de Armação de Pêra, as imagens que lhes "surripiei").
E viva o betão armado!

terça-feira, setembro 27, 2005

Quem falou em gestão de mercearia? quem foi?



Aldeia do Sobrado - Algoz

Nos excertos da entrevista da srª presidente, em artigo anterior, falava-se em "gestão de mercearia".
Caros amigos: o que é isto?
isto é o sistema de abastecimento de águas da aldeia do Sobrado, a dois quilómetros do Algoz. E viva o improviso!

De quem é este jipe?


Sabem de quem este jipe? Vendo-o por Silves, pintando paredes alheias, escondendo geometricamente os feios graffitis, perguntei ao presidente da Junta de Freguesia quem eram. Desconhecia. Andam por aí uns senhores com um jipe (pelos logotipos fico na dúvida se será da Câmara, da Barbot ou do Golfe Amendoeira Resort?) que nos andam a pintar as paredes sem dar cavaco a ninguém, nem à Junta de Freguesia. Trabalho meritório, por certo, os graffitis são realmente já uma praga nesta cidade. O que questiono é a falta de informação que acompanha esta acção cívica. Isto, para além das questões que se me colocam perante os apoios financeiros sucessivos que este grupo (Grupo Oceânico/Amendoeira Resort) tem realizado nos últimos tempos a actividades da Câmara, justamente quando aguarda que, pelo menos dois dos seus futuros investimentos no concelho (Golfe da Lameira e Casino de Armação de Pêra) tenham pareceres favóráveis!

Frases soltas, para lembrar oito anos depois...

Trago agora à lembrança de todos algumas frases soltas retiradas de uma entrevista dada pela Srª Presidente da Câmara, há quase oito anos atrás (Diário de Notícias, 28 de Janeiro de 1998). Para quem queira lê-la na íntegra, basta aceder ao link a partir do "Guia de Silves" (Revista de Imprensa, Diário de Notícias, 1998) de Baeta Oliveira ou clicando adiante: http://www.geocities.com/baetaoliveira/dn1998.html#17

Isabel Soares - "Faltam cerca de mil fogos no concelho e espero que sejam construídas, nos próximos quatro anos, pelo menos trezentas casas, com especial incidência nas freguesias de Algoz e Armação de Pêra, onde existem maiores necessidades", prometeu a autarca.
Comentário do autor: Não foi realizado um só bairro social nestes oito anos, e os que já existiam, degradam-se a olhos vistos. Conheci hoje uma situação inacreditável (a imagem documenta-a), de alguém que vive há 3 anos numa tenda, no Bairro da Caixa d'Água, uma das muitas situações de grave miséria que tenho constatado ao longo desta campanha feita de porta-a-porta!!

Isabel Soares- "Sei que a câmara deve cerca de meio milhão de contos a fornecedores, para além de outras despesas, mas o maior receio é que haja uma dívida oculta".
Comentário do autor- O que sei agora, e são números não contestáveis, é que em Dezembro de 2004 a dívida camarária ascendia a 14 milhões de euros ( cerca de quase 3 milhões de contos), subiu por certo muito nestes meses de 2005, sendo os fornecedores credores de uma dívida enorme, cujo pagamento já se delonga por um ano. Nem o país está, em termos relativos, tão endividado!

Isabel Soares - "Acabar com a gestão de "mercearia", apostando na planificação dos serviços e descentralização de competências."
Comentário do autor- O que tenho visto nem é gestão de mercearia (perdoem-me os merceeiros, entre eles o meu amigo de tertúlia e pai da senhora Isabel Soares, José Valentim, que infelizmente já nos deixou), é pura loucura e irresponsabilidade financeira com o dinheiro de todos nós. Depois, é claro, sobem-se todos os impostos municipais : água, lixo, publicidade, contribuição autárquica, etc.., e agora, a bendita taxa municipal de atravessamento nas facturas dos telefones, internet... Delegação de competências? Quais? ainda ontem a senhora presidente faltou à última e, por sinal, bastante concorrida em público, Assembleia Municipal do seu mandato (talvez por estar em campanha eleitoral em algum jantarzinho), deixando os seus vereadores " à nora" e sem resposta para as questões que lhes eram colocadas!

Isabel Soares (através do jornalista) - Se tudo lhe correr de feição, a antiga capital do reino dos Algarves até se poderá tornar um dia numa cidade à imagem de Sevilha, pelo menos em termos económicos e culturais.
Comentário do autor - Sevilha tem mais de 1 milhão de habitantes, cultural e economicamente compara-se a Lisboa, nunca a Silves. É puro disparate, ignorância e demagogia dizer tal coisa. Mas a senhora presidente até já disse que quer candidatar Silves a Património Mundial!
Talvez ao Guiness, secção das asneiras...

Isabel Soares -Regionalista "desde sempre", está disposta a fazer campanha no referendo, mesmo contrariando a directriz do PSD a nível nacional. "Aceito as ideias do partido, mas tenho as minhas", observou.
Comentário do autor- Bem me lembro da campanha de Isabel Soares no referendo pela regionalização! E não se lembram também que até afrontou o líder nacional? Não se lembram? Pessoas com memória curta!
Realmente, é preciso descaramento!

Isabel Soares - Espera que os quatro vereadores da oposição aceitem pelouros, admitindo atribuir ao socialista João Ferreira o sector que inclui o centro cinegético de Silves. Quanto a José Viola (CDU), quer "transmitir-lhe pessoalmente a novidade. É uma surpresa..."
Comentário do autor: Viram João Ferreira no centro cinegético, não viram? E ao José Viola sabem qual foi a boa surpresa? Foi o pelouro do lixo! É claro que nenhum aceitou, nem durante o 2º mandato PSD houve quaisquer pelouros (sérios) para a oposição.

E termino com um bem escolhido modelo de gestão, quiçá uma das promessas cumpridas, embora não lhe conheça parentes na Suiça. As palavras são da senhora.
Isabel Soares (através do jornalista) - Para se manter em estado de graça, pretende seguir o modelo de gestão do seu colega da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais. SEM MAIS COMENTÁRIOS...

segunda-feira, setembro 26, 2005

Há caras, escasseiam as ideias...



É bem parecido este candidato, admita-se, mas do que se trata não é de um qualquer concurso a Mister Silves, mas das eleições autárquicas.
Quando procuramos saber, no verso, a que se propõe e que ideias tem, o vazio é confrangedor. Diz que traz o Algoz no coração, e daí não passa. Assim faz o PSD campanha autárquica em Silves. Com caras, frases feitas, e um vazio completo de ideias.
Para postalinho não serve: não há lugar para selo nem para uma qualquer frase de circunstância a um parente, por mais afastado.
Talvez só para reciclar, reaproveitando a simpática imagem numa dessas molduras que vemos nas lojas de parafernália doméstica, normalmente preenchidas com actores de cinema.

domingo, setembro 25, 2005

Via Sacra de um munícipe (parte II)


Ainda na sequência do problema aqui descrito no dia 18 do corrente, quero agora dar-vos parte do seu desenvolvimento, logo no dia 19, uma vez mais digno de figurar num anedotário, enfim, num livro negro municipal. O texto que se segue foi adaptado da reclamação deixada registada no Livro Amarelo e a que tive acesso por parte do queixoso.
"Ainda pensando no que me tinha dito o senhor vereador no dia anterior - aconselhando-me a rescindir o contrato de abastecimento de água realizado com os serviços da autarquia -, o que muito me indignara, resolvi dirigir-me ao Gabinete de Apoio ao Munícipe da Câmara Municipal de Silves. Ali, e junto da funcionária de serviço, solicitei a marcação de uma audiência com um dos vereadores, de preferência com a Srª Presidente. A resposta não poderia ter sido mais clara:
- As ordens que tenho são para não marcar qualquer audiência nos próximos dias. A senhora presidente e os outros elementos estão em campanha eleitoral.
Perante a minha observação de que a campanha eleitoral só começava no dia 27, corrigiu infantilmente para pré-campanha, não entendendo de todo o escandaloso da situação: um executivo camararário, acolitado por alguns dos seus mais fiéis ou precários funcionários, paralizava a actividade municipal em prol dos seus mais imediatos interesses partidários e eleitorais. Perante tal resposta, só me restou, mais uma vez, pedir o Livro de Reclamações."
Nota final: O autor do blogue comprovou situação semelhante em duas ocasiões. Uma no dia 2 de Setembro, quando ao telefonar para a Câmara às 15.30 h, o segurança de serviço o informou que não se encontrava nenhum vereador, nem mesmo a secretária da presidente no edifício; a outra, foi no próprio mercado de S. Marcos da Serra, logo pela manhã, onde se encontrou perante uma numerosa delegação PSD em pré-campanha eleitoral. Nela se incluía uma presidente de câmara, um vereador, um assessor e uma secretária da presidente, entre outros mais recentes funcionários cuja admissão parece ter tido como motivação mais próxima, a própria campanha eleitoral! Tal era o peso da autarquia nesta delegação que suscitou, de um elemento da delegação PS, também ali presente, a difícil quanto maldosa pergunta:
-Então, vocês hoje fecharam a Câmara?!

Quem é quem?


Adivinhem!
Quem é o candidato à Junta de Freguesia do Algoz?
Lisete Romão ou Calado Matias?

sábado, setembro 24, 2005

Poupem vocês!, dizem eles...


Não chove. As perspectivas quanto ao fim desta já histórica seca são pessimistas. Segundo as autoridades regionais há água para mais seis meses. Mas só para alguns, porque para os outros, os rapazes do golfe, o tempo é de fartura. E a evidência está aí. Estas duas lagoas não existiam há duas semanas atrás. Estamos no campo de golfe de Vila Fria, agora em construção a 3 km de Silves. O já célebre campo de golfe, responsável pela destruição de uma villa romana classificada como monumento de valor concelhio, o que até a Câmara desconhecia!!, ou melhor, quis ignorar. Realizou-se, à semelhança do que aconteceu na Rocha Branca e que acabou com uma leve e pelos vistos não exemplar condenação judicial, um atentado ao património arqueológico. E agora, um atentado ambiental às nossas preciosas reservas aquíferas. Pois de onde terá vindo toda esta água? E pensar que na zona alta da cidade a água não chega todos os dias!
Só podem estar brincando connosco!!

quinta-feira, setembro 22, 2005

Atentado ambiental com data marcada...


Tal como já fora referido no Local & Blogal em 12 de Setembro passado (clique no sublinhado para consulta), paira sobre a martirizada Serra de Silves terrível ameaça. E agora não é o fogo. Após mais de uma década de polémica jurisdição sobre a Zona de Caça Turística da Serra de Silves, a Câmara Municipal abandona - por obrigação legal derivada da nova lei da caça - a tutela desta riquíssima área cinegética da forma mais desleixada, para não dizer vergonhosa que se possa imaginar: entregando-a de bandeja ao regime livre. Mesmo sabendo que existe um conjunto de proprietários organizados em empresa que tencionam tomar em mãos o que por direito também lhes pertence, mesmo sabendo que o processo de criação desta zona de caça se encontra pendente, aguardando aprovação iminente pela tutela, relaxou nas suas obrigações legais de vigilância e manutenção deste património a que a lei a obriga, deixando por “artes mágicas”desaparecer centenas de placas identificadoras da zona protegida. Não existindo estas placas, estes mais de 5 000 hectares de terreno ficam, na prática, em regime livre. E dia 2 de Outubro abre a caça. É a boda geral, é o “massacre”, como hoje fazia título o jornal regional Barlavento. É atentado ambiental, é caso de polícia, é caso de protecção civil, pois poderão ser milhares as armas por essa serra. Tudo o que mexer será abatido. Há quem diga que o caso já tem contornos políticos, nesta pré-campanha eleitoral. Pois claro que tem! Confinante com esta pérola cinegética existe outra zona de caça, no dia 2 substancialmente alargada!, pertencente a uma associação municipal com mais de 600 sócios caçadores, acrescento eleitores. Não fosse assim, quem se lembraria de deixar chegar a situação ao ponto em que chegou quando ainda gere o que chama de Centro Cinegético (com seis guardas da caça municipais)!!
E dirão os fotografados (veados, mãe e cria): - Que mal fizemos nós?!

Nota final: Mais uma vez, apelo a todos para que usem os seguintes endereços para manifestarem às autoridades a vossa indignação.

Direcção Regional de Agricultura do Algarve
Chefe de Gabinete da Presidente da Câmara Municipal de Silves
Gabinete Técnico Florestal

quarta-feira, setembro 21, 2005

Polis versus Cidade

Cresce a indignação, para não dizer a revolta, entre a população residente no Centro Histórico de Silves. Segundo já apurámos, com toda a razão!
Abordarei o assunto, logo possua todas as informações necessárias para o bem fazer.

segunda-feira, setembro 19, 2005

À sucapa...

Começo por socorrer-me de algumas citações, algo datadas como é costume dizer-se, para evidenciar a "surrealidade" desta arrastada situação e a magnanimidade com que é tratada por aqueles que, à frente de organismos estatais tutelares responsáveis, teriam em princípio todos os meios para actuar e pôr cobro a esta vergonha.
Região Sul (3 de Novembro de 2000)
«ETAR de Silves: "Os resultados estão à vista e são medíocres"
acusa CDU
A CDU/Silves, em comunicado de imprensa, "exige" do executivo camarário de maioria PSD, que "assuma com frontalidade" as suas responsabilidades no que se refere à ETAR de Silves e tome medidas "imediatas, enérgicas e efectivas, com vista à eliminação das causas dos perigosos focos de poluição ambiental com origem na ETAR".
De acordo com a CDU de Silves, a situação que afecta o funcionamento da estação de tratamento de águas residuais de Silves (ETAR) é "extremamente grave e perigosa" e com "consequências negativas no ecossistema do rio Arade e na degradação do ambiente urbano da cidade".
Segundo a Coligação Democrática Unitária, desde há várias semanas a esta parte o "insuportável mau cheiro resultante do deficiente e/ou inexistente funcionamento" da ETAR e a ausência de medidas de manutenção a que aquela infra-estrutura "irresponsavelmente" tem estado sujeita nos últimos tempos, originou "graves focos de poluição nas águas do rio Arade", que se "está a transformar rapidamente num autêntico esgoto a céu aberto". »
Quatro anos depois...
Região Sul (29 de Março de 2004)
CDU/Silves reafirma "mau funcionamento" da ETAR do Falacho
A CDU/Silves difundiu um comunicado onde, mais uma vez, protesta contra o "mau funcionamento" da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do Falacho, inaugurada há um mês e meio "com pompa e circunstância", contando na altura com a presença do secretário de Estado da Administração Local, Miguel Relvas.
Segundo a coligação, "persiste um cheio horrível e o cultivo a céu aberto de milhões de larvas no interior do próprio equipamento, enquanto é lançado no Rio Arade matéria altamente poluída e poluidora". A actual maioria "terá de responder pela forma incompetente como têm conduzido este processo, tratando-se, como é, de uma obra nova que movimentou mais de um milhão de euros do erário público".
Barlavento (6 de Julho de 2005), palavras da Presidente da Câmara Municipal de Silves, Drª Isabel Soares
"(...) Acho que, do Tejo para baixo, não há outro rio que tenha a capacidade turística que o Arade tem.(...)», e adiante, «(...) Existe um conjunto de privados que quer fazer investimentos de grande qualidade nas margens, que poderão ser quase o grito de Ipiranga dos algarvios e do concelho de Silves em relação ao turismo, porque deixamos de ter aquele turismo apenas e somente de massa, que em termos económicos não nos traz mais valias, para passarmos para um turismo de maior qualidade.»
Setembro de 2005 - alguns dias atrás...
Imagem 1. Descarga de lamas residuais imundas na ribeira do Falacho- Rio Arade
Imagem 2. Estado da Ribeira do Falacho depois das mal cheirosas descargas.
SEM COMENTÁRIOS...
Meus caros, há que juntar a nossa voz aos protestos dos vizinhos do Falacho de Baixo, anos a fio convivendo com esta situação.
Só têm que clicar no ícone abaixo com a forma de envelope (junto dos comentários) para endereçar este "post" aos mais directos "interessados", cujos endereços de correio electrónico forneço. Vão ver que lhes faz alguma comichão!, até por que desde já o remeto também aos órgãos de comunicação social.
Chefe de Gabinete da Presidente da Câmara Municipal de Silves
Comisssão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve
Gabinete do Secretário de Estado do Ambiente

domingo, setembro 18, 2005

Via Sacra de um munícipe


Reproduzo hoje aqui uma história verídica ocorrida na C.M.Silves, há bem pouco tempo, e que diz bem da consideração autárquica pelos interesses dos seus munícipes e do respeito pelos seus direitos mais legítimos: ser bem servido e, quando tal não acontece, poder reclamar. Não menciono nem datas nem nomes, respeitando o anonimato do protagonista que, pessoalmente, me contou a história. Contá-la-ei, por ser assim mais viva, em discurso às vezes directo, assistido por narrador/protagonista.
"Fazia um mês que me dirigira à C.M.S. para pagar os cerca de 150 € pelo ramal de ligação da água à minha casa. Só agora me colocavam o contador. Enfim, podia ter água canalizada. Ligado o esquentador, ligadas as torneiras, em vão esperei pela bendita água quente. Verificada a pressão, constatei que não chegava a 1 quilo, quando o normal ronda os 4 quilos. Lá teria que me contentar em voltar a aquecer a água que comprara aos B.V.Silves alguns dias antes. No dia seguinte dirigi-me aos serviços técnicos da câmara. O funcionário foi esclarecedor, no lacónico comentário:
- Pois é, parece que isso acontece com outros consumidores - retorquiu, enquanto outro assunto já lhe ocupava toda a sua atenção.
Percebendo que com ele não adiantaria muito mais, pedi para falar com o chefe dos serviços que, surgindo malcriado e arrogante, disse: - Reclame por escrito! Quando lhe pedi o Livro de Reclamações fiquei a saber que não tinha. Tentei ainda nos serviços sitos na Rua da Sé, mas também em vão. Reforçava-se a minha indignação nesta luta de paciência atrás do dito livro, enquanto me dirigia para a casa-mãe, o edifício da Câmara. Ali, segundo alguns, repousava o dito livro ciosamente guardado por uma senhora que não digo agora o nome (não, não era a presidente da autarquia, seus maldosos). De caminho, resfolegando debaixo da inclemência do sol, quase resignado ao banho com água de panela que ao fim da tarde me esperava, cruzei-me com importante autarca municipal, meu conhecido, a quem desvelei o meu rosário. Esperando o fim dos meus calvários, quase desfaleci perante a crueza da resposta:
- A solução é pedir a anulação do contrato de fornecimento de água, mesmo que isso lhe vá custar perder o que já pagou pelo ramal e contrato. (os tais 150€, lembram-se?)
Não quis acreditar no que ouvia da voz de um tão importante responsável municipal. Só caí em mim quando a água fria dos bombeiros já me escorria na pele ressequida pela Via Sacra desse dia.
P.S.- Acrescente-se, a título complementar, e contrariamente ao que estipula a lei, que o Livro de Reclamações (o chamado Livro amarelo, cor da vergonha), não tinha nem as páginas numeradas nem forma de duplicar (folha química) o que lá foi escrito, para tal tendo sido necessário recorrer a uma fotocopiadora. Modernices !!

sábado, setembro 17, 2005

Frontão torcido


O velho Teatro Mascarenhas Gregório renasceu torcido - tal a pressa - até no frontão da sua fachada!

Mais placas...


E aqui está mais uma placa inaugurativa, agora em S. Marcos da Serra, num edifício terminado no Verão de 2004, praticamente vazio e que continua sem ligação própria à rede eléctrica desde a sua inauguração em Março passado (veja-se imagem inferior, clicando nela para ampliar). Aqui a situação é bem pior do que a vivida pelo Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves já que, e apesar do edifício ser propriedade da Sociedade de Recreio e Instrução de S. Marcos da Serra, a Câmara entendeu sem prévio conhecimento dos legítimos proprietários e à revelia de um protocolo de ampliação e requalificação assinado com a Sociedade, inaugurar (sem convite a esta, acrescente-se) um Pólo de Educação para a 3ª Idade, pretendendo agora pôr e dispor dos espaços como bem entende. A chave do edifício não foi entregue senão agora, vésperas de eleições e depois da Sociedade e a Associação das Terras de S. Maria Maria (também ali sedeada antes) ter avançado para tribunal. Não era para menos. Ponham-se as coisas assim: um inusitado inquilino faz as obras com fundos comunitários em nome de uma sociedade local de interesse público; ainda em acabamentos, resolve alardear serviço, organiza uma festa e esquece-se de convidar o senhorio; quando este lhe pergunta porque assim o fez e se pode reocupar o seu anterior espaço, a chave não lhe é entregue e o inquilino pretende, através de novo acordo, renegociar as regras do jogo; no entanto, comete um erro: quando quer aproveitar o espaço em seu próprio benefício vê que não tem electricidade e quem a pode pedir é o dono da casa. É então que se lembra pela primeira vez de contactar a sociedade para que esta o diligencie. Querias? Daí os cabos improvisados, a ligação directa que podemos na imagem descortinar. E assim se vai a Câmara relacionando com a sociedade civil, as colectividades que por essas nossas freguesias mais esquecidas vão colmatando os tempos de lazer das populações (veja-se o caso da Filarmónica Silvense sem a sede prometida aquando das obras do Teatro, do Celas e do matadouro, da Cooperativa de Habitação, ambos igualmente em tribunal, da nova bancada do Silves Futebol Clube....).
P.S.- E já a posteriori (19.02.2007), aqui fica o link para um artigo de quem parece saber do que fala!