«Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.» George Orwell (1903-1950)
terça-feira, setembro 06, 2005
segunda-feira, setembro 05, 2005
De má fé...

Realizou-se hoje, dia 5 de Setembro, a celebração de um múltiplo protocolo com várias associações (sete para ser exacto, mais uma que se recusou a assinar) do concelho de Silves: motoqueiros, escutas, caçadores, enfim, sete novas associações cujos objectivos programáticos são diversos, mas que desenvolvem actividade local. Todas elas, incluindo a que se recusou a assinar o protocolo, necessitavam de um espaço, de uma sede. Após contactos prévios, pelo menos num dos casos que bem conheço, foi acordada verbalmente uma fórmula de relacionamento, um projecto de protocolo que chegara ao ponto que é comum chamar de consensual. A Câmara Municipal, proprietária de várias escolas primárias desactivadas, acordava a cedência destes espaços às associações, comprometendo-se (pelo menos no caso que conheço) às reparações mínimas necessárias à sua instalação, já que muitas destas escolas estão em ruínas ou foram vandalizadas, não possuindo actualmente quaisquer condições de acolhimento. Entre outras coisas. Esse era o pressuposto básico. Mas não foi isso que vieram a saber por fax, poucos dias atrás. As regras do jogo tinham mudado. O que ali vinha proposto não é próprio de alguém de boa fé. Senão vejamos: 1º - o espaço é cedido por 1 ano, podendo a C.M.S., com a antecedência de trinta dias, comunicar a sua suspensão à colectividade (pode alguém pensar programar algo, seja benfeitorias ou qualquer outra coisa, tendo como horizonte temporal um ano?); 2º - pelas obras realizadas no espaço, carecem de autorização prévia da C.M.S. e dessas benfeitorias de manutenção (muitas, porque, recorde-se, estão todas em muito mau estado), não são passíveis de indemnização; encargos de “(…) água, luz, telefone, e outras despesas decorrentes da utilização do imóvel, bem como licenças que se mostrem necessárias (…)” são da responsabilidade da colectividade; finalmente, e esta é quanto a mim a condição mais surrealista, é que se o acordo/protocolo entre as partes for anulado, não existe direito indemnizatório a ninguém, senão à Câmara, e atente-se na subtileza, caso a colectividade abandone o local não o deixando “(…) nas condições adequadas ao seu normal e regular uso como escola.” O que actualmente não acontece em nenhuma delas! Ou seja, ganda negócio para a Câmara! Sim senhor, assim é que se apoiam verdadeiramente as colectividades locais e, a um mês das eleições, se enchem os jornais locais com este tipo de notícias de que todos gostam. Será que as colectividades ali presentes, co-assinantes deste exemplar protocolo, se deram conta do caldinho em que se meteram? Se a Drª Isabel Soares continuar a ser presidente da câmara por certo irão saber! (sobre este assunto, aliás, temos história recente, seja o caso do CELAS ou da Sociedade de Instrução e Recreio de S. Marcos da Serra, ambos em tribunal).
Realmente, desta Câmara não temos ponto sem nó!
Realmente, desta Câmara não temos ponto sem nó!
Mais civismo, por favor!
Silvenses ou outros, seja lá quem for! Por favor, mais civismo. Por mais "apertadinhos" que estejamos, isto não é um urinol/sanita públicos! São as escadinhas de acesso ao jardim do Mirante que o Polis reabilitou. Local de passagem de muitos turistas, como hoje constatei. É assim que cuidamos do que é nosso? domingo, setembro 04, 2005
A gerador...

Ponto alto do programa das comemorações do dia da cidade de Silves era a inauguração da obra de requalificação/restauro do Teatro Mascarenhas Gregório. Ainda não tinham sido reabertas as suas portas e já a polémica se instalara (Local & Blogal). Fui um dos muitos silvenses que não tiveram a honra de receber um convite da C.M.S.. Cidadão anónimo, candidato pela oposição às próximas autárquicas, director de um museu da cidade, um dos que fazendo parte da Associação de Defesa do Património lutou pela reabilitação deste espaço cultural e defendeu o nome do arquitecto que o veio a restaurar, não poderia alimentar esperanças de fazer parte do restrito grupo de vips que receberam convite. Mas, curioso como estava de ali poder voltar e ver o que tinha sido realizado, como bom português torneei o problema. Muni-me de um dos muitos convites que circulavam na candonga. E assim dei a volta à intimidante segurança, cujos rostos me eram familiares, e entrei na restrita sala. O que vi,digo-o já, não me agradou. E começo a enumerar. Não me agradou ver um teatro inaugurado a gerador, ver uma plateia cheia de rostos desconhecidos, forasteiros, alguns pela primeira vez ali entrados. Na sala do teatro os Mendes Bota, as autoridades civis e militares, os não sei o quê daqui e dacoli, e eu. Por pouco tempo, porque o calor era insuportável, a companhia também. Lá fora, no auditório exterior, espaço agradável, o povinho. Ao princípio sem som no écrãn que reproduzia o que se passava na sala, lá se via o maestro Vitorino de Almeida gesticulando, mudo, desconhecedor do que se passava lá fora, onde o barulho do gerador criava agradável envolvência. Até que parou. Longos minutos de silêncio a meio do espectáculo, a debandada do povo resmungando. Mas o gerador voltou a trabalhar. E para fazer ouvir novamente a senhora presidente que, apesar de tudo, e já depois de ter botado discurso inicial onde esqueceu tudo e todos - Filármónica, Gruta, anteriores autarcas responsáveis pela aquisição e classificação do imóvel, arquitecto(s) - menos a sua Câmara, não queria deixar fugir-lhe a ocasião para mais uma vez ser a raínha da noite e, em apoteótico final, depois de mais um frouxo e eleitoralista discurso que sempre a arrepia e a comove às lágrimas, fazer-se doar de um magnífico ramo de flores e ouvir da boca dos seus mais fiéis funcionários, elogios e encómios que fariam pensar, ao comum dos ouvintes, que ela própria andou a carregar baldes de massa durante a obra. O nervoso era tão miudinho, era tanta a escandaleira, que o seu assessor ("yes-man"), a esta cidade chamou vila. São gaffes, são gaffes de quem faz inaugurações a gerador, duma obra que tem, pelo menos, mais um mês de trabalho pela frente, no mínimo. Mas isso é tarde demais para quem tem sobre o seu horizonte imediato o dia 9 de Outubro próximo.
P.S.- Seria injusto terminar sem uma palavra de apreço pelo excelente espectáculo que o maestro Vitorino de Almeida preparou. Pérolas para..., já que o programa integrou, não só bonitas interpretações de temas clássicos de Beethoven a Debussy, como declamação de poemas de alguns dos grandes poetas portugueses: Pessoa, Régio, Ary, Gedeão...
sábado, setembro 03, 2005
Mais um 3 de Setembro!

Hoje é dia 3 de Setembro, dia da cidade de Silves. É feriado municipal. Para quem eventualmente não saiba, a data escolhida relaciona-se com a primeira conquista cristã da cidade aos mouros, em 1189, durante o reinado de Sancho I. Com a colaboração dos cruzados de caminho para a Terra Santa, esta foi uma uma daquelas vitórias psicológicas para o reino de Portugal, por se tratar de uma cidade importante, bem no coração do que restava do Garb al-Andalus e afastada geograficamente das fronteiras criadas pela reconquista; uma violenta vitória também, pelo prolongado cerco estival (mês e meio) que submeteu sitiantes - mas sobretudo os sitiados - ao duro verão silvense; e uma humilhante rendição da cidade, então pujante de vida e civilização, face à ganância, despudor e barbárie demonstrados pelo invasor.
Não concordo, no que sou acompanhado por outros ( veja-se o que escreve o meu amigo António no Local & Blogal de Julho de 2003 http://blogal.blogspot.com/2003/07/o-3-de-setembro-o-qu-afinal.html), na enfâse ainda dada quando alguns se referem a este dia como «... os 800 e tal anos da conquista de Silves aos mouros». Felizmente este ano, as referências foram mais ténues. Que assim vá sendo, é o que sinceramente espero. Não nos podemos dar ao luxo, neste mundo dividido em que vivemos, de celebrar confrontos passados que, mesmo sem talvez hoje totalmente entender, ainda parece terem deixado feridas. Contraditoriamente, no entanto, de modo às vezes folclórico, outras vezes nostálgico, enchemos a boca desse passado glorioso, revivendo-lo em recriações, homenagens ou geminações que mais não são, quiçá, que uma qualquer catarse colectiva da nossa própria frustração quotidiana.
Posto isto, quero ainda dizer que me agradou o programa das actividades programadas para o dia, das quais destaco: lançamento de uma revista (a prestigiada "Monumentos" da D.G.E.M.N.) dedicada à cidade, a inauguração do aguardado Arquivo Histórico e do ainda mais aguardado e querido Teatro Mascarenhas Gregório que agora renasce para a sua missão cultural com um concerto pelo maestro Vitorino de Almeida. Nem todos os dias temos programas assim!
sexta-feira, setembro 02, 2005
quinta-feira, setembro 01, 2005
É pouca vergonha...

Não, não se trata de nenhuma imagem retirada ao último Boletim Municipal, o que aliás é publicação aguardada e que já deveria ter visto a luz do dia em Junho passado, fosse respeitada a sua habitual publicação semestral. Qual quê, as autárquicas em Outubro mais ordenam e atrasaram-lhe a saída para um quase certo, quanto mais conveniente, mês de Setembro. Já assim foi em 2001 em edição de Novembro com o dobro da paginação, papel couchet, profusão fotográfica... Quem pagou? E cheio de promessas, grandes promessas que se renovam agora, mesmo que repetidas. É o caso da imagem que acima parcialmente reproduzo, a duas páginas, e que o meu scanner não conseguiu totalmente digitalizar, tal a sua "generosidade"! E o que é? Adivinharam? Não, pois claro, não existe! É um sonho, aguardando materialização deste velho plano para o Jardim público de S. Bartolomeu de Messines, agora nova e repetidamente prometido em também muito generoso outdoor a que nos referimos em post anterior. Dizia-se nesse boletim municipal de 2001 (será que devo mesmo continuar a chamar-lhes assim??) que se «aguarda pela escritura do terreno para proceder à abertura do concurso público». Entretanto passaram quatro anos e a única alteração visível, não são verdes árvores com essa idade, é um descarado painel que, silencioso e manhoso, nos quer a todos fazer passar por parvos!
domingo, agosto 28, 2005
E se Silves fosse Lisboa...
Acabadinho de chegar a Silves, depois de umas retemperadoras férias outdoors, quase totalmente alheio às novidades locais e nacionais, vinha esfomeado por notícias. Jornais televisivos e outros nacionais, imprensa local ou regional, tudo devorei. Em termos nacionais a coisa andava pelo mesmo: os trágicos incêndios. O país estava a fogo, só falta estar a ferro, conforme o dito popular. Novidades, novidades (aqui exagero), só no que diz respeito ao meu concelho, a Silves. "E se Silves fosse Lisboa- pensei..., a escandaleira que para aí ía!" Vejam só: em 15 dias ficámos a saber que uma estação arqueológica romana classificada desde 1997, em Vila Fria, tinha sido puramente arrasada e as lagoas decorativas que integram o futuro campo de golfe cheias com água retirada aos sacrifícios pedidos a todos nós. Os infractores, a Câmara Municipal e o empreendimento, alegam desconhecimento. Imaginem ao que chegámos! Sitío classificado como "imóvel de interesse concelhio", para cujo início de obras o Instituto Português de Arqueologia pediu explicações à Câmara ainda em 18 de Abril!(o que é querem, quando estas coisas acontecem, e começam a não ser raras, sempre me lembro das entusiásticas como ridículas declarações da nossa presidente Isabel Soares prometendo fazer desta cidade "Património Mundial" e "Capital Cultural").
E a água que já não chega a muitos dos pomares da nossa famosa laranja mas vai servindo para estas lagoas artificiais, primeiro em Vila Fria, mas já vem aí também a Lameira. Mas há mais...
Messines, terra que nos últimos tempos muito sofreu às mãos do executivo camarário PSD, foi mais uma vez humilhada; essa é a palavra para o que ali vai sucedendo. Não bastavam as autoritárias e disparatadas alterações ao trânsito local, a mais que discutível obra da Avenida João de Deus, a destruição da carismática Casa Contreiras, faltava agora a C.M.S. vir colocar quatro painéis publicitários pagos com o dinheiro de todos nós para anunciar obras que não foi capaz de realizar durante os passados oito anos e para as quais não tem (das duas uma - e no caso do largo das Feiras das duas são mesmo duas), nem projecto aprovado nem verba suficiente orçamentada. Veja-se este caso (fonte: Orçamento Municipal para 2005): Largo das Feiras= 5 mil euros (será o valor do design e colocação deste outdoor?- não andará longe). Veja-se o caso da Escola Primária cujo terreno em que se propõe a sua realização ainda é privado. São, honestamente, obras para concluir nestes dois meses que falta para o fim de um mandato?! É eticamente responsável quem usa os meios camarários, a todos pertencentes, em seu próprio benefício?! Ah, se isto fosse Lisboa, Felgueiras, Marco de Canaveses, sei lá!.... Mas há mais...
E o Depósito de Combustíveis em Campilhos (Messines) em cima de um bairro residencial?Questionada em reunião camarária de 3 de Agosto a Srª Presidente nada sabia, apesar da carta de protesto enviada pelos moradores em 11 de Julho! Estes Correios!!
Mas há ainda mais, muito mais, embora isso fique para outra ocasião....
Ah! se isto fosse Lisboa
sábado, agosto 27, 2005
Em jeito de editorial...
Desde cedo acompanho o fenómeno da explosão dos blogs em Portugal. Sou assíduo leitor de alguns deles. Constituem um espaço de livre expressão sem precedentes e cujas consequências político-culturais estão longe de ser avaliadas ou compreendidas. Nunca, até aos dias de hoje, alguém teve a capacidade de transmitir e partilhar o que sente e pensa com tantos outros indivíduos, denunciando situações, influenciando opiniões, enfim, produzindo ou contribuindo para produzir o que é vulgar chamar opinião pública. Embora goste de partilhar o que penso, sou preguiçoso quando escrevo. Por isso este tardio blog. Mas circunstâncias de ordem pessoal, concretamente o facto de finalmente ter decidido empenhar-me na vida política activa (porque passiva era um vício de todos os dias), no caso as eleições autárquicas, levam-me a esconjurar um dos meus piores defeitos, já referido, o de poucas vezes comunicar por escrito o que penso.A política começa em casa, e porque gosto de falar do que realmente sei, limitar-me-ei, na medida do possível e da minha indignação, a escrever sobre a terra onde vivo e trabalho, o concelho de Silves (Algarve).
Saco dos Desabafos foi o nome que resolvi dar a este espaço. É sempre complicado nomear algo, sobretudo quando o que nos impele pode ser adjectivado de tantas formas: indignação, raiva, descrédito, tristeza, pasmo, repúdio, enfim, emoções pouco desejadas embora possam ser construtivas. Mas nem sempre será assim, não queremos fazer deste blog um Saco de Lamentações. Também nos motivará a vontade de aplaudir, sem preconceito, sempre que a ocasião se proporcionar. Mas essas serão, certamente, ocasiões mais raras. Porque, como diz o poeta, que me perdõe a abusiva paráfrase, assim como o sonho comanda a vida, é a crítica negativa que está na raiz, comanda e inspira este "Saco dos Desabafos". É a minha terapia, mas também a minha contribuição ao debate municipal. É, afinal, a partilha com os conterrâneos do que me vai na alma, do que penso, na esperança de inspirar o debate, a discussão, da qual se poderá fazer, esperemos, alguma luz. Estou consciente da utopia de algumas destas presunções, mas que seria de todos nós sem a Utopia. Por ela, por nós, por Silves, peço aos que me lerem, desabafem comigo para este meu e vosso grande Saco dos Desabafos!
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