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domingo, outubro 16, 2011

Ação cívica de cidadania ativa - caiação da ponte velha de Silves



Um terço da ponte estará caiada, e parte das silvas e das canas que a envolviam, e até escondiam, cortada. Foi um trabalho hercúleo, e atrevido, para os 11 bravo(a)s que responderam de forma alegre e entusiástica ao apelo. Pena que entre os bravos, a maioria nem fosse silvense! Sintomático!
Foi, também, e por coincidência, uma forma de contribuirmos na manifestação global do dia 15, por uma mudança de paradigma nesta sociedade adormecida e apodrecida, à espera de algo que não constrói por si. Espera que os medíocres órgãos representativos, por si eleitos, os substituam. E mesmo quando estes falham, como é o caso, não fazem como o vulgar cliente que face ao mau serviço reclama: não, comem e calam e, pior ainda, criticam quem reclama e toma a iniciativa.  A situação assume, por aqui e não só, contornos "clínicos" no que à cidadania respeita e ao grau de desinteresse de alguns.
Preservar e conservar um monumento de interesse concelhio (o que, aliás, a lei do património diz caber a qualquer um de nós), há sete anos completamente abandonado, em riscos de ruir (digo eu que por debaixo dela estive), que no passado teve seis arcos e agora mal vemos três (os outros parece que são propriedade privada!), ex-libris de uma cidade que nem a pinta (ou caia), alvo do vandalismo e dos graffiters, é agora, infelizmente, preocupação inusitada. Ninguém pode reclamar, seriamente, o desassoreamento do rio Arade e  deixar chegar ao estado a que chegou a ponte histórica que o atravessa, o assoreamento dos seus arcos, a lixeira e o desleixo que os seus vãos encobrem. Fogões, esquentadores, bicicletas, garrafas e plásticos aos quilos, árvores, silvas, canas e, sei lá, tudo cresce debaixo de um dos mais antigos, e visíveis, monumentos da cidade. Mas como por cá se diz, "longe da vista, longe do coração"...
No próximo sábado lá voltaremos, para tentar devolver-lhe a dignidade perdida. Pode não ser suficiente, depende dos "contribuintes", mas como alguém já disse, "Roma e Pavia não se fizeram num dia"!

P.S. - Entretanto, saíram os primeiros ecos na comunicação social, no Sul Informação.
E algumas fotografias, também do mesmo jornal.

quinta-feira, setembro 29, 2011

Alguém quer saber?



Penso, e entristeço-me, porque enquanto a maioria dorme (literalmente e não só), outros que são os nossos filhos destroem a memória e o património que fomos reunindo e dão identidade ao sítio em que todos nasceram ou vivem. A praga espalha-se por Silves, e ninguém quer saber, inclusive os diretamente afetados: não digam que as autoridades não fazem nada quando, sabendo quem são os que isto fazem, não podem atuar por não existirem queixas por parte de quem é lesado.
E no caso da imagem, o painel de azulejos da silvense Maria Keil, fomos todos nós. Qualquer um poderá, por isso, fazer queixa às autoridades, inclusive o município que, só não o faz (sei eu), por desleixo e opiniões de alguns que por lá andam!!

sábado, junho 04, 2011

E a luta continua!

Mais uma vez, agora no Museu de Portimão, durante o encontro "O Mundo do Trabalho no Sul de Portugal", procurámos apoios e ideias nesta difícil luta em prol do património cultural local: a Fábrica do Inglês e o seu Museu/arquivo da Cortiça, peças fundamentais da identidade histórico/industrial da cidade de Silves.
Aqui fica à vossa disposição a apresentação que realizei, infelizmente sem os comentários ao vivo e as encorajadoras reacções dos presentes.

sábado, maio 21, 2011

Encontro "O Mundo do Trabalho no Sul de Portugal" - dias 3 e 4 de Junho no Museu de Portimão

Realiza-se nos próximos dias 3 e 4 de Junho, no Museu de Portimão, o encontro com o título em epígrafe.
O Museu da Cortiça de Silves também vai lá estar com uma comunicação com o título "Património industrial corticeiro em risco: o caso da Fábrica do Inglês".
Deixo-vos com o programa e a ficha de inscrição (gratuita).

terça-feira, abril 19, 2011

A propósito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Na passada segunda-feira, dia 18 de Abril, foi Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Por coincidência, ou não, terminei nesse dia o resumo para a apresentação que irei fazer no Encontro de Portimão, do próximo dia 3 de Junho, subordinado ao tema "Áreas industriais e comunidades operárias".
Irei aproveitar para, mais uma vez, dar voz ao abandonado e silencioso Museu da Cortiça e ao seu espaço vital, a Fábrica do Inglês.
Aqui deixo o aperitivo: 

PATRIMÓNIO INDUSTRIAL CORTICEIRO EM RISCO: o caso da Fábrica do Inglês
 Aquele que é o mais bem preservado núcleo do património corticeiro português do século XIX, quiçá também mundial, está hoje em risco de degradação e abandono.
Não exageramos, já que a Fábrica do Inglês, em Silves, conserva em várias aspectos características que fazem deste conjunto um exemplar único entre a herança industrial corticeira neste país, actual líder destacado no sector. No que respeita à sua arquitectura, no essencial hoje preservada, e já de si inédita no mundo industrial oitocentista; no que respeita à tecnologia, testemunha da passagem da manufactura para a maquinofactura, com exemplares únicos ou raríssimos da evolução da transformação da cortiça; no que respeita à memória documental, ou de arquivo, seja pelas peças artesano/industriais que possui, seja pela antiguidade e importância da sua documentação escrita que remonta aos inícios do último quartel do século XIX. Enfim, pelo facto de se constituir como última memória dum passado industrial duma cidade que se notabilizou pelo seu movimento operário e político durante o Estado Novo.
A Fábrica do Inglês e o seu museu é tudo isso. É assim urgente acudir à sua eventual degradação perante as dificuldades financeiras da sociedade anónima que a detém. Ainda que tenha sido esta, em boa hora, quem acorreu à preservação de um património em vias de se perder, aliando então de forma praticamente inédita a cultura ao turismo/lazer, é hoje evidente que a mesma sociedade já não possui a capacidade para o fazer. A recente classificação da Fábrica do Inglês como imóvel de interesse concelhio, embora aquém da importância que verdadeiramente tem, confere-lhe porém, um estatuto de protecção que deverá ser agora utilizado pelas autoridades públicas, designadamente a Câmara Municipal de Silves, mas não só, para colocarem a salvo aquilo que é, no meu entender, um património histórico/industrial que não podemos, neste Portugal da cortiça que somos, nos dar ao luxo de perder.

sexta-feira, julho 03, 2009

Lagoa dos Salgados, mais uma vez

por Elisabete Rodrigues, Barlavento
Reproduzo adiante, o comentário ao comunicado da Almargem publicado no Barlavento-on-line, e com o qual totalmente me solidarizo, enquanto cidadão e vereador não permanente na Câmara Municipal de Silves.
O Executivo Permanente do PSD neste concelho, irmanado com os seus "companheiros" de Albufeira, continuam de olhos vendados quanto aos sucessivos atentados a este espaço ecologicamente notável. Basta referir que até hoje, e numa sucessão de más notícias que tem uma média trimestral, a CMS nunca emitiu qualquer comunicado manifestando a indignação pelo tratamento que este espaço no concelho de Silves tem tido.
Problemas no Gabinete de Comunicação Social da Presidência ou questões de prioridade?
Aqui fica a notícia completa:

Salt Beach Club afecta Lagoa dos Salgados, denuncia a Almargem
por elisabete rodrigues

Lagoa dos Salgados
As obras de terraplanagem do Salt Beach Club, que irá funcionar durante um mês de Verão na zona da Lagoa dos Salgados (Silves), já se iniciaram, «levando à movimentação de terras, corte de vegetação e perturbação geral do ambiente local», denunciou hoje a Almargem.

TEMAS: Ambiente

O espaço de animação nocturna vai funcionar entre 18 de Julho e 22 de Agosto, à semelhança do Sasha Beach da Praia da Rocha.

A Associação Almargem faz questão de dizer que «nada tem contra a realização de eventos culturais e musicais que possam contribuir para complementar a estadia dos muitos milhares de veraneantes que por esta altura procuram o Algarve».

Mas sublinha «que tais eventos não podem é pôr em causa valores que vão muito para além de algumas noites bem animadas».

A Almargem considera que a Lagoa dos Salgados e a região envolvente (Dunas da Praia Grande, Sapal de Pêra) «já há muito deveria ter sido transformada numa reserva natural, tendo em conta a sua importância, sobretudo, para diversas espécies de aves aquáticas».

«Este é um facto reconhecido internacionalmente, pois são inúmeros os “birdwatchers” que vêm expressamente ao Algarve para observar aves nesta zona», acrescenta a associação.

«Infelizmente, as entidades responsáveis têm vindo a olhar para a Lagoa dos Salgados e Praia Grande apenas como um factor valorizador de um futuro mega-empreendimento turístico que pretende aqui instalar mais um campo de golfe e habitações para cerca de quatro mil pessoas», sublinham ainda os ambientalistas.

«A própria Lagoa possui problemas gravíssimos - poluição da água, alagamento sistemático do campo de golfe já existente há algumas décadas e que foi construído no próprio leito de cheia - o que tem levado a sucessivas intervenções de esvaziamento da lagoa, com consequências dramáticas para a sobrevivência das aves e outros animais ali existentes», frisam.

Enquanto este «projecto insustentável de ocupação urbano-turística da zona da Praia Grande não avança, o abandono, a degradação e a utilização do local para actividades com significativo impacto ambiental, têm constituído uma estratégia consciente, com vista a tentar reduzir ao mínimo os valores naturais existentes», acusam. E «o Salt Beach Club insere-se claramente nessa estratégia», acrescenta a associação.

A terminar, a Almargem apela à Câmara Municipal de Silves e às restantes entidades com jurisdição sobre a zona, «para que reconsiderem, de uma vez por todas, o que querem realmente fazer do futuro da Lagoa dos Salgados, da Praia Grande e do Sapal de Pêra».

«Em vez de mais um falso paraíso de betão, palmeiras e golfe, igual a tantos outros, por que não ter a coragem de transformar esta região num parque ecológico de projecção e reconhecimento internacional?», interroga a mais importante associação de defesa do ambiente do Algarve.

Concluo, citando o Presidente da República durante o discurso de inauguração das obras de "requalificação" do Castelo de Silves:

“É um grande investimento, num concelho que tem sido capaz de criar a sua competitividade turística, com a aposta na cultura e que se tem vindo a afirmar como pólo de atracção cultural de qualidade ambiental”.

Quem sou eu para o desdizer?!

P.S.- E se não bastasse, hoje dia 12 de Julho, é notícia a mortandade de peixes.

Inaugurações?!

segunda-feira, setembro 22, 2008

Ela merece(ía)...não fosse tudo já passado

P.S.(Nota prévia) - Este foi o post que fiz em 22 deste mês. Cá fica, mas com este pré-aviso. Foi tudo um imenso equívoco espalhado à velocidade da luz, aquela em que funciona a Internet. Tudo se passou, ainda assim, mas passaram já alguns anos. Leiam a explicação completa aqui. E aceitem as minhas desculpas, pela desinformação em que participei.
Sobre Maria Keil, a silvense, uma das maiores artistas do séc. XX português, que revitalizou a nossa tradição no azulejo, já antes escrevi, aqui e aqui.
O post de hoje, ainda que atrasado, serve para denunciar um dos maiores atentados ao património perpetrados nos últimos tempos, por uma empresa portuguesa, que até é pública, e um dos maiores atentados também à dignidade humana e artística, que mais me repugna por ter Maria Keil como vítima. Logo ela, um exemplo em muitos aspectos. Outro fosse, um daqueles que hoje fazem as vernissages da moda, e as indemnizações jorrariam aos milhões.


Mas passo a palavra aos autores da petição on-line que reclama a reposição dos painéis destruídos pelo Metropolitano de Lisboa (constantes dos livros de história da arte por onde estudei e não só), e que não indemnizou a autora simplesmente por esta os não ter vendido, mas sim oferecido. Truques de advogado, mas que ainda assim não respondem a outra questão: e quem indemniza os portugueses pela destruição daquele património colectivo?


Leiam o texto da Petição, e se assim entenderem, assinem aqui (em dois dias os números ultrapassaram já o primeiro milhar!, embora ainda hajam relativamente poucos silvenses):


Para: Metropolitano de Lisboa
Maria Keil (gosta que a tratem apenas por Maria) nasceu na cidade de Silves, em 1914. Partilhou a maior parte da sua vida com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, com quem se casou, muito jovem, em 1933. De lá para cá fez milhares de coisas, sobretudo ilustrações, que se podem encontrar em revistas como a “Seara Nova”, livros para adultos e “toneladas” de livros infantis, os de Matilde Rosa Araújo, por exemplo, são em grande quantidade. Está quase a chegar aos 100 anos de idade de uma vida cheia, que nos primeiros tempos teve alguns “sobressaltos”, umas proibições de quadros aqui, uma prisão pela PIDE, ali... as coisas normais para um certo “tipo de pessoas” no tempo do fascismo. Para esta “história”, no entanto, o que interessa são os seus azulejos. São aos milhares, em painéis monumentais, espalhados por variadíssimos locais. Uma das maiores contribuições de Maria Keil para a azulejaria lisboeta, foi exactamente para o Metropolitano de Lisboa. Para fugir ao figurativo, que não era o desejado pelos arquitectos do Metro, a Maria Keil partiu para o apuramento das formas geométricas que conseguiram, pelo uso da cor e génio da artista, quebrar a monotonia cinzenta das galerias de cimento armado das primeiras 19, sim, dezanove estações de Metropolitano. Como o marido estava ligado aos trabalhos de arquitectura das estações e conhecendo a fatal “falta de verba” que se fazia sentir, o Metro lá teve de pagar os azulejos, em grande parte fabricados na famosa fábrica de cerâmica “Viúva Lamego”, mas o trabalho insano da criação e pintura dos painéis... ficou de borla. Exactamente! Maria Keil decidiu oferecer o seu enorme trabalho à cidade de Lisboa e ao seu “jovem” Metropolitano. Finalmente, a história! Recentemente a Metro de Lisboa decidiu remodelar, modernizar, ampliar, etc, várias das estações mais antigas e não foram de modas. Avançaram para as paredes e sem dizer água vai, picaram-nas sem se darem ao trabalho de (antes) retirar os painéis de azulejos, ou ao incómodo de dar uma palavra que fosse à autora dos ditos. A parte “realmente boa” desta (já longa) história é que, ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma sua obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização. Pergunta-se “porquê? Porque na Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma... exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!! Este crime silencioso não pode continuar impune. Pior do que o crime em si será o (nosso) silêncio à sua volta. Como tal os abaixo assinados exortam o Conselho de Gerência do Metropolitano de Lisboa a, rapidamente, deligenciar obter os desenhos dos painéis destruídos e mandar executar, à empresa que produziu (a Viúva Lamego) novos painéis. Com todo o respeito, os abaixo assinados.
P.S.- Voltei a revisitar este sítio com uma conversa com MK e... emocionei-me (liguem o som).

domingo, junho 29, 2008

Herança Polis

(clique para ampliar)
Não é novidade para ninguém quanto sou crítico do Programa Polis de Silves.
E neste espaço tenho deixado ficar alguns do meus desabafos quanto à sua execução. Aquela que poderia ter sido uma belíssima oportunidade de requalificar a cidade, de apontar caminhos novos, corrigir problemas antigos, preservando a matriz histórico/cultural da velha capital do Algarve, tem antes feito a vida dos habitantes num inferno (com algumas excepções, reconheça-se). E está aí para durar, pelo menos por mais dois anos, a contar já a partir de terça-feira (veremos se é desta que há vergonha na cara e retiram, de uma vez por todas, o relógio do Countdown). Aquela que era a obra principal deste Polis, a Requalificação Urbana do Centro Histórico, será a última a ser terminada, se é que o será!
Mas o que vos trago hoje, embora se prenda com tudo isto, relaciona-se com a questão do trânsito. O Polis e o novo Plano de Urbanização de Silves realizaram um estudo sobre mobilidade e trânsito no espaço urbano (ver imagem acima) e que tinha, como ideia base, reconfigurar percursos procurando retirar trânsito rodoviário do centro da cidade e promover a pedonalização de algumas artérias. Até aqui tudo bem. O problema é que quem o fez parece conhecer mal a cidade e a forma como nela se circula, alterando sentidos, circulação de duas para uma via, enfim, fazendo experiências quando bem e como entendeu, não nos dando qualquer cavaco (leia-se informação). Pior, deixou a sinalização vertical tal como estava (como as imagens adiante documentam), gerando o caos entre os que nos visitam, como tenho inúmeras vezes presenciado. Em alguns dos casos, esta sinalização induz mesmo a procedimentos ilegais, enviando os mais incautos por ruas de sentido proibido.

Nesta questão, a da circulação e sua sinalização na cidade de Silves, o Polis ou seja lá quem decide sobre tudo isto, só piorou o que havia.
E isso não pode acontecer!




Largo de Nª Sª dos Mártires
Quem seguir estas indicações, arrisca-se a não chegar a nenhum dos destinos indicados (sentido proibido 500 metros adiante), e a regressar aonde partiu.










Lampião
E quem estas seguir é induzido a cometer uma ilegalidade (sentido proibido).

sábado, maio 17, 2008

Alguma sensibilidade, p.f.



Primeiro foi a colorida pintura realizada em finais de 2005.



Corrigida a situação, agora é toda uma faixa partidária que esconde um dos principais motivos decorativos deste histórico edifício, o seu varandim em ferro.

Amanhã o que será? Um anúncio luminoso em néon?

Será o Iraque?

A pouco mais de um mês do carísssimo e inútil relógio que realiza o "countdown" deste Polis ficar a zeros (e ainda se fala neste país em desperdício!), depois de adiada a sua reforma definitiva em finais de 2005 e depois em finais de 2007 (até os relógios têm hoje em dia reformas sistematicamente adiadas!), o balanço dos trabalhos é medíocre. Sobretudo para quem vive na cidade alta, no que é o centro histórico de Silves, naquela que deveria ser a nossa jóia da coroa, o nosso principal cartão de visita.


Começando pela sua entrada, pelo Torreão das Portas da Cidade. Conforme se vê na foto, já nem o outdoor e placa anexa (de muito duvidosa colocação, refira-se) resistem à passagem do Tempo. Mas lá estão, sabe-se lá fazendo o quê, já que nem com óculos graduados podemos ler algo que valha a pena! Enquanto isso, um pouco mais acima, entramos em terreno hostil, quase de guerra, qual Iraque em dia de bombardeamento. Poupadas foram as ruas que servem a câmara e o museu municipal, apressada e atabalhoadamente atamancadas para inglês ver. Mas não é preciso ir muito longe para nos depararmos com o mais triste dos postais. Ruas em terra batida, cheias de buracos e outras armadilhas, entulhos espalhados, tubos de abastecimento de água improvisados.

E até sarjetas tapadas com sacos de plástico para evitar odores nauseabundos, porque nestas obras modernas de requalificação "à Polis" ainda há quem se lembre de ligar condutas pluviais directamente à rede de esgotos!
Enfim, um caos, sem fim à vista, uma cruz para quem ali vive, uma vergonha para quem como eu presenciou a curiosidade e o espanto com que alguns turistas, em passeio por ali, faziam comprometedoras fotografias semelhantes às minhas.

sexta-feira, abril 18, 2008

No Dia dos Monumentos vale a pena lembrar: quem cuida de mim?


Neste 18 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (arqueológicos, históricos, naturais...), vale a pena lembrar a promessa de duas campanhas eleitorais: "...comigo, Silves será candidata a Património da Humanidade!" (Isabel Soares dixit).

Pois bem, aí temos um bom exemplo para integrar a referida candidatura: a Ponte Velha, impropriamente designada por Ponte Romana, Imóvel de Interesse Concelhio. É só mais um, entre os muitos casos de total desleixo pelos monumentos que a autarquia tem sob sua guarda directa, segundo a Lei do Património. Brada aos céus o estado em que se encontra. A autarquia virou-lhe as costas, o Polis assobiou para o lado. E lá está, todos os dias, no estado em que está, para vergonha de todos nós, como péssimo cartão de visita para os turistas (como a foto documenta. Clique para ampliar) que procuram na cidade o património que as brochuras turísticas lhes garantem!

Temos direito à indignação!

quinta-feira, abril 17, 2008

Quem manda nos Salgados?


Por um mail de um responsável da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) fiquei ontem a saber do esvaziamento da Lagoa dos Salgados em plena época de nidificação. Havendo hoje reunião camarária, perguntei ao vereador do executivo, responsável pelo Ambiente, o que ocorrera. De nada sabia. Para saber tive que ler o Público, o Região Sul ou o Barlavento. E por estes jornais se fica a saber que a CCDR e o Golfe dos Salgados trataram do assunto entre si, conforme documenta a imagem.

Mas afinal, a Lagoa dos Salgados fica ou não no concelho de Silves? ou será que já alteraram os seus limites? Ou, ainda, será que a autarquia de Silves foi contactada e o vereador responsável e todos os outros que fazem parte da Câmara não foram informados? Tanta pergunta!

Não é por nada, mas a situação não me deixa nada, nada satisfeito, quando a sei pelos jornais.

sábado, abril 12, 2008

Nada será como dantes!

© Manuel Alves
Muito se fez, muito se batalhou!
A luta dos moradores de Vale Fuzeiros contra o traçado da linha de muito alta tensão fez correr muita tinta, foi exemplo cívico da força da razão e desencadeou mesmo, atrevo-me a dizer, um novo paradigma no que a este assunto diz respeito. Nada será como dantes nos gabinetes da REN quando projectarem uma nova linha de alta tensão.

Mas também nada será como dantes na paisagem natural da nossa região: património paisagístico perdido é o que esta foto documenta.

Um abraço ao Manuel Alves, um dos sacrificados.


domingo, fevereiro 17, 2008

Maldição do Bispo?

Foto dos anos 30 (séc. XX)
Não, não acredito em maldições, mas parafraseando o conhecido dito..."lá que as há,.. há!" A antiga Sé de Silves, um dos mais importantes edifícios góticos do sul de Portugal, tem estado "amaldiçoada", desde o primeiro momento.

Iniciada a sua construção (após importante querela sobre a sua dependência) nos finais do séc. XIII, inícios do seguinte, foi logo em plena obra vítima de dois grandes terramotos que atrasaram a sua conclusão. De tal modo que em meados do séc. XV, em 1458, dizia o bispo D. Álvaro "que auja muj grandes tenpos que a see da djta cidade cayra e que nunca majs fora Redefjcada nem havia hy outra jgreja em que se celebrasem os deujnos ofycyos estava por terminar"(onde é que eu já li isto recentemente?). Pedidos ao rei (não, não era José Sócrates naqueles tempos), viagens de captura de escravos patrocinadas pelo bispo D. Rodrigo Dias do Rego, petições (não, não era o Padre Carlos Aquino), lá foram fazendo chegar algum do dinheiro necessário à sua recuperação, de modo que em 1473 os representantes de Silves às Cortes de Coimbra se congratulam com o fim das obras da ponte e da catedral. A morte em Alvor de D. João II e o seu enterro na capela-mor da igreja, fizeram com que D. Manuel I abrisse os cordões à bolsa e patrocinasse mais alguns melhoramentos. Mas a transferência do bispado em 1577 para Faro relegou o templo de novo para o esquecimento. Será outra vez a destruição provocada pelo Terramoto de 1755 que obrigará o bispo D. Francisco Gomes de Avelar a efectuar importantes obras, hoje visíveis na torre sineira da fachada, na Porta do Sol e outros pormenores do interior. Em 1922, o templo é classificado como Monumento Nacional. No início dos anos 40 do século XX, mais uma vez a velha catedral é intervencionada, desta feita, pela Direcção-Geral dos Edífícios e Monumentos Nacionais que, embora criminosamente sacrificando o belíssimo altar-mor barroco e o órgão, lhe devolve um razoável estado de conservação e um espírito mais próximo à sua simplicidade gótica original.

E chegados ao século XXI o que temos? Um edifício cuja cobertura está em iminente perigo de desabar, vai para dois anos, arrastando, caso isso aconteça, provavelmente consigo outros elementos arquitectónicos importantes, um espaço religioso e cultural praticamente vedado à presença de público, impedido de cumprir a sua vocação, apesar de Monumento Nacional, o mais alto grau de protecção legal instituído pela nossa Lei(?) do Património.

Que podemos esperar de um Estado que assim defende os seus mais importantes monumentos? Se com estes é assim, como estará a política cultural de salvaguarda de outros, relativamente, bem menos importantes? Para que servem as classificações patrimoniais, com os impedimentos legais que acarretam aos proprietários (neste caso a Igreja), se depois se dificultam as intervenções que estes queiram patrocinar?

Será preciso, apesar da parafernália legal existente, que um pároco e uma comunidade se desdobrem em iniciativas públicas e mediáticas para desbloquear um processo que as autoridades tutelares deveriam, em primeiro momento, tomar a seu cargo?

Será preciso?
P.S.- Não podem é dizer que ignoram. Por isso, utilizem os endereços de e-mail abaixo referenciados e façam saber da vossa indignação.
Dr. Elísio Summavielle (Igespar) - igespar@igespar.pt
Dr. José António Pinto Ribeiro (Ministro da Cultura) - gmc@mc.gov.pt
Dra. Paula Fernandes dos Santos (Secretária de Estado da Cultura) - gsec@mc.gov.pt
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Ligações:
- Um artigo com o mesmo título e conteúdo semelhante no jornal Barlavento.
- Página do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (coloquem no último campo este nº de IPA PT050813070003 ) com importantes dados sobre a história e as sucessivas intervenções no templo, até as mais modernas.
- Página do ex-IPPAR.
- Fotos da Igreja, na Wikimedia.
- Página Wikipedia.

domingo, dezembro 02, 2007

Uns escrevem, outros plagiam

Não gosto, aliás, detesto, quando sou plagiado. Já o fui inúmeras vezes. Até hoje, nunca usei das prerrogativas legais que protegem o autor, nestas situações. Não me deu para isso. Em alguns dos casos eram pessoas que nem de plágio tinham ouvido falar! Outros, com obrigação de o saberem, ignoraram simplesmente o trabalho alheio e dele se apropriaram. Basta consultar os textos do Plano Estratégico de Silves do Programa Polis, a página da Câmara Municipal de Silves dedicada à história do Concelho, e outros textos que por aí circulam na Internet para encontrar, ipsis verbis, grandes trechos por mim escritos e que outros por debaixo assinam. Cheguei ao cúmulo de receber de um aluno um trabalho, com supervisão paterna, sobre os monumentos da cidade, cujos textos eram meus. Enfim, já vi de tudo. Mas é diferente este caso. Por vir de quem vem.
Assim, e também sem aviso prévio, embora não fosse difícil fazê-lo (retribuo afinal na mesma moeda), fica aqui a crítica à Drª Gabriela Martins, que o devia saber. Como amiga, como bibliotecária, como pessoa de há muito ligada às coisas da cultura e do direito de autor, não compreendo como pôde usar o texto e as imagens de outrem, e nem sequer o nomear. Como disse, sem aviso prévio, fui surpreendido por texto do seu blogue (imagem que reproduzo acima) em que grande parte do que é escrito são palavras minhas (não referindo já a imagem por mim criada do outdoor), com alterações de pormenor a seu bel-prazer e que, inclusive, acabam por ser usadas para de modo indirecto me acusar (...com a ausência dos Vereadores Permanentes e de toda a Oposição...). Do quê? De não ter estado presente na tal reunião inconclusiva, na manifestação anacrónica e de sentido carácter fúnebre que foi promovida e politicamente manipulada, do princípio ao fim. Acusem-me de politicamente incorrecto, mas que fizeram os messinenses até agora e que estava ao seu alcance? Muito mais fizeram os de Vale de Fuzeiros contra a Alta Tensão e esta ainda está para vir, não o é ainda de facto, como estes cruzamentos de Messines!

Enfim, o protesto aqui é pelo plágio em si, pela surpresa do arbítrio, ademais de alguém que muito recentemente se indignava por aquilo que considerava uso indevido, aproveitamento político, porque alguém usou imagens captadas num espaço que coordena (Casa Museu João de Deus) para dar conta da abertura de uma exposição de pintura, e também da sua presença nela (...reafirmo que não gostei do uso abusivo das imagens da Casa Museu João de Deus , da inauguração da Exposição e de ter sido incluída no mesmo sem o meu prévio aval.Peço aos Autores deste blogue o favor de, no futuro, saberem respeitar o trabalho alheio)....

Faço minhas as palavras da, ainda minha amiga, Gabriela Martins.

Sem outros ressentimentos, falou a minha frontalidade, que quis hoje fazer pública.




segunda-feira, setembro 17, 2007

Mau Material!

(Realizado em Setembro 2006 por lifeonlinetv: http://www.youtube.com/watch?v=btg4yOLvkhQ)

Maldito material!, apetece dizer. Por causa dele já ficámos, o que ficámos, à espera do parque de estacionamento ribeirinho, e agora prega-nos a partida no Tribunal e a quem se quer aproximar da desgraçada da Cruz de Portugal! O problema será mesmo do material ou da Presidente que faz agora um ano, e cito, dizia que "(...) isso não impede os acessos e as entradas". Os acessos ou as entradas?

Pois não, durante um ano não foi inaugurado porquê?! E vai ficar óptimo, continuou dizendo... talvez nas vésperas das próximas eleições ou quando finalmente o espaço em que estas obras se fizeram seja propriedade da autarquia. Porque, e por enquanto, são terrenos privados. E a promessa de permuta (Dez. 2003) já é mais antiga que os trabalhos no local.

Até quando esta pouca vergonha com inaugurações de obras inacabadas?!

Lembro que o "esquisso" de projecto destas obras dava pelo nome de requalificação da iluminação pública envolvente do Tribunal e da Cruz de Portugal, e assim foi submetido ao IPPAR para acelerar decisões.

Conseguem ver a Cruz à noite? E parte do Castelo? Só com óculos com infra-vermelhos! E Viva Silves, Património Cultural da Humanidade!

domingo, março 04, 2007

Se isto é o Futuro?!...


A já famosa "Rua do Futuro" (R. Miguel Bombarda), uma das primeiras obras a que o Polis resolveu publicamente fazer destaque, ao colocar à sua entrada, e em véspera de eleições, uma faixa que dizia algo parecido a o Futuro começa aqui, acabou dando barraca, aliás aguardada.

Fechada para obras como a foto documenta, para a segunda fase (correcção das asneiras que eles fazem e nós pagamos) refazem-se trabalhos mal realizados, com todos os incómodos que isso acarreta. Entretanto, as ruas do Centro Histórico aguardam ainda pela primeira fase.

Entretanto, percebi hoje o alcance desta política camarária que insiste em dificultar a vida àqueles que querem circular pela cidade. Este executivo responde simplesmente ao repto do Secretário de Estado do Ambiente quando recentemente, e a propósito do Projecto de Mobilidade Sustentável, disse: "Vai ficar na história o primeiro município que condicionar o uso de transportes particulares."

Ainda as diferenças...

Se não descubriu as diferenças quando lançámos o concurso a 23 de Outubro de 2006, pode ainda concorrer, porque o objecto do mesmo continua praticamente inalterado.
Inacreditável!






23 de Setembro de 2006



23 de Outubro de 2006


3 de Março de 2007 !