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domingo, outubro 16, 2011

Ação cívica de cidadania ativa - caiação da ponte velha de Silves



Um terço da ponte estará caiada, e parte das silvas e das canas que a envolviam, e até escondiam, cortada. Foi um trabalho hercúleo, e atrevido, para os 11 bravo(a)s que responderam de forma alegre e entusiástica ao apelo. Pena que entre os bravos, a maioria nem fosse silvense! Sintomático!
Foi, também, e por coincidência, uma forma de contribuirmos na manifestação global do dia 15, por uma mudança de paradigma nesta sociedade adormecida e apodrecida, à espera de algo que não constrói por si. Espera que os medíocres órgãos representativos, por si eleitos, os substituam. E mesmo quando estes falham, como é o caso, não fazem como o vulgar cliente que face ao mau serviço reclama: não, comem e calam e, pior ainda, criticam quem reclama e toma a iniciativa.  A situação assume, por aqui e não só, contornos "clínicos" no que à cidadania respeita e ao grau de desinteresse de alguns.
Preservar e conservar um monumento de interesse concelhio (o que, aliás, a lei do património diz caber a qualquer um de nós), há sete anos completamente abandonado, em riscos de ruir (digo eu que por debaixo dela estive), que no passado teve seis arcos e agora mal vemos três (os outros parece que são propriedade privada!), ex-libris de uma cidade que nem a pinta (ou caia), alvo do vandalismo e dos graffiters, é agora, infelizmente, preocupação inusitada. Ninguém pode reclamar, seriamente, o desassoreamento do rio Arade e  deixar chegar ao estado a que chegou a ponte histórica que o atravessa, o assoreamento dos seus arcos, a lixeira e o desleixo que os seus vãos encobrem. Fogões, esquentadores, bicicletas, garrafas e plásticos aos quilos, árvores, silvas, canas e, sei lá, tudo cresce debaixo de um dos mais antigos, e visíveis, monumentos da cidade. Mas como por cá se diz, "longe da vista, longe do coração"...
No próximo sábado lá voltaremos, para tentar devolver-lhe a dignidade perdida. Pode não ser suficiente, depende dos "contribuintes", mas como alguém já disse, "Roma e Pavia não se fizeram num dia"!

P.S. - Entretanto, saíram os primeiros ecos na comunicação social, no Sul Informação.
E algumas fotografias, também do mesmo jornal.

quinta-feira, setembro 29, 2011

Alguém quer saber?



Penso, e entristeço-me, porque enquanto a maioria dorme (literalmente e não só), outros que são os nossos filhos destroem a memória e o património que fomos reunindo e dão identidade ao sítio em que todos nasceram ou vivem. A praga espalha-se por Silves, e ninguém quer saber, inclusive os diretamente afetados: não digam que as autoridades não fazem nada quando, sabendo quem são os que isto fazem, não podem atuar por não existirem queixas por parte de quem é lesado.
E no caso da imagem, o painel de azulejos da silvense Maria Keil, fomos todos nós. Qualquer um poderá, por isso, fazer queixa às autoridades, inclusive o município que, só não o faz (sei eu), por desleixo e opiniões de alguns que por lá andam!!

sábado, junho 04, 2011

E a luta continua!

Mais uma vez, agora no Museu de Portimão, durante o encontro "O Mundo do Trabalho no Sul de Portugal", procurámos apoios e ideias nesta difícil luta em prol do património cultural local: a Fábrica do Inglês e o seu Museu/arquivo da Cortiça, peças fundamentais da identidade histórico/industrial da cidade de Silves.
Aqui fica à vossa disposição a apresentação que realizei, infelizmente sem os comentários ao vivo e as encorajadoras reacções dos presentes.

sábado, maio 21, 2011

Encontro "O Mundo do Trabalho no Sul de Portugal" - dias 3 e 4 de Junho no Museu de Portimão

Realiza-se nos próximos dias 3 e 4 de Junho, no Museu de Portimão, o encontro com o título em epígrafe.
O Museu da Cortiça de Silves também vai lá estar com uma comunicação com o título "Património industrial corticeiro em risco: o caso da Fábrica do Inglês".
Deixo-vos com o programa e a ficha de inscrição (gratuita).

terça-feira, abril 19, 2011

A propósito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Na passada segunda-feira, dia 18 de Abril, foi Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Por coincidência, ou não, terminei nesse dia o resumo para a apresentação que irei fazer no Encontro de Portimão, do próximo dia 3 de Junho, subordinado ao tema "Áreas industriais e comunidades operárias".
Irei aproveitar para, mais uma vez, dar voz ao abandonado e silencioso Museu da Cortiça e ao seu espaço vital, a Fábrica do Inglês.
Aqui deixo o aperitivo: 

PATRIMÓNIO INDUSTRIAL CORTICEIRO EM RISCO: o caso da Fábrica do Inglês
 Aquele que é o mais bem preservado núcleo do património corticeiro português do século XIX, quiçá também mundial, está hoje em risco de degradação e abandono.
Não exageramos, já que a Fábrica do Inglês, em Silves, conserva em várias aspectos características que fazem deste conjunto um exemplar único entre a herança industrial corticeira neste país, actual líder destacado no sector. No que respeita à sua arquitectura, no essencial hoje preservada, e já de si inédita no mundo industrial oitocentista; no que respeita à tecnologia, testemunha da passagem da manufactura para a maquinofactura, com exemplares únicos ou raríssimos da evolução da transformação da cortiça; no que respeita à memória documental, ou de arquivo, seja pelas peças artesano/industriais que possui, seja pela antiguidade e importância da sua documentação escrita que remonta aos inícios do último quartel do século XIX. Enfim, pelo facto de se constituir como última memória dum passado industrial duma cidade que se notabilizou pelo seu movimento operário e político durante o Estado Novo.
A Fábrica do Inglês e o seu museu é tudo isso. É assim urgente acudir à sua eventual degradação perante as dificuldades financeiras da sociedade anónima que a detém. Ainda que tenha sido esta, em boa hora, quem acorreu à preservação de um património em vias de se perder, aliando então de forma praticamente inédita a cultura ao turismo/lazer, é hoje evidente que a mesma sociedade já não possui a capacidade para o fazer. A recente classificação da Fábrica do Inglês como imóvel de interesse concelhio, embora aquém da importância que verdadeiramente tem, confere-lhe porém, um estatuto de protecção que deverá ser agora utilizado pelas autoridades públicas, designadamente a Câmara Municipal de Silves, mas não só, para colocarem a salvo aquilo que é, no meu entender, um património histórico/industrial que não podemos, neste Portugal da cortiça que somos, nos dar ao luxo de perder.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Ou era bruxo...


"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado" foi algo que alguém disse há cerca de 142 anos.
Adivinhem quem? (resposta daqui a alguns dias)

segunda-feira, setembro 22, 2008

Ela merece(ía)...não fosse tudo já passado

P.S.(Nota prévia) - Este foi o post que fiz em 22 deste mês. Cá fica, mas com este pré-aviso. Foi tudo um imenso equívoco espalhado à velocidade da luz, aquela em que funciona a Internet. Tudo se passou, ainda assim, mas passaram já alguns anos. Leiam a explicação completa aqui. E aceitem as minhas desculpas, pela desinformação em que participei.
Sobre Maria Keil, a silvense, uma das maiores artistas do séc. XX português, que revitalizou a nossa tradição no azulejo, já antes escrevi, aqui e aqui.
O post de hoje, ainda que atrasado, serve para denunciar um dos maiores atentados ao património perpetrados nos últimos tempos, por uma empresa portuguesa, que até é pública, e um dos maiores atentados também à dignidade humana e artística, que mais me repugna por ter Maria Keil como vítima. Logo ela, um exemplo em muitos aspectos. Outro fosse, um daqueles que hoje fazem as vernissages da moda, e as indemnizações jorrariam aos milhões.


Mas passo a palavra aos autores da petição on-line que reclama a reposição dos painéis destruídos pelo Metropolitano de Lisboa (constantes dos livros de história da arte por onde estudei e não só), e que não indemnizou a autora simplesmente por esta os não ter vendido, mas sim oferecido. Truques de advogado, mas que ainda assim não respondem a outra questão: e quem indemniza os portugueses pela destruição daquele património colectivo?


Leiam o texto da Petição, e se assim entenderem, assinem aqui (em dois dias os números ultrapassaram já o primeiro milhar!, embora ainda hajam relativamente poucos silvenses):


Para: Metropolitano de Lisboa
Maria Keil (gosta que a tratem apenas por Maria) nasceu na cidade de Silves, em 1914. Partilhou a maior parte da sua vida com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, com quem se casou, muito jovem, em 1933. De lá para cá fez milhares de coisas, sobretudo ilustrações, que se podem encontrar em revistas como a “Seara Nova”, livros para adultos e “toneladas” de livros infantis, os de Matilde Rosa Araújo, por exemplo, são em grande quantidade. Está quase a chegar aos 100 anos de idade de uma vida cheia, que nos primeiros tempos teve alguns “sobressaltos”, umas proibições de quadros aqui, uma prisão pela PIDE, ali... as coisas normais para um certo “tipo de pessoas” no tempo do fascismo. Para esta “história”, no entanto, o que interessa são os seus azulejos. São aos milhares, em painéis monumentais, espalhados por variadíssimos locais. Uma das maiores contribuições de Maria Keil para a azulejaria lisboeta, foi exactamente para o Metropolitano de Lisboa. Para fugir ao figurativo, que não era o desejado pelos arquitectos do Metro, a Maria Keil partiu para o apuramento das formas geométricas que conseguiram, pelo uso da cor e génio da artista, quebrar a monotonia cinzenta das galerias de cimento armado das primeiras 19, sim, dezanove estações de Metropolitano. Como o marido estava ligado aos trabalhos de arquitectura das estações e conhecendo a fatal “falta de verba” que se fazia sentir, o Metro lá teve de pagar os azulejos, em grande parte fabricados na famosa fábrica de cerâmica “Viúva Lamego”, mas o trabalho insano da criação e pintura dos painéis... ficou de borla. Exactamente! Maria Keil decidiu oferecer o seu enorme trabalho à cidade de Lisboa e ao seu “jovem” Metropolitano. Finalmente, a história! Recentemente a Metro de Lisboa decidiu remodelar, modernizar, ampliar, etc, várias das estações mais antigas e não foram de modas. Avançaram para as paredes e sem dizer água vai, picaram-nas sem se darem ao trabalho de (antes) retirar os painéis de azulejos, ou ao incómodo de dar uma palavra que fosse à autora dos ditos. A parte “realmente boa” desta (já longa) história é que, ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma sua obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização. Pergunta-se “porquê? Porque na Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma... exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!! Este crime silencioso não pode continuar impune. Pior do que o crime em si será o (nosso) silêncio à sua volta. Como tal os abaixo assinados exortam o Conselho de Gerência do Metropolitano de Lisboa a, rapidamente, deligenciar obter os desenhos dos painéis destruídos e mandar executar, à empresa que produziu (a Viúva Lamego) novos painéis. Com todo o respeito, os abaixo assinados.
P.S.- Voltei a revisitar este sítio com uma conversa com MK e... emocionei-me (liguem o som).

sexta-feira, abril 18, 2008

No Dia dos Monumentos vale a pena lembrar: quem cuida de mim?


Neste 18 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (arqueológicos, históricos, naturais...), vale a pena lembrar a promessa de duas campanhas eleitorais: "...comigo, Silves será candidata a Património da Humanidade!" (Isabel Soares dixit).

Pois bem, aí temos um bom exemplo para integrar a referida candidatura: a Ponte Velha, impropriamente designada por Ponte Romana, Imóvel de Interesse Concelhio. É só mais um, entre os muitos casos de total desleixo pelos monumentos que a autarquia tem sob sua guarda directa, segundo a Lei do Património. Brada aos céus o estado em que se encontra. A autarquia virou-lhe as costas, o Polis assobiou para o lado. E lá está, todos os dias, no estado em que está, para vergonha de todos nós, como péssimo cartão de visita para os turistas (como a foto documenta. Clique para ampliar) que procuram na cidade o património que as brochuras turísticas lhes garantem!

Temos direito à indignação!

domingo, fevereiro 17, 2008

Maldição do Bispo?

Foto dos anos 30 (séc. XX)
Não, não acredito em maldições, mas parafraseando o conhecido dito..."lá que as há,.. há!" A antiga Sé de Silves, um dos mais importantes edifícios góticos do sul de Portugal, tem estado "amaldiçoada", desde o primeiro momento.

Iniciada a sua construção (após importante querela sobre a sua dependência) nos finais do séc. XIII, inícios do seguinte, foi logo em plena obra vítima de dois grandes terramotos que atrasaram a sua conclusão. De tal modo que em meados do séc. XV, em 1458, dizia o bispo D. Álvaro "que auja muj grandes tenpos que a see da djta cidade cayra e que nunca majs fora Redefjcada nem havia hy outra jgreja em que se celebrasem os deujnos ofycyos estava por terminar"(onde é que eu já li isto recentemente?). Pedidos ao rei (não, não era José Sócrates naqueles tempos), viagens de captura de escravos patrocinadas pelo bispo D. Rodrigo Dias do Rego, petições (não, não era o Padre Carlos Aquino), lá foram fazendo chegar algum do dinheiro necessário à sua recuperação, de modo que em 1473 os representantes de Silves às Cortes de Coimbra se congratulam com o fim das obras da ponte e da catedral. A morte em Alvor de D. João II e o seu enterro na capela-mor da igreja, fizeram com que D. Manuel I abrisse os cordões à bolsa e patrocinasse mais alguns melhoramentos. Mas a transferência do bispado em 1577 para Faro relegou o templo de novo para o esquecimento. Será outra vez a destruição provocada pelo Terramoto de 1755 que obrigará o bispo D. Francisco Gomes de Avelar a efectuar importantes obras, hoje visíveis na torre sineira da fachada, na Porta do Sol e outros pormenores do interior. Em 1922, o templo é classificado como Monumento Nacional. No início dos anos 40 do século XX, mais uma vez a velha catedral é intervencionada, desta feita, pela Direcção-Geral dos Edífícios e Monumentos Nacionais que, embora criminosamente sacrificando o belíssimo altar-mor barroco e o órgão, lhe devolve um razoável estado de conservação e um espírito mais próximo à sua simplicidade gótica original.

E chegados ao século XXI o que temos? Um edifício cuja cobertura está em iminente perigo de desabar, vai para dois anos, arrastando, caso isso aconteça, provavelmente consigo outros elementos arquitectónicos importantes, um espaço religioso e cultural praticamente vedado à presença de público, impedido de cumprir a sua vocação, apesar de Monumento Nacional, o mais alto grau de protecção legal instituído pela nossa Lei(?) do Património.

Que podemos esperar de um Estado que assim defende os seus mais importantes monumentos? Se com estes é assim, como estará a política cultural de salvaguarda de outros, relativamente, bem menos importantes? Para que servem as classificações patrimoniais, com os impedimentos legais que acarretam aos proprietários (neste caso a Igreja), se depois se dificultam as intervenções que estes queiram patrocinar?

Será preciso, apesar da parafernália legal existente, que um pároco e uma comunidade se desdobrem em iniciativas públicas e mediáticas para desbloquear um processo que as autoridades tutelares deveriam, em primeiro momento, tomar a seu cargo?

Será preciso?
P.S.- Não podem é dizer que ignoram. Por isso, utilizem os endereços de e-mail abaixo referenciados e façam saber da vossa indignação.
Dr. Elísio Summavielle (Igespar) - igespar@igespar.pt
Dr. José António Pinto Ribeiro (Ministro da Cultura) - gmc@mc.gov.pt
Dra. Paula Fernandes dos Santos (Secretária de Estado da Cultura) - gsec@mc.gov.pt
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Ligações:
- Um artigo com o mesmo título e conteúdo semelhante no jornal Barlavento.
- Página do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (coloquem no último campo este nº de IPA PT050813070003 ) com importantes dados sobre a história e as sucessivas intervenções no templo, até as mais modernas.
- Página do ex-IPPAR.
- Fotos da Igreja, na Wikimedia.
- Página Wikipedia.

sábado, fevereiro 09, 2008

Nostalgias

Castelo de Silves com neve - 1 de Fevereiro de 1954
(arquivo M.R.)


Armação de Pêra - anos 60
Foto Custódio

quinta-feira, janeiro 31, 2008

In Memoriam

Sociedade de Recreio e Instrução de S. Marcos da Serra
31 de Janeiro de 2008
Noutros tempos, um dia festivo!



domingo, janeiro 13, 2008

Nostalgias

- Praia de Armação de Pêra (anos 60) - Foto Custódio (Silves)

- Chalet de Gregório Mascarenhas em Armação de Pêra- Foto Custódio (Silves)

domingo, outubro 21, 2007

Santos da casa não fazem milagres

Foto António Pedro Ferreira


Santos da casa não fazem milagres, é costume dizer.
Talvez por isso Maria Keil nunca tenha tido em Silves a homenagem que merecia. Já o reclamámos em 2006, sem consequências. Com 93 anos, faz agora a sua primeira exposição retrospectiva no Algarve, mas não em Silves, cidade que a viu nascer. Em Lagos, na exposição «A Arte de Maria Keil», que abriu este sábado, dia 20, às 18 horas, no Centro Cultural daquela cidade, onde é apresentada, pela primeira vez no Algarve, a vasta obra desta artista plástica algarvia, nascida em Silves em 1914.
"Na mostra, são apresentadas 80 obras marcantes do seu percurso, no âmbito do desenho, azulejaria e pintura. No mesmo dia, hora e local, abre «Lagos e o Mar – Histórias Marítimas de Lagos». Trata-se da primeira de duas mostras que abordam a ligação desde tempos remotos entre a cidade de Lagos e os oceanos. Ambas as exposições podem ser vistas até ao dia 31 de Dezembro" (leia-se notícia no Barlavento on-line).

Enquanto aguardamos que a autarquia acorde e nos traga a obra de Maria Keil a Silves, deixo-vos duas ligações sobre esta :
- Um testemunho pessoal de um encontro e uma fotografia, ainda assim, recente.
- Uma visita virtual a uma exposição realizada na Biblioteca Nacional em 2004.
© MCR

segunda-feira, abril 23, 2007

25 de Abril em Silves, onde é?




Quando e onde são as tradicionais Comemorações do 25 de Abril em Silves? Ninguém sabe, talvez porque pela primeira vez, desde há 33 anos, não se realizem ou, oficialmente, a elas não se faça referência especial! Será? Pelo menos assim parece, na ausência de qualquer programa escrito, colocado em cartaz, ou (mais barato!) na página da Internet da autarquia, como a seguir se vê.




Silves, Capital Cultural do Algarve - assim a classificou Isabel Soares em diversas campanhas pré e pós eleitorais - pela mesma pessoa também pseudo-candidata a Património Cultural da Humanidade, é um deserto cultural face a outras autarquias algarvias.

Comparem, só numa breve repescagem, apartidária por sinal, vários programas de actividades:

- em Portimão

- em Albufeira

...e já fora do Algarve, para contemplar também autarquias CDU, do CDS e do BE:

- no Seixal

- em Ponte de Lima

- e em Salvaterra de Magos

Na Agenda Municipal que há dias me chegou, consigo, ainda assim, descortinar algumas iniciativas que se realizam, ou se mantêm, por esta altura: um passeio de barco pelo Arade (no próprio dia 25 de Abril), a exposição de escultura de Xica na Igreja da Misericórdia, a de Alberto Alegria no ex-matadouro, o 1º de Maio na Quinta Pedagógica e, ainda, a que poderá ter maiores resultados práticos: um Intercâmbio com Idosos no dia 27 de Abril. Se bem entendo, pelo título sugerido, iremos permutar por jovens do concelho do Alvito, alguns dos nossos munícipes mais idosos!

domingo, março 04, 2007

Se isto é o Futuro?!...


A já famosa "Rua do Futuro" (R. Miguel Bombarda), uma das primeiras obras a que o Polis resolveu publicamente fazer destaque, ao colocar à sua entrada, e em véspera de eleições, uma faixa que dizia algo parecido a o Futuro começa aqui, acabou dando barraca, aliás aguardada.

Fechada para obras como a foto documenta, para a segunda fase (correcção das asneiras que eles fazem e nós pagamos) refazem-se trabalhos mal realizados, com todos os incómodos que isso acarreta. Entretanto, as ruas do Centro Histórico aguardam ainda pela primeira fase.

Entretanto, percebi hoje o alcance desta política camarária que insiste em dificultar a vida àqueles que querem circular pela cidade. Este executivo responde simplesmente ao repto do Secretário de Estado do Ambiente quando recentemente, e a propósito do Projecto de Mobilidade Sustentável, disse: "Vai ficar na história o primeiro município que condicionar o uso de transportes particulares."

Ainda as diferenças...

Se não descubriu as diferenças quando lançámos o concurso a 23 de Outubro de 2006, pode ainda concorrer, porque o objecto do mesmo continua praticamente inalterado.
Inacreditável!






23 de Setembro de 2006



23 de Outubro de 2006


3 de Março de 2007 !

sábado, fevereiro 10, 2007

Uma História das Arábias

design: Hugo Serôdio

É assim que o jornal Público de hoje titula a notícia sobre a inauguração do reabilitado edifício do ex-matadouro de Silves, divulgando em primeira mão a intenção do Centro de Estudos Luso-Árabes entrar com uma queixa em Bruxelas, a par da que já interpôs no Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé.

Aqui ficam os links para as notícias:

- Uma história das Arábias (Idálio Revez, Público, 10.02.2007)

-Casa da Cultura Islâmica em Silves já gera polémica (Idálio Revez, Público, 10.02.2007)
(por já não estarem on-line, senão para assinantes, sugiro que as consultem no Guia de Silves, Revista de Imprensa, Público, Notícias de 2007)
Sobre os pormenores da inauguração, que ocorre hoje, pode ler no Região Sul.

Sobre aquilo que já escrevemos ou outros escreveram sobre este bizarro assunto, leia-se ainda:

- Há polémica a propósito do Celas (por Baeta Oliveira, 13.05.2005)


- Celas ganha acção judicial contra a Câmara (por Manuel Ramos, 17.12.2005)
E já no rescaldo da inauguração, O Antigo Matadouro abriu ao Público (por Baeta Oliveira).

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Apoiar não chega


A propósito de uma notícia do Barlavento on-line intitulada Câmara Municipal de Silves apoia o Festival Internacional de Vídeo do Algarve apetece-me desabafar o seguinte.
Óptimo, ainda bem que a autarquia de Silves e outras instituições continuam a apoiar este importante evento do calendário cultural algarvio, organizado desde 1987 pelo prestigiado Racal Clube, e ultimamente com a colaboração da Escola Secundária de Silves. Agora, e conforme titulo, apoiar só não chega. Este patrocínio institui o Prémio CMS Jovem, de tema livre mas obrigatoriamente relacionado com uma realidade do concelho de Silves. Muito bem, volto a dizer.
Fica, porém, a questão: já alguém viu aqui por Silves algum dos anteriores filmes premiados com este Prémio CMS Jovem?
Era difícil não era?!
Já nem temos um cinema!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

4 anos e meio depois...a cidade é outra

Castelo de Silves, Julho 2004
Mais uma vez o Polis. Não há como evitar não falar dele.
Como?, se um programa que se pretendia de requalificação da cidade acabou por ser o principal responsável pela sua descaracterização, pela sua mutilação, desorganização, e outras palavras acabadas em "ão"! Mais um ano passou, sobre o relógio reconfigurado. Só resta mais um ano a este Polis já adiado, e o que vemos "não ata, nem desata".

E quanto aos objectivos, o que dizer?! Como às vezes é bom ter por onde recordar, não é?

Ora leiam o que há quatro anos e meio se dizia do miraculoso Polis (os sublinhados a laranja são meus, e servem só para vos chamar a atenção para a diferença entre aquilo que se disse e o que se fez):



Polis de Silves formalmente inaugurado

Foi formalmente inaugurado na passada sexta-feira pelo Ministro do Ambiente, José Sócrates, o programa Polis para Silves, que irá levar a uma revolução na forma de viver a cidade até ao final de 2005. Ou pelo menos é o que se pretende.
Silves é, assim, a 21ª cidade a ser contemplada com este programa de requalificação urbana. Para o efeito, foi dividida em quatro áreas de intervenção, que abrangem quase todo o perímetro urbano, cada uma dos quais com as suas características próprias. A área total de intervenção é de cerca de 111 hectares.

No plano estratégico pode ler-se que na área do Centro Histórico, que compreende grosso modo o castelo e quarteirões adjacentes, se pretende "actuar no espaço público em geral, qualificando-o e dando-lhe uma maior dignidade face ao carácter cultural e monumental da cidade".Trocando por miúdos, isto significa, por um lado, modernizar as redes de subsolo, eliminando de passagem as "redes aéreas" (cabos eléctricos, telefónicos, etc.), e trazer benefícios vários às ruas da zona.
Algumas intervenções específicas serão também contempladas, nomeadamente nos Largos da Sé, do Hospital e Dr. Jerónimo Osório, no espaço confinante à Rua do Castelo e Rua do Mirante, no espaço contíguo à Travessa do Pelourinho e na Praça do Município.

Tudo isto envolve escavações e, numa cidade que tem o passado que Silves tem, é inevitável que se descubram vestígios em cada escavação. Por isso faz também parte do Polis a musealização da Arro(n)chela, que irá servir para enquadrar esses vestígios. Ainda no campo dos museus, também as Torres serão musealizadas, e o Castelo sofrerá um arranjo interno.

A segunda área, a do Núcleo Urbano, estende-se para sueste do Centro Histórico, entre este e o Arade. Aqui estão previstas acções de reabilitação urbana, não só como um fim em si mesma, mas também a fim de favorecer a circulação pedonal entre o Castelo e o Arade. Um dos aspectos que mais impacto trará a esta zona da cidade é a relocalização das paragens de autocarros e táxis e também a requalificação da zona das paragens de autocarros e táxis, e também a requalificação da zona do mercado.
A zona do Rio Arade, área do sul da cidade onde estão situados os campos de futebol, a FISSUL, parques de estacionamento e descampados, é a terceira área de intervenção. Aqui estão planeadas intervenções no próprio Arade, com o desassoreamento do rio, e um aproveitamento maior das margens e da ponte. Também está previsto um Parque de Lazer para a zona ribeirinha, onde se pretende instalar uma piscina municipal.

À semelhança do que se vem fazendo a jusante do rio, em Portimão, também Silves aposta, no seu Polis, na criação de um circuito pedonal ao longo do Arade, que irá ligar o Parque de Lazer ao Moinho Valentim. Nesta zona prevê-se ainda a construção de um Centro de Interpretação e Monitorização Ambiental que tem como objectivos desenvolver acções de sensibilização ambiental e acompanhar em contínuo os diversos indicadores ambientais. O Plano Estratégico levanta a possibilidade de associar este Centro à recuperação do Moinho Valentim.
A última área, a norte e noroeste da cidade, é dedicada às acessibilidades. Prevê-se no plano estratégico por um lado beneficiar a Estrada Municipal 529, que liga o Figueiral à nacional 125, e por outro lado criar duas novas acessibilidades a Norte, com o objectivo claro de descongestionar o centro da cidade.

Tudo isto corresponde a um investimento global de cerca de 14.4 milhões de euros, mais IVA, dos quais cerca de 1 milhão cabe à autarquia. É uma quantidade enorme de dinheiro que, no entanto, é cerca de um quinto do valor de todos os projectos apresentados pela Câmara aquando da candidatura. Entre estes projectos, e com compromisso autárquico para avançar, estão a construção de uma Biblioteca Municipal, a reabilitação de um arquivo para nele se instalar o Arquivo Histórico Municipal, a reabilitação do Teatro Gregório Mascarilhas, a criação da Casa da Música, a aquisição do Palácio Grade, a construção de uma pista de atletismo e da piscina, a remodelação do Mercado e a conclusão do Complexo de Feiras e Exposições. Também integrados nestes investimentos estão a remodelação da Rede de Águas Residuais e Pluviais, e da ETAR.

Aqui o investimento será feito com dinheiros que não provém do Polis, e sim de fundos próprios da autarquia e de outras entidades. Ao todo, falamos de quase 60 milhões de euros, mais IVA. Ou seja, de cerca de 12 milhões de contos.
Um grupo de obras de tal envergadura causa necessariamente impactos importantes, quer na vida da cidade aquando da sua conclusão, quer durante as obras propriamente ditas. Assim sendo, as entidades promotoras do programa irão levar a cabo um conjunto de acções de sensibilização dirigidas a três "grupos-alvo": a população em geral, os comerciantes e habitantes das zonas que irão sofrer um impacto mais significativo, e as escolas e os jovens em geral.

Relativamente à população em geral, será implementado um Posto de Informação Polis, situado em frente à ponte, na baixa da cidade, será editado um boletim informativo regular, criado um site e instalados quiosques multimedia nas zonas mais movimentadas da cidade, e instalados tapumes de obras que minimizem o ruído e os impactos visuais negativos.

Relativamente aos comerciantes, as acções adoptadas para minorar o impacto negativo de obras em curso em frente à porta, limitam-se à criação de brigadas de limpeza especiais, que circulem pelo comércio limpando montras, e o desenvolvimento de acções de animação no Centro Histórico a fim de atrair a população para a zona.

Terão ainda lugar Passeios Polis, isto é, passeios guiados pelas áreas intervencionadas onde se dará a conhecer à população a realidade da cidade e os projectos Polis. Por fim, as crianças irão participar em concursos sobre a cidade.

Foi a tudo isto que se deu início formal na passada sexta-feira, com o descerramento do "cowntdown", situado logo à saída da ponte, e que irá contar, ao segundo, o tempo que ainda falta para completar os trabalhos, e com a assinatura, por Isabel Soares e José Sócrates, do volumoso contrato entre a câmara e o poder central, com vista à execução do projecto.

Nas intervenções, o actual clima de pré-campanha sobrepôs-se à festividade da data, com Isabel Soares a regozijar-se pela vinda do Polis para Silves, mas também a queixar-se de que "O Polis peca por tardio, e também peca por ter sido reduzido a um quinto dos projectos". E apesar de se estar a falar de outras coisas, a autarca de Silves não deixou de acentuar o "profundo desgosto" que sente devido à indefinição no licenciamento dos cursos do Piaget, deixando no ar a ameaça de cumprir uma promessa: "o corte do IP4 em protesto contra a falta de paixão pela educação" do governo.

Sócrates, que não é homem de ouvir e calar, respondeu à letra. Referindo que registou a ausência de um elogio explícito ao governo no discurso da presidente da câmara, sublinhou que ele não tem pejo em declarar que a câmara se portou muito bem, concordou que a verba disponibilizada para Silves é pequena, mas explicou que teve de ser assim para se poderem apoiar 10 cidades em vez das 2 inicialmente previstas nesta segunda fase do Polis, e que em todo o caso "este é o maior contrato que a câmara de Silves já assinou com o governo", concordou que o Polis em Silves peca por tardio e agradeceu o elogio subentendido, porque o seu "governo fez o que os anteriores não fizeram".
É o que dá realizar cerimónias entre instituições de diferentes cores em pré-campanha...

Jorge Candeias
Publicado: 18 de Fevereiro, 2002
http://www.regiao-sul.pt/noticias/noticia.php?id=9528

domingo, dezembro 17, 2006

Que Cruz!


Coitada da Cruz de Portugal!
Pretexto para uma requalificação da iluminação pública local (foi assim que o projecto de obras foi ilegalmente presente ao IPPAR de modo a evitar "outros contratempos", e assim o comprovei consultando a caricata e quase inexistente documentação presente na DOM) acabou por ser ela a grande esquecida nestas obras. Sem luz, mesmo sendo Natal, durante largos meses vergonhosamente embrulhada por trapos, rodeada de obras inacabadas realizadas em terrenos particulares ainda não adquiridos (o que é grave), aqui está, passado mais de um ano, às escuras e sem acesso e informação adequada que a dignifique. Tratando-se de um monumento nacional, atracção permanente de muitos visitantes, é exemplo da capacidade desta autarquia em tratar o património local.

E assim caminhamos, promessa da Presidente, para candidatar Silves a "Património Cultural da Humanidade"! Haja Vergonha!