Mostrar mensagens com a etiqueta Ambiente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ambiente. Mostrar todas as mensagens

domingo, outubro 16, 2011

Ação cívica de cidadania ativa - caiação da ponte velha de Silves



Um terço da ponte estará caiada, e parte das silvas e das canas que a envolviam, e até escondiam, cortada. Foi um trabalho hercúleo, e atrevido, para os 11 bravo(a)s que responderam de forma alegre e entusiástica ao apelo. Pena que entre os bravos, a maioria nem fosse silvense! Sintomático!
Foi, também, e por coincidência, uma forma de contribuirmos na manifestação global do dia 15, por uma mudança de paradigma nesta sociedade adormecida e apodrecida, à espera de algo que não constrói por si. Espera que os medíocres órgãos representativos, por si eleitos, os substituam. E mesmo quando estes falham, como é o caso, não fazem como o vulgar cliente que face ao mau serviço reclama: não, comem e calam e, pior ainda, criticam quem reclama e toma a iniciativa.  A situação assume, por aqui e não só, contornos "clínicos" no que à cidadania respeita e ao grau de desinteresse de alguns.
Preservar e conservar um monumento de interesse concelhio (o que, aliás, a lei do património diz caber a qualquer um de nós), há sete anos completamente abandonado, em riscos de ruir (digo eu que por debaixo dela estive), que no passado teve seis arcos e agora mal vemos três (os outros parece que são propriedade privada!), ex-libris de uma cidade que nem a pinta (ou caia), alvo do vandalismo e dos graffiters, é agora, infelizmente, preocupação inusitada. Ninguém pode reclamar, seriamente, o desassoreamento do rio Arade e  deixar chegar ao estado a que chegou a ponte histórica que o atravessa, o assoreamento dos seus arcos, a lixeira e o desleixo que os seus vãos encobrem. Fogões, esquentadores, bicicletas, garrafas e plásticos aos quilos, árvores, silvas, canas e, sei lá, tudo cresce debaixo de um dos mais antigos, e visíveis, monumentos da cidade. Mas como por cá se diz, "longe da vista, longe do coração"...
No próximo sábado lá voltaremos, para tentar devolver-lhe a dignidade perdida. Pode não ser suficiente, depende dos "contribuintes", mas como alguém já disse, "Roma e Pavia não se fizeram num dia"!

P.S. - Entretanto, saíram os primeiros ecos na comunicação social, no Sul Informação.
E algumas fotografias, também do mesmo jornal.

sexta-feira, outubro 14, 2011

Silves cheira mal! você não tem vergonha?

SILVES CHEIRA MAL; VOCÊ NÃO TEM VERGONHA?
Este ("o você não tem vergonha") será mote para uma série de posts e outras intervenções, que a  seu tempo serão divulgadas. É agora também o título deste artigo: "Silves cheira mal! você não tem vergonha?". 
A culpa é, agora, já menos da ETAR do Odelouca, mas sim do barranco/ribeiro da Caixa d'Água, paredes meias com uma empresa de distribuição de alimentos (Modelo) e com seis escolas (Primária, dois Jardins de Infância, Secundária, E.B.2,3 e Profissional) onde começa a ser quase impossível trabalhar. É um caso de saúde pública e nada se diz, e nada se faz. As baratas invadem as escolas referidas, o mau cheiro e os mosquitos são permanentes. É uma situação insólita, de tão primitiva que é. Não o posso admitir, como professor numa das escolas, como encarregado de educação de uma aluna de uma dessas escolas, como munícipe. Não pode haver um esgoto a céu aberto em plena cidade, junto aos locais que referi, e a cujo mau cheiro estamos constantemente expostos. Não pode!!
Eu denuncio-o, aqui e junto das autoridades responsáveis. Não tendo resposta, farei o que hoje, estranhamente, é preciso fazer: trago as televisões e os jornais. Porque tenho vergonha!
Fiquem com a imagem, felizmente sem cheiro. 

quinta-feira, setembro 29, 2011

Alguém quer saber?



Penso, e entristeço-me, porque enquanto a maioria dorme (literalmente e não só), outros que são os nossos filhos destroem a memória e o património que fomos reunindo e dão identidade ao sítio em que todos nasceram ou vivem. A praga espalha-se por Silves, e ninguém quer saber, inclusive os diretamente afetados: não digam que as autoridades não fazem nada quando, sabendo quem são os que isto fazem, não podem atuar por não existirem queixas por parte de quem é lesado.
E no caso da imagem, o painel de azulejos da silvense Maria Keil, fomos todos nós. Qualquer um poderá, por isso, fazer queixa às autoridades, inclusive o município que, só não o faz (sei eu), por desleixo e opiniões de alguns que por lá andam!!

sexta-feira, julho 03, 2009

Lagoa dos Salgados, mais uma vez

por Elisabete Rodrigues, Barlavento
Reproduzo adiante, o comentário ao comunicado da Almargem publicado no Barlavento-on-line, e com o qual totalmente me solidarizo, enquanto cidadão e vereador não permanente na Câmara Municipal de Silves.
O Executivo Permanente do PSD neste concelho, irmanado com os seus "companheiros" de Albufeira, continuam de olhos vendados quanto aos sucessivos atentados a este espaço ecologicamente notável. Basta referir que até hoje, e numa sucessão de más notícias que tem uma média trimestral, a CMS nunca emitiu qualquer comunicado manifestando a indignação pelo tratamento que este espaço no concelho de Silves tem tido.
Problemas no Gabinete de Comunicação Social da Presidência ou questões de prioridade?
Aqui fica a notícia completa:

Salt Beach Club afecta Lagoa dos Salgados, denuncia a Almargem
por elisabete rodrigues

Lagoa dos Salgados
As obras de terraplanagem do Salt Beach Club, que irá funcionar durante um mês de Verão na zona da Lagoa dos Salgados (Silves), já se iniciaram, «levando à movimentação de terras, corte de vegetação e perturbação geral do ambiente local», denunciou hoje a Almargem.

TEMAS: Ambiente

O espaço de animação nocturna vai funcionar entre 18 de Julho e 22 de Agosto, à semelhança do Sasha Beach da Praia da Rocha.

A Associação Almargem faz questão de dizer que «nada tem contra a realização de eventos culturais e musicais que possam contribuir para complementar a estadia dos muitos milhares de veraneantes que por esta altura procuram o Algarve».

Mas sublinha «que tais eventos não podem é pôr em causa valores que vão muito para além de algumas noites bem animadas».

A Almargem considera que a Lagoa dos Salgados e a região envolvente (Dunas da Praia Grande, Sapal de Pêra) «já há muito deveria ter sido transformada numa reserva natural, tendo em conta a sua importância, sobretudo, para diversas espécies de aves aquáticas».

«Este é um facto reconhecido internacionalmente, pois são inúmeros os “birdwatchers” que vêm expressamente ao Algarve para observar aves nesta zona», acrescenta a associação.

«Infelizmente, as entidades responsáveis têm vindo a olhar para a Lagoa dos Salgados e Praia Grande apenas como um factor valorizador de um futuro mega-empreendimento turístico que pretende aqui instalar mais um campo de golfe e habitações para cerca de quatro mil pessoas», sublinham ainda os ambientalistas.

«A própria Lagoa possui problemas gravíssimos - poluição da água, alagamento sistemático do campo de golfe já existente há algumas décadas e que foi construído no próprio leito de cheia - o que tem levado a sucessivas intervenções de esvaziamento da lagoa, com consequências dramáticas para a sobrevivência das aves e outros animais ali existentes», frisam.

Enquanto este «projecto insustentável de ocupação urbano-turística da zona da Praia Grande não avança, o abandono, a degradação e a utilização do local para actividades com significativo impacto ambiental, têm constituído uma estratégia consciente, com vista a tentar reduzir ao mínimo os valores naturais existentes», acusam. E «o Salt Beach Club insere-se claramente nessa estratégia», acrescenta a associação.

A terminar, a Almargem apela à Câmara Municipal de Silves e às restantes entidades com jurisdição sobre a zona, «para que reconsiderem, de uma vez por todas, o que querem realmente fazer do futuro da Lagoa dos Salgados, da Praia Grande e do Sapal de Pêra».

«Em vez de mais um falso paraíso de betão, palmeiras e golfe, igual a tantos outros, por que não ter a coragem de transformar esta região num parque ecológico de projecção e reconhecimento internacional?», interroga a mais importante associação de defesa do ambiente do Algarve.

Concluo, citando o Presidente da República durante o discurso de inauguração das obras de "requalificação" do Castelo de Silves:

“É um grande investimento, num concelho que tem sido capaz de criar a sua competitividade turística, com a aposta na cultura e que se tem vindo a afirmar como pólo de atracção cultural de qualidade ambiental”.

Quem sou eu para o desdizer?!

P.S.- E se não bastasse, hoje dia 12 de Julho, é notícia a mortandade de peixes.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Ela merece(ía)...não fosse tudo já passado

P.S.(Nota prévia) - Este foi o post que fiz em 22 deste mês. Cá fica, mas com este pré-aviso. Foi tudo um imenso equívoco espalhado à velocidade da luz, aquela em que funciona a Internet. Tudo se passou, ainda assim, mas passaram já alguns anos. Leiam a explicação completa aqui. E aceitem as minhas desculpas, pela desinformação em que participei.
Sobre Maria Keil, a silvense, uma das maiores artistas do séc. XX português, que revitalizou a nossa tradição no azulejo, já antes escrevi, aqui e aqui.
O post de hoje, ainda que atrasado, serve para denunciar um dos maiores atentados ao património perpetrados nos últimos tempos, por uma empresa portuguesa, que até é pública, e um dos maiores atentados também à dignidade humana e artística, que mais me repugna por ter Maria Keil como vítima. Logo ela, um exemplo em muitos aspectos. Outro fosse, um daqueles que hoje fazem as vernissages da moda, e as indemnizações jorrariam aos milhões.


Mas passo a palavra aos autores da petição on-line que reclama a reposição dos painéis destruídos pelo Metropolitano de Lisboa (constantes dos livros de história da arte por onde estudei e não só), e que não indemnizou a autora simplesmente por esta os não ter vendido, mas sim oferecido. Truques de advogado, mas que ainda assim não respondem a outra questão: e quem indemniza os portugueses pela destruição daquele património colectivo?


Leiam o texto da Petição, e se assim entenderem, assinem aqui (em dois dias os números ultrapassaram já o primeiro milhar!, embora ainda hajam relativamente poucos silvenses):


Para: Metropolitano de Lisboa
Maria Keil (gosta que a tratem apenas por Maria) nasceu na cidade de Silves, em 1914. Partilhou a maior parte da sua vida com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, com quem se casou, muito jovem, em 1933. De lá para cá fez milhares de coisas, sobretudo ilustrações, que se podem encontrar em revistas como a “Seara Nova”, livros para adultos e “toneladas” de livros infantis, os de Matilde Rosa Araújo, por exemplo, são em grande quantidade. Está quase a chegar aos 100 anos de idade de uma vida cheia, que nos primeiros tempos teve alguns “sobressaltos”, umas proibições de quadros aqui, uma prisão pela PIDE, ali... as coisas normais para um certo “tipo de pessoas” no tempo do fascismo. Para esta “história”, no entanto, o que interessa são os seus azulejos. São aos milhares, em painéis monumentais, espalhados por variadíssimos locais. Uma das maiores contribuições de Maria Keil para a azulejaria lisboeta, foi exactamente para o Metropolitano de Lisboa. Para fugir ao figurativo, que não era o desejado pelos arquitectos do Metro, a Maria Keil partiu para o apuramento das formas geométricas que conseguiram, pelo uso da cor e génio da artista, quebrar a monotonia cinzenta das galerias de cimento armado das primeiras 19, sim, dezanove estações de Metropolitano. Como o marido estava ligado aos trabalhos de arquitectura das estações e conhecendo a fatal “falta de verba” que se fazia sentir, o Metro lá teve de pagar os azulejos, em grande parte fabricados na famosa fábrica de cerâmica “Viúva Lamego”, mas o trabalho insano da criação e pintura dos painéis... ficou de borla. Exactamente! Maria Keil decidiu oferecer o seu enorme trabalho à cidade de Lisboa e ao seu “jovem” Metropolitano. Finalmente, a história! Recentemente a Metro de Lisboa decidiu remodelar, modernizar, ampliar, etc, várias das estações mais antigas e não foram de modas. Avançaram para as paredes e sem dizer água vai, picaram-nas sem se darem ao trabalho de (antes) retirar os painéis de azulejos, ou ao incómodo de dar uma palavra que fosse à autora dos ditos. A parte “realmente boa” desta (já longa) história é que, ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma sua obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização. Pergunta-se “porquê? Porque na Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma... exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!! Este crime silencioso não pode continuar impune. Pior do que o crime em si será o (nosso) silêncio à sua volta. Como tal os abaixo assinados exortam o Conselho de Gerência do Metropolitano de Lisboa a, rapidamente, deligenciar obter os desenhos dos painéis destruídos e mandar executar, à empresa que produziu (a Viúva Lamego) novos painéis. Com todo o respeito, os abaixo assinados.
P.S.- Voltei a revisitar este sítio com uma conversa com MK e... emocionei-me (liguem o som).

terça-feira, setembro 16, 2008

Vade retrum

créditos para fototungazunca.blogspot.com/


Vade retrum foi a exclamação que me saiu de chofre face à analogia da Presidente da Câmara Municipal de Silves do projecto de "Requalificação da frente de mar de Armação de Pêra" a um "pequeno Polis". Fiquei preocupado por ela, já que os 9 meses previstos, com timing perfeito para as eleições autárquicas, estariam comprometidos tratando-se de um Polis, ainda que sendo um pequeno Polis. E depois pela "malvada" arqueologia que ali é expectável, de atuns e sardinhas feita, quiçá de caboucos de almadrava, não fosse Armação terra de grandes "armações"! Mas o que mais me surpreendeu foi a nossa presidente vir dizer que aquilo que é afinal uma simples pedonalização de ruas, com uma única demolição (a do quiosque do mini-golfe, já que ninguém queria ver o hotel Garbe, o chalet Vasconcelos, a Fortaleza e outras velhas construções desaparecerem), permitir «abrir a vista da cidade (sic?) para o mar», proporcionar «uma visão mais limpa» da orla costeira aos residentes e visitantes, ao «esbater os obstáculos visuais»! É obra, com a simples demolição do quiosque!

Citando ainda a autarca, no mesmo jornal, «Não podemos deitar prédios abaixo, por isso temos de chamar a atenção para o que está abaixo deles». E o que está abaixo deles é uma política urbanística selvagem, mercantilista, que adiou soluções, e ainda hoje troca áreas de concessão ao domínio público por alguns euros, deixando que sejam os privados a ditar as regras, privando os demais de espaços públicos de qualidade, designadamente jardins ou parques infantis. Para a autarquia, e para o governo central, afinal o maior investidor, restam as operações de mera cosmética, que nada alteram a situação de fundo. Prova cabal disso é a situação do casino, excluída deste plano!

terça-feira, julho 01, 2008

domingo, junho 29, 2008

Herança Polis

(clique para ampliar)
Não é novidade para ninguém quanto sou crítico do Programa Polis de Silves.
E neste espaço tenho deixado ficar alguns do meus desabafos quanto à sua execução. Aquela que poderia ter sido uma belíssima oportunidade de requalificar a cidade, de apontar caminhos novos, corrigir problemas antigos, preservando a matriz histórico/cultural da velha capital do Algarve, tem antes feito a vida dos habitantes num inferno (com algumas excepções, reconheça-se). E está aí para durar, pelo menos por mais dois anos, a contar já a partir de terça-feira (veremos se é desta que há vergonha na cara e retiram, de uma vez por todas, o relógio do Countdown). Aquela que era a obra principal deste Polis, a Requalificação Urbana do Centro Histórico, será a última a ser terminada, se é que o será!
Mas o que vos trago hoje, embora se prenda com tudo isto, relaciona-se com a questão do trânsito. O Polis e o novo Plano de Urbanização de Silves realizaram um estudo sobre mobilidade e trânsito no espaço urbano (ver imagem acima) e que tinha, como ideia base, reconfigurar percursos procurando retirar trânsito rodoviário do centro da cidade e promover a pedonalização de algumas artérias. Até aqui tudo bem. O problema é que quem o fez parece conhecer mal a cidade e a forma como nela se circula, alterando sentidos, circulação de duas para uma via, enfim, fazendo experiências quando bem e como entendeu, não nos dando qualquer cavaco (leia-se informação). Pior, deixou a sinalização vertical tal como estava (como as imagens adiante documentam), gerando o caos entre os que nos visitam, como tenho inúmeras vezes presenciado. Em alguns dos casos, esta sinalização induz mesmo a procedimentos ilegais, enviando os mais incautos por ruas de sentido proibido.

Nesta questão, a da circulação e sua sinalização na cidade de Silves, o Polis ou seja lá quem decide sobre tudo isto, só piorou o que havia.
E isso não pode acontecer!




Largo de Nª Sª dos Mártires
Quem seguir estas indicações, arrisca-se a não chegar a nenhum dos destinos indicados (sentido proibido 500 metros adiante), e a regressar aonde partiu.










Lampião
E quem estas seguir é induzido a cometer uma ilegalidade (sentido proibido).

sábado, maio 17, 2008

Será o Iraque?

A pouco mais de um mês do carísssimo e inútil relógio que realiza o "countdown" deste Polis ficar a zeros (e ainda se fala neste país em desperdício!), depois de adiada a sua reforma definitiva em finais de 2005 e depois em finais de 2007 (até os relógios têm hoje em dia reformas sistematicamente adiadas!), o balanço dos trabalhos é medíocre. Sobretudo para quem vive na cidade alta, no que é o centro histórico de Silves, naquela que deveria ser a nossa jóia da coroa, o nosso principal cartão de visita.


Começando pela sua entrada, pelo Torreão das Portas da Cidade. Conforme se vê na foto, já nem o outdoor e placa anexa (de muito duvidosa colocação, refira-se) resistem à passagem do Tempo. Mas lá estão, sabe-se lá fazendo o quê, já que nem com óculos graduados podemos ler algo que valha a pena! Enquanto isso, um pouco mais acima, entramos em terreno hostil, quase de guerra, qual Iraque em dia de bombardeamento. Poupadas foram as ruas que servem a câmara e o museu municipal, apressada e atabalhoadamente atamancadas para inglês ver. Mas não é preciso ir muito longe para nos depararmos com o mais triste dos postais. Ruas em terra batida, cheias de buracos e outras armadilhas, entulhos espalhados, tubos de abastecimento de água improvisados.

E até sarjetas tapadas com sacos de plástico para evitar odores nauseabundos, porque nestas obras modernas de requalificação "à Polis" ainda há quem se lembre de ligar condutas pluviais directamente à rede de esgotos!
Enfim, um caos, sem fim à vista, uma cruz para quem ali vive, uma vergonha para quem como eu presenciou a curiosidade e o espanto com que alguns turistas, em passeio por ali, faziam comprometedoras fotografias semelhantes às minhas.

terça-feira, maio 06, 2008

Vemos, ouvimos e lemos...não podemos ignorar!

Partilho hoje convosco um magnífico vídeo postado no Google e que resume de forma exemplar o paradigma insustentável e sem saída do modelo capitalista em que vivemos. Para ver e reflectir. E, no que esteja ao nosso alcance, actuar para alterar.

Realizado nos E.U.A., o que poderia configurar uma perspectiva particular, serve-nos de antevisão da sociedade a que nos conduzem. É preciso acordar!!

quinta-feira, abril 17, 2008

Quem manda nos Salgados?


Por um mail de um responsável da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) fiquei ontem a saber do esvaziamento da Lagoa dos Salgados em plena época de nidificação. Havendo hoje reunião camarária, perguntei ao vereador do executivo, responsável pelo Ambiente, o que ocorrera. De nada sabia. Para saber tive que ler o Público, o Região Sul ou o Barlavento. E por estes jornais se fica a saber que a CCDR e o Golfe dos Salgados trataram do assunto entre si, conforme documenta a imagem.

Mas afinal, a Lagoa dos Salgados fica ou não no concelho de Silves? ou será que já alteraram os seus limites? Ou, ainda, será que a autarquia de Silves foi contactada e o vereador responsável e todos os outros que fazem parte da Câmara não foram informados? Tanta pergunta!

Não é por nada, mas a situação não me deixa nada, nada satisfeito, quando a sei pelos jornais.

sábado, abril 12, 2008

Nada será como dantes!

© Manuel Alves
Muito se fez, muito se batalhou!
A luta dos moradores de Vale Fuzeiros contra o traçado da linha de muito alta tensão fez correr muita tinta, foi exemplo cívico da força da razão e desencadeou mesmo, atrevo-me a dizer, um novo paradigma no que a este assunto diz respeito. Nada será como dantes nos gabinetes da REN quando projectarem uma nova linha de alta tensão.

Mas também nada será como dantes na paisagem natural da nossa região: património paisagístico perdido é o que esta foto documenta.

Um abraço ao Manuel Alves, um dos sacrificados.


sábado, novembro 17, 2007

Força Capitão Rolhão!


Morrem alguns, mas entretanto nascem outros blogues neste concelho.

Saúdo a chegada do Capitão Rolhão, um blogue silvense com um objectivo muito especial e louvável: pôr todos nós a reciclar rolhas.

O colega e amigo Pedro Santos, professor na E.B. 2,3 Dr. Garcia Domingues, entusiasmou a turma do 5º A no projecto e aí estão com o Capitão Rolhão, a face vísivel das iniciativas que irão desenvolver para nos sensibilizar à reciclagem deste produto de origem natural, que após cumprir a sua primordial função é, injustamente, desprezado: a rolha de cortiça natural.

Só a fartura de cortiça em que sempre convivemos explica tão despropositado comportamento. A cortiça presente nas rolhas das nossas garrafas é reciclável e reutilizável, ainda não para fazer novas rolhas, mas para uma grande variedade de produtos e reutilizações, poupando a matéria-prima em primeira mão para utilizações "mais nobres". Afinal, trata-se de um produto escasso, limitado na sua produção (o sobreiro com capacidade produtiva restringe-se à zona ocidental mediterrânica) e face à solicitação crescente, até para novas aplicações, com tendência para aumentar de preço, o que o põe a si, e ao seu habitat, também em perigo. E isso todos nós, portugueses, temos o dever de contrariar.

É pois de saudar que surjam - sobretudo envolvendo os mais jovens - a par de outras que já conhecemos (reciclagem de tampas de plástico em contextos de solidariedade), iniciativas que devolvam dignidade e valorização a este importantíssimo produto que é responsável primeiro pela conservação de uma das nossas mais importantes heranças patrimoniais naturais: o montado de sobro. Em homenagem ao passado desta cidade, em nome das gerações de rolheiros Silvenses que com sacrifício tornearam à mão, horas a fio, milhões desses objectos, considero extremamente feliz esta ideia.

E exorto os silvenses a apoiá-la!

segunda-feira, outubro 29, 2007

Alerta para o Picudo


O Picudo Rojo (Rhynchophorus ferrugineus), assim lhe chamam os espanhóis, é uma recente praga de origem asiática que ataca sobretudo as Palmeiras das Canárias (Phoenix Canariensis), uma das variedades mais comuns e características no nosso Algarve. O ataque às árvores realiza-se por um insecto de cor avermelhada (ver imagem), daí o nome em castelhano. Uma vez as palmeiras atacadas, e por ser difícil a detecção precoce, raramente há salvação para as árvores.

Tudo se desenrola no interior do miolo das longas folhas, sem sinais visíveis exteriormente, a não ser algum amarelecimento das folhas que, roídas pelo escaravelho, vão perdendo paulatinamente a sua capacidade de alimentação. O resultado final é a morte da árvore, de pé, conforme se pode já ver no Algoz, junto ao Lavadouro Público.

Palmeira atacada no Algoz (foto José Cabrita)
Um belo exemplar que se perdeu. E não é caso único no nosso concelho. Há que estar alerta para os primeiros sinais e pedir a máxima vigilância, sobretudo dos serviços municipais de jardinagem que têm a seu encargo centenas de árvores. Já há tratamento específico para a praga, mas este deve ter sobretudo carácter preventivo. No sul de Espanha e nas ilhas Canárias a doença tem causado enormes prejuízos à flora local e tem já estatuto de epidemia. Sobre ela já se realizam congressos.
Fica pois este alerta, em defesa das nossas Palmeiras das Canárias, e com o qual se solidarizou o nosso amigo e colega Pedro da Sombra Verde.
P.S.- Caso conheçam mais algum caso neste concelho, agradeço o vosso alerta, pelos comentários ou pelo e-mail.
Ainda outro P.S. - Tive hoje, dia 27.11.2007, a confirmação por parte do vereador Domingos Garcia, responsável pelo pelouro do Ambiente, que a praga já chegou ao concelho de Silves, e em força, na freguesia do Algoz.

domingo, março 04, 2007

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço


Os maus exemplos chegam de cima, como já há algum tempo denunciámos a propósito dos trabalhos do Polis. Agora vemos uma queimada de resíduos vegetais (e outros que nem tanto) a poucos metros de habitações particulares, com o alto patrocínio da Junta de Freguesia do Algoz!

Faz o que eu digo, ....

terça-feira, junho 27, 2006

Campeões...mas sem treinador!

A propósito da notícia "Algarvios são campeões nacionais da reciclagem" no jornal Barlavento ocorre-me dizer o seguinte:

1. Fraco número este (31 Kg/anuais) com que se chega ao pódio!

2. Ainda assim, no concelho de Silves a média não chega a 18 kg/hab!Pior, no Algarve, só Alcoutim (5,8 kg), Monchique (11kg), Olhão (13,9 kg) e São Brás (15,8 kg).

E porquê? Porque talvez nem todos saibam que por cada Kg de lixo indiferenciado que a autarquia coloca no aterro sanitário paga um determinado valor, que sobre nós no final recai, e sendo separado não. Daí que o valor da nossa participação, enquanto cidadãos conscientes da importância da reciclagem dos resíduos sólidos urbanos, possa diminuir a factura que a autarquia paga à ALGAR, além do que é realmente mais importante, melhorar o ambiente que todos usufruem hoje e no futuro.

Esse dinheiro que se poupou, respeitante às 607 toneladas que em 2003 ainda assim depositámos para reciclagem, não vi ainda ser aplicado em nenhuma campanha de sensibilização neste concelho. Porquê? Estamos bem precisados. Vejam-se só alguns números:

Loulé - 28 kg/hab Albufeira - 33 kg/hab Lagoa - 34 kg/hab Portimão - 36 kg/hab .....

e Silves com metade de Portimão: 18 kg/hab.

Não disse!?

quinta-feira, junho 08, 2006

Silves, quase no topo da indesejada tabela


No Relatório Anual (referente a 2005) da Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT-Relatório Anual de Actividades, pg. 48- download de PDF com 1Mb) o concelho de Silves consegue, entre todos os concelhos de Portugal Continental um destacado 5º lugar, entre os municípios com mais queixas a este organismo apresentadas. No topo da tabela está Cascais (20 queixas), Lisboa (16), Odemira e Paredes (13) e, logo a seguir, Silves com 12 queixas! Quase 4 vezes mais a média (3,25) de queixas na região algarvia, um dos distritos que mais reclamações apresenta ao IGAT.
Faz sentido?
P.S.- Veja-se artigo no Correio da Manhã de 11 de Junho.

quarta-feira, maio 17, 2006

Viva a Cortiça!


Mais uma escapadela, por boas razões, ao âmbito local deste blogue, para vos dar conhecimento de algumas recentes notícias sobre um produto extraordinário, a cortiça.
Notícias preocupantes, mas também encorajadoras, quanto ao futuro desta obra-prima da Natureza.
Silves já viveu dela e para ela. Hoje resta uma fábrica de aglomerado negro e um museu; no entanto, Portugal continua sendo ainda o maior produtor e exportador, produzindo cerca de 54% da cortiça transformada que circula por esse mundo. É, por certo, o produto mais nacional entre todas as nossas exportações, embora muitas vezes esquecido, sobretudo no que se refere ao investimento em I&D. Mesmo assim, há quem faça militância pelo sobreiro e este seu produto, por paixão e crença nas suas modernas potencialidades e virtualidades, nomedamente "ecófilas" (passo o neologismo). É o caso do investigador Luís Gil, do Ineti (Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação) que tem dedicado a sua vida à promoção e divulgação deste nosso "ouro negro". Aqui fica um link para uma notícia que importa divulgar: as potencialidades da cortiça no combate à poluição e à pior das pragas - o cancro.
E dois outros links para o que se vai fazendo pela defesa da nossa floresta de montado, mesmo lá por fora:
  • em inglês, pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e referida no artigo da Lusa/Barlavento
  • em português, também pelo WWF sobre a situação do montado português

A LER...e a passar!

P.S.- Não resisto a vos contar uma pequena história com o Eng. Luís Gil. Na Expo de Hannover 2000 fomos ambos convidados pelo Pavilhão de Portugal para falar sobre cortiça. Eu, sobre o recém-criado museu da cortiça da Fábrica do Inglês; Luís Gil sobre as aplicações deste produto, amplamente demonstradas pelo próprio revestimento de aglomerado negro de Silves do Pavilhão de Portugal, o único sem ar condicionado. Luís Gil, autor e proprietário de várias patentes relacionadas com a utilização da cortiça, a dada altura da sua apresentação surpreende a plateia, pelo menos a mim, que nunca mais esqueci o momento nem o paro de transmitir, quando alvitrou: se a Mercedes, marca alemã, fosse portuguesa, há muito tempo que os tabliers e as manetes de mudanças destes carros seriam em cortiça. E porquê? Porque é um material bonito, macio e, sobretudo, porque nos pouparia o terrível sacrifício de lhes tocar, fosse no escaldante Verão ou no gelado Inverno.

tudo dito!

sábado, maio 13, 2006

2/13 avos sem Bandeira Azul


Dos 13 concelhos algarvios com frente atlântica (3 sendo interiores não a possuem: Alcoutim, Monchique e S. Brás), dois deles não têm qualquer bandeira azul: são eles Castro Marim e Silves. Uma das praias do concelho de Silves, freguesia de Pêra, a Praia Grande, galardoada em 1998 com o galardão de Praia Dourada e alvo de intervenção apoiada pela direcção regional do Ambiente é vítima do esquecimento da CMS. O mesmo, ou pior, se passa em Armação de Pêra que já tendo sido bandeira azul nos anos 90 é outra das praias que não recebe este ano a distinção. Azul, só a bandeira da Freguesia! Mas não se pense que o problema reside nas praias, o problema reside fundamentalmente na câmara que nem sequer se candidata. Vá-se lá saber porquê?

terça-feira, abril 11, 2006

Reciclagem "à Polis" III


Pode parecer má-vontade contra o programa POLIS, mas acreditem que não é. A sequela só tem continuidade por que os seus actores não param de lhe criar novos argumentos, cada vez piores e de mais mau gosto. Então não é que, não bastando as queimadas de lixos a céu aberto já aqui denunciadas, não bastando os descuidos no abandono de materiais tóxicos, lembram-se agora de fazer do leito do Arade depósito de entulhos!! Bem nas barbas do placard (countdown) do Polis que, coitado, há tempos que não sabe a quantas anda. Bem no momento em que corre um abaixo-assinado relembrando velhas promessas de desassoreamento e despoluição do rio, nunca cumpridas. Mas em que país, ou cidade, estamos? Não há autoridade marítima, não há autoridade de ambiente, não há fiscalização das obras que os empreiteiros POLIS desenvolvem?
Para já não falar do mau exemplo que se faz passar, logo por aqueles que são responsáveis por um programa de reabilitação urbana!!